O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, afirmou, nesta sexta-feira (17/7) que empresas e entidades dos Estados Unidos também rejeitam a tarifa adicional de 25% imposta a produtos brasileiros. Segundo ele, a medida é um "absurdo do ponto de vista comercial" e não encontra respaldo nem mesmo entre setores produtivos norte-americanos.
Durante coletiva de imprensa, Müller destacou que a Apex acompanhou todo o processo de discussão da medida em conjunto com entidades brasileiras e americanas. "Não há uma entidade ou uma empresa americana que esteve junto conosco que defenda a tarifa. Pelo contrário, todo mundo trabalhou pela isenção", declarou.
De acordo com o presidente da agência, o tarifaço não prejudica apenas exportadores brasileiros, mas também cria dificuldades para empresas dos Estados Unidos, que dependem de produtos brasileiros para manter suas cadeias produtivas. "Isso mostra que não guarda nenhuma relação lógica comercial e é um absurdo do ponto de vista comercial", afirmou.
Müller citou como exemplo o setor de madeira para construção. Segundo ele, cerca de 30% da madeira importada pelos Estados Unidos vem do Brasil. Com a nova taxação, os custos tendem a ser repassados ao consumidor norte-americano. "Isso é ruim para a empresa do Paraná que trabalha com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos Estados Unidos, é ruim para a construção civil e para quem vai comprar uma casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação", disse.
O presidente da Apex também mencionou o setor de granito, responsável por 36% das importações americanas do produto. Para ele, a dependência dos Estados Unidos em relação ao fornecimento brasileiro torna difícil uma substituição imediata. "É evidente que nenhuma empresa que trabalha com granito nos Estados Unidos está satisfeita com isso", afirmou.
Segundo dados apresentados pela Apex, dos US$ 38 bilhões movimentados anualmente no comércio entre Brasil e Estados Unidos, cerca de US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras foram diretamente impactados pelas novas tarifas.
São Paulo concentra o maior volume afetado, com aproximadamente US$ 3 bilhões, enquanto Santa Catarina tem 68% de suas exportações aos Estados Unidos atingidas pela medida.
Diante do cenário, a Apex informou que continuará atuando junto ao setor privado dos dois países para ampliar a lista de produtos isentos da tarifa. "Nós vamos continuar esse trabalho para aumentar a isenção", afirmou Müller.
Além disso, a agência anunciou que lançará, no início de agosto, um plano de diversificação de mercados, com investimento de R$ 130 milhões em ações desenvolvidas em parceria com 57 entidades setoriais.
Segundo o presidente da Apex, o processo de diversificação já está em andamento. "Setenta e dois por cento das 2.400 empresas que exportam para os Estados Unidos e que são apoiadas pela ApexBrasil já diversificaram mercado", disse.
Apesar dos impactos provocados pelo tarifaço, Müller ressaltou o desempenho recente do comércio exterior brasileiro. De acordo com ele, o Brasil registrou recorde de US$ 185 bilhões em exportações entre janeiro e junho deste ano, impulsionado pelo crescimento das vendas para mercados como Europa, Índia e China.
