Tecnologia

Governo anuncia supercomputador de R$ 1 bi e Nuvem Brasileira para IA

Pacote prevê parceria com empresas chinesas, modelos de IA em português, chips de arquitetura aberta e infraestrutura nacional de dados

O governo federal anunciou, nesta quinta-feira (20/8), uma nova etapa da estratégia brasileira para inteligência artificial, com medidas para ampliar a capacidade nacional de supercomputação, desenvolver modelos de IA e reduzir a dependência de infraestrutura tecnológica estrangeira. As iniciativas foram apresentadas durante a viagem do governo ao Rio Grande do Norte.

As ações integram o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028. O plano tem como objetivos ampliar a capacidade tecnológica do país, formar profissionais e estimular a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial.

Entre as medidas anunciadas está a aquisição, por meio de edital competitivo, de um novo supercomputador voltado à inteligência artificial. O investimento estimado é de cerca de R$ 1 bilhão. A infraestrutura deverá alcançar aproximadamente 7.200 petaflops — o equivalente a 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo — utilizando a métrica FP16.

A estrutura será destinada ao uso de empresas, universidades, instituições científicas e governos para treinamento de modelos, realização de pesquisas e desenvolvimento de aplicações de IA. Segundo o governo, projetos brasileiros que atualmente demandam processamento em larga escala podem depender da contratação de capacidade computacional no exterior.

O pacote também prevê cooperação tecnológica com empresas chinesas para ampliar a capacidade de supercomputação no Brasil, desenvolver modelos de inteligência artificial em língua portuguesa e formar profissionais. Outra frente será a participação brasileira em um esforço internacional para o desenvolvimento de chips com arquitetura aberta RISC-V, com o objetivo de ampliar as possibilidades de inovação tecnológica e reduzir a dependência de arquiteturas proprietárias.

As medidas incluem ainda a estruturação da chamada Nuvem Brasileira, em parceria entre os setores público e privado. A proposta é desenvolver no país infraestrutura e tecnologia para armazenamento e processamento de dados e sistemas, estimular fornecedores nacionais e reduzir a dependência de grandes provedores estrangeiros. Também está prevista a implantação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável.

Na avaliação do governo, a ampliação da infraestrutura computacional deve criar condições para que empresas brasileiras, startups, universidades e centros de pesquisa desenvolvam e treinem modelos de inteligência artificial no país. A expectativa é que o aumento da capacidade instalada também impulsione pesquisas, inovação e o desenvolvimento de novos produtos, serviços e negócios.

As iniciativas preveem ainda aplicações em áreas como saúde, agricultura, previsão climática, prevenção de desastres, indústria e serviços públicos, além da formação e qualificação de profissionais e pesquisadores.

Com o conjunto de medidas, o governo afirma buscar uma mudança na posição do Brasil no setor, para que o país deixe de atuar predominantemente como usuário de tecnologias de inteligência artificial e passe também a desenvolver soluções próprias.


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