A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a proposição de uma nova tarifa de 25% a produtos brasileiros pelos Estados Unidos. A medida excluiria determinados produtos comercializados em maior escala, como café, carne bovina, peças de aeronaves, terras raras e outros metais, e ainda deve ser analisada pela representação comercial do país, a USTR, na sigla em inglês.
A entidade acredita que novas tarifas poderiam enfraquecer a relação entre os dois países e que o diálogo deve ser fortalecido para evitar desentendimentos e possíveis impactos negativos para ambas as cadeias produtivas. O posicionamento foi publicado por meio de nota oficial divulgada nesta terça-feira (2/6).
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destaca que o momento exige “diálogo e análise técnica” e que a confederação está preparada para ajudar nas negociações bilaterais. “A relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é estratégica, sólida e construída ao longo de décadas. A eventual adoção de tarifas adicionais vai prejudicar a indústria brasileira e o mercado norte-americano”, comentou.
A CNI deve contribuir com uma audiência pública que a USTR deve promover no próximo dia 6 de julho, que tem o objetivo de receber diferentes análises de outros setores sobre a possível implementação da tarifa. A entidade avalia como uma oportunidade para o país apresentar “elementos técnicos e informações que contribuam para uma avaliação mais equilibrada dos temas tratados no relatório”.
A confederação ainda lembra dos prejuízos causados pela imposição de tarifas adicionais, que chegaram a 50%, em agosto de 2025, para uma série de produtos importantes para a pauta exportadora Brasil-EUA, como café, calçados, suco de laranja, pescados e carne bovina. Em todo o ano passado, as exportações para os Estados Unidos tiveram queda de 4,2% ante o ano anterior, com as vendas totalizando US$ 30,2 bilhões.
