MEIO AMBIENTE

Calor extremo esquenta debate sobre clima em Londres

Especialistas reunidos em seminário riscos climáticos e seguros reconhecem que a forte temperatura londrina contribui para os alertas para o aquecimento global

Piera Tortora, coordenadora da iniciativa Oceano Sustentável para Todos e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico -  (crédito: Divulgação/cnseg)
Piera Tortora, coordenadora da iniciativa Oceano Sustentável para Todos e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - (crédito: Divulgação/cnseg)

Londres – Na semana em que a cidade de Londres atravessa uma onda de calor extremo, com alerta vermelho para altas temperaturas, o debate sobre riscos climáticos e seguros nunca foi tão oportuno, na avaliação de Piera Tortora, coordenadora da iniciativa Oceano Sustentável para Todos e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Com os termômetros acima de 35º até a operação do metrô londrino chegou a ter atrasos devido ao superaquecimento de trilhos e capacidade insuficiente do ar condicionado dos trens e das estações.

“É uma bênção o clima estar dessa forma, porque coloca uma lente sobre o problema do aquecimento global em plena semana dos debates climáticos, aqui em Londres. E há vários trabalhos em termos de medidas prioritárias para contribuir com a regulação necessária e focar em vários setores estratégicos e sensíveis”, destacou Tortora, nesta quarta-feira (24/06), durante o seminário “Diálogo sobre seguro, clima e meio ambiente”, organizado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) e pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em Londres, um dos vários eventos paralelos à Semana de Ação Climática na capital britânica. Para ela, que participou dos debates da COP 26 em Glasgow, na Escócia, esse tema não pode ser negligenciado.

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“Espero que os governos realmente se comprometam com essa agenda, porque há muitas evidências da importância de olharmos para as consequências e os riscos do aquecimento global”, alertou Tortora, defendendo ferramentas que facilitem o financiamento de medidas de proteção ambiental e de iniciativas sustentáveis.

Logo na abertura, o presidente da CNSeg, Dyogo Oliveira, ressaltou o trabalho do setor de seguros na busca por soluções para minimizar as perdas decorrentes de desastres climáticos e o trabalho da CNSeg em intensificar a presença em eventos relacionados à agenda de combate aos riscos climáticos. “A indústria de seguros tem um papel muito importante em todas essas questões. Está engajada em implementar soluções e possui ferramentas para unir forças e propor ações cuja implementação já é conhecida, além de abrir espaço para novas soluções”, afirmou.

Ao comentar as altas temperaturas em Londres nos últimos dias e que ultrapassaram 35ºC, Oliveira fez uma comparação com o clima brasileiro. “Esses eventos são muito importantes, porque o calor lá fora mostra que algo está acontecendo e, como tudo tem um lado bom, o mundo está se transformando em um grande Brasil: quente e úmido”, brincou ele, lembrando do clima de Belém, cidade-sede da 30ª Conferência sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 30, realizada em novembro do ano passado. A CNSeg pretende repetir a experiência bem-sucedida da Casa do Seguro em Antalya, na Turquia, em novembro deste ano na COP31.

Especialistas presentes no evento reconheceram as dificuldades para financiar investimentos na área ambiental e ressaltaram que o seguro é fundamental para a prevenção de desastres climáticos, e, principalmente, evitar grandes perdas econômicas para a sociedade e para os municípios. Pedro Farme, CEO Guy Carpenter do Brasil, reforçou que os casos recentes de desastres climáticos não apenas no Brasil mostram as lacunas de proteção. Ele, inclusive, citou uma parceria com a cidade de São Paulo para mapear riscos climáticos e desenvolver estratégias de resiliência.

Amanda Brasil, gerente de projetos do Laboratório de Inovação Global para o Financiamento Climático do Climate Policy Initiative (CPI), destacou que investir cada vez mais em prevenção, em vez de apenas recuperar destruições, é essencial — e, nesse sentido, o papel das seguradoras é crucial para contribuir com projetos de financiamento climático. “Falando de mobilização e olhando para as formas em que o seguro é mais útil e como mostrar mecanismos financeiros, o seguro acaba sendo uma ferramenta que ajuda a evitar investimentos em áreas de alto risco. Mas ele não pode substituir os investimentos necessários. O seguro não é uma bala de prata, sobretudo na reestruturação, mas é uma das ferramentas que podem ser utilizadas para fortalecer o ecossistema de adaptação e resiliência”, afirmou.

Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNSeg, ressaltou que a entidade e as empresas do setor segurador têm ampliado sua presença nos debates, não apenas na semana do clima de Londres, “mostrando dados e projetos de resiliência climática para o Brasil”. Maria Netto, diretora-executiva do iCS, também reforçou a importância das discussões sobre a agenda climática e o alto custo da inação. Ela elogiou o fato de o setor segurador estar cada vez mais integrado ao debate. “O fato de o setor segurador ser parte da solução é muito relevante. E temos muita oportunidade para avançar”, afirmou, lembrando a tragédia do Rio Grande do Sul, em 2024, uma pequena parcela dos moradores tinham seguro residencial ou de veículo.

Curiosamente, conforme dados da CNSeg, o Sul do país é a região com maior percentual de penetração de seguros. Segundo Claudia Prates, o percentual de casas com proteção residencial é de 17%, acima da média do Sudeste, de 12%.

*A jornalista viajou a convite da CNSeg

 

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postado em 24/06/2026 17:46 / atualizado em 24/06/2026 17:47
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