
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (24/6) que o governo brasileiro segue negociando com os Estados Unidos para evitar a ampliação das tarifas sobre produtos brasileiros e criticou o que classificou como tentativa de transformar uma pauta comercial em disputa política.
"Veja se tem cabimento o governo norte-americano falar que o desafio para ele é a eleição no Brasil e ter brasileiro que celebra isso. Isso é uma tragédia do ponto de vista histórico e uma traição do ponto de vista político", disse em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, da EBC.
Segundo ele, cerca de 21% das exportações brasileiras são impactadas pelas medidas tarifárias adotadas pelo governo de Donald Trump. “Infelizmente, esse tema, que deveria ser tratado apenas na mesa como uma pauta comercial, às vezes assume outros contornos, de natureza política e eleitoral”, destacou.
O ministro também relembrou que a escalada tarifária começou quando os Estados Unidos ampliaram tarifas para diversos países. Com negociações bilaterais semanais em andamento, o Brasil conseguiu reduzir a alíquota para 10%, mas uma nova pressão tarifária voltou à cena recentemente.
Para conter os impactos, o governo brasileiro lançou um programa voltado a socorrer exportadores atingidos pelo tarifaço. "O Brasil Soberano vai sempre ter recursos disponíveis necessários para socorrer as empresas e os empregos", garantiu Rosa.
Durante a entrevista, ele criticou, ainda, os questionamentos dos EUA ao sistema de pagamentos Pix e afirmou que o instrumento é uma ferramenta brasileira. “O Pix é nosso. O problema é que algumas pessoas incentivam o governo norte-americano a imaginar que pode causar danos à soberania brasileira.”
O ministro classificou a medida como “absolutamente injusta” do ponto de vista comercial e afirmou que o governo brasileiro continuará participando de reuniões técnicas semanais para tentar reverter a decisão. “Nós precisamos convencer o governo norte-americano de que não podem preponderar interesses egoísticos em uma decisão que diz respeito a uma nação”, apontou.
Rosa ressaltou que setores como rochas ornamentais, madeira, calçados e sal estão entre os mais afetados pelas tarifas, por dependerem fortemente do mercado norte-americano, e afirmou que o governo trabalha para incluí-los em listas de exceção durante as negociações.

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