São Paulo — A realização da Copa do Mundo deve aquecer o mercado brasileiro de televisores em 2026, com expectativa de aumento nas vendas conforme a seleção brasileira avance no torneio. A avaliação é do líder de Tech da NielsenIQ Brasil, Mateus Bando, que apresentou dados sobre o comportamento do consumidor durante evento do setor.
Segundo Bando, a categoria de TVs tende a seguir um movimento sazonal típico de anos de Copa. Ele explicou que o interesse do consumidor cresce de forma gradual, principalmente quando há uma expectativa positiva em relação ao desempenho da seleção.
“Quando a gente tem uma expectativa grande sobre a seleção nacional, a venda de Copa é alongada. Venda de TVs e áudio, ela é alongada. Quando a expectativa é baixa, a venda tende a não ser tão alta quanto fora”, afirmou.
O executivo destacou que, no início do ciclo da Copa de 2026, houve pouco interesse por parte da mídia e dos consumidores, mas esse cenário pode mudar conforme os resultados em campo.
“É um movimento passional. Pouco a pouco, (a Seleção) ganhou o primeiro jogo, ganhou o segundo jogo, ganhou o terceiro jogo, isso vai esquentando, e o mercado tende a performar com uma venda de televisores cada vez melhor, conforme a seleção avança”, disse.
A NielsenIQ estima que o volume de vendas de TVs neste ano fique cerca de 15% acima do registrado em períodos anteriores. Para Bando, o desempenho da seleção será um fator decisivo: caso o Brasil avance na competição, o crescimento pode ser ainda maior; se a eliminação ocorrer cedo, a alta deve ficar em torno de 10%.
O especialista também comparou o comportamento do consumidor em diferentes edições do torneio. De acordo com os dados apresentados, a Copa de 2018 é uma referência mais adequada para análise, já que a edição de 2022 ocorreu em um período diferente do calendário comercial.
Naquele ano, a venda de televisores começou a crescer cerca de duas semanas antes do início dos jogos, e ganhou força durante a competição.
Período sem grandes promoções
Bando ressaltou ainda que a Copa não necessariamente é marcada por grandes promoções no varejo. Segundo ele, o consumidor costuma aproveitar o momento para adquirir aparelhos maiores e mais tecnológicos, mesmo sem grandes reduções de preço.
“Na Copa, não se vende com promocionamento. As pessoas compram equipamentos melhores, maiores, mais caros, sem, necessariamente, ter promoções no varejo”, explicou.
O movimento também acompanha uma tendência de crescimento das telas maiores. O levantamento indica avanço das TVs acima de 65 polegadas, com aumento de volume no mercado e pouca alteração no preço médio, sinalizando uma migração do consumidor para produtos de maior valor agregado.
Para Bando, a Copa deve funcionar como um dos principais motores do mercado de eletroeletrônicos em 2026, especialmente em uma categoria que já vem sendo impulsionada pelo ciclo de troca de aparelhos. “A Copa deve puxar a venda de televisores como principal categoria depois da linha branca dentro desse ciclo”, concluiu.
*Repórter viajou a convite da Eletrolar Show
