
Um estudo divulgado nesta terça-feira (11) revela que a participação estimada do mercado ilegal no setor de apostas on-line caiu no 1º semestre de 2026 em comparação com a pesquisa anterior, divulgada em junho de 2025, passando de 41% a 51% para 38% a 44%.
O levantamento "Dimensionamento e combate do mercado ilegal de apostas no Brasil", realizado pela LCA Consultores constatou que a diferença entre a estimativa otimista e a pessimista das apostas on-line ilegas caiu de 10 pontos percentuais para seis pontos percentuais. O estudo foi feito com base nos dados da pesquisa "Incidência de apostas ilegais no Brasil", do Instituto Locomotiva, a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
De acordo com os pesquisadores, essa redução é resultado da regulamentação e da fiscalização do setor, que está permitindo que os apostadores consigam diferenciar as bets legais das ilegais. Contudo, o Brasil ainda tem um percentual irregular muito acima dos demais países.
"A notícia boa é que estamos conseguindo reduzir o mercado ilegal, mas o estudo não discute se a aposta é boa ou ruim. O fato é que o mercado ilegal ainda é muito grande se comparado com outros países", destacou Eric Brasil, diretor de Regulação e Políticas Públicas da LCA Consultores.
O percentual de bets irregulares no Brasil só não é maior do que o dos Países Baixos, de 51%. Irlanda, Suécia e Reino Unido têm os menores percentuais de bets irregulares, de 3%, 6% e 8%, respectivamente, segundo o estudo. De acordo com Eric Brasil, o setor de apostas regulamentado faturou cerca de R$ 37 bilhões no ano passado.
Regulamentação
Carlos Lima, presidente-executivo do IBJR, destacou que os números do estudo da LCA mostram que a regulamentação e as medidas adotadas pelo governo federal no combate às plataformas ilegais começam a produzir resultados concretos. "A redução observada é um sinal positivo da consolidação do mercado regulado brasileiro. O desafio, agora, é dar continuidade a esse avanço, fortalecendo o combate aos operadores clandestinos e garantindo que a evolução regulatória ocorra com segurança jurídica e previsibilidade, evitando que novas medidas aplicáveis exclusivamente aos operadores autorizados criem assimetrias que tornem o mercado ilegal mais atrativo para os consumidores e acabem direcionando os apostadores para plataformas clandestinas", disse.
A regulamentação do setor de apostas on-line está em vigor desde janeiro de 2025. Dados do Ministério da Fazenda mostram que, no ano passado, as casas de apostas contribuíram com R$ 9,95 bilhões em impostos arrecadados, além de cada plataforma ter recolhido R$ 30 milhões em outorga para os cofres públicos. Segundo o estudo "Panorama do mercado de apostas de quota fixa", as operadoras regulamentadas ainda investiram R$ 7,5 bilhões em capital social, com geração estimada de 15,5 mil empregos diretos e indiretos.

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