NOVO DESENROLA

Lula lança nesta segunda-feira programa Desenrola dos adimplentes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança, hoje, nova etapa do programa que beneficia quem mantem em dia os pagamentos, após negociações, oferecendo melhores condições. Os detalhes serão anunciados em cerimônia no Planalto

O programa Desenrola, voltado para a renegociação de dívidas em atraso com juros e prazos mais atrativos do que os convencionais, chega a uma nova fase nesta semana. Como antecipado em diferentes ocasiões pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, lançam, hoje, a versão do mesmo programa para os adimplentes.

O foco é incentivar a adimplência por meio da renegociação de dívidas que já foram pactuadas e estão sendo pagas em dia, mas que contam com prazos muito longos e/ou juros mais elevados do que o normal. A ideia é dar mais fôlego às famílias que, mesmo tendo condições de cumprir com as obrigações financeiras, sentem o peso dos juros altos a cada mês.

Em visita na semana retrasada à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, adiantou que o governo federal iria premiar os "bons pagadores", que mantêm em dia as contas. "Esse o valor que a gente precisa defender. E reconhecer que se em algum momento nós tivemos uma dívida, um serviço de dívida alto por conta dos juros, que a gente pode, com uma economia forte, ajudar as pessoas do país a voltarem a pagar em dia as suas prestações", disse.

A ampliação do programa para os bons pagadores, no entanto, não agradou as instituições financeiras e o sistema bancário. Se na primeira fase do Desenrola, a resistência dos bancos foi velada ou quase inexistente, com a inclusão dos adimplentes, a reação deve ser outra. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sinalizou sua contrariedade por meio do presidente da entidade, Isaac Sidney.

Para Sidney, o Desenrola Adimplentes sofre uma "resistência da indústria bancária", como um todo, e trata-se de um "programa genérico". "A necessidade de reforço de uma garantia e repactuar, de uma forma genérica, dívidas que não têm atraso, é estimular a inadimplência, é fazer com que haja impactos relevantes na racionalidade econômica daquela operação", afirmou.

Em junho, o secretário de Reformas Econômicas, Regis Dudena, rebateu as críticas sobre a medida. Ele ressaltou que a iniciativa serve como um incentivo para a adimplência, e não como estímulo ao atraso: "As pessoas tomaram esse crédito a juros muito altos e estão pagando. Elas precisam receber um alívio neste momento, incentivando-as a permanecer adimplentes".

A nova etapa do Desenrola Adimplentes ocorre às vésperas do início do período de Defeso Eleitoral, quando a legislação proíbe a publicidade de "atos, programas, obras, serviços e campanhas" por órgãos públicos até três meses antes do primeiro turno das eleições — 4 de julho, no próximo sábado.

 


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