
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) manifestou preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre as importações brasileiras. De acordo com a entidade, a medida anunciada no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301, do Trade Act de 1974, traz incertezas para as relações comerciais entre os dois países.
A sobretaxa foi justificada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base em avaliações sobre políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal, medidas consideradas pelos norte-americanos como práticas "injustas" ou "discriminatórias".
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Apesar da aplicação da nova tarifa, a Abimaq destacou que o ato final preservou uma série de exceções. Entre os produtos excluídos da medida estão itens já submetidos às regras da Seção 232, além de aeronaves civis e componentes, produtos farmacêuticos, determinados produtos de madeira, veículos, semicondutores e outros insumos considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos.
Para o setor de máquinas e equipamentos, os Estados Unidos representam o principal destino das exportações brasileiras. A associação ressaltou que a relação comercial entre os dois países é marcada por forte complementaridade industrial e intensa integração produtiva, envolvendo a circulação de máquinas, componentes e bens intermediários utilizados pela própria indústria norte-americana.
Dados apresentados pela entidade indicam que, em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos alcançaram aproximadamente US$ 3,2 bilhões. No mesmo período, as vendas norte-americanas para o Brasil somaram cerca de US$ 4,8 bilhões, evidenciando, segundo a Abimaq, uma relação de interdependência e benefícios mútuos.
Prejuízos
A entidade também destacou que uma parcela significativa desse fluxo comercial ocorre entre empresas de um mesmo grupo econômico, refletindo investimentos produtivos realizados por companhias brasileiras e norte-americanas nos dois mercados. Nesse contexto, a elevação das tarifas pode aumentar custos operacionais, reduzir a competitividade e comprometer novos investimentos, além de afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas em ambos os países.
A Abimaq informou que seguirá acompanhando a implementação da medida, incluindo a regulamentação pelas autoridades aduaneiras norte-americanas e a definição do tratamento aplicável aos diferentes produtos do setor. Paralelamente, destacou que continuará atuando junto às autoridades brasileiras e interlocutores nos Estados Unidos para ampliar as exclusões aplicáveis ao segmento de máquinas e equipamentos e buscar uma solução negociada que preserve a competitividade industrial e a relação econômica entre os dois países.

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