
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a inteligência artificial (IA) já exerce influência direta sobre o cotidiano das pessoas, e defendeu que o desenvolvimento da tecnologia deve estar subordinado ao interesse coletivo. A declaração foi dada durante ao programa India Today, publicado ontem. Lula conversou com o veículo indiano como parte de sua visita ao país. Além de um encontro com o primeiro-ministro Narendra Modi, neste sábado, o destaque a viagem do petista foi a participação em uma cúpula internacional sobre IA.
"A inteligência artificial já está presente no cotidiano das pessoas. Ela impacta positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como nos conectamos uns com os outros. Ela tem que estar a serviço disso, do crescimento do país, da melhoria da qualidade dos serviços privados e públicos e, sobretudo, na perspectiva de melhorar as condições de trabalho de toda a humanidade", declarou Lula.
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O presidente defendeu ainda que a tecnologia precisa ser regulada também em escala global, com uma instituição multilateral, citando as Nações Unidas. "Nós não podemos permitir que a inteligência artificial possua um ou dois donos. Quem tem que assumir a inteligência artificial é a sociedade. E é por isso que esse debate, aqui na Índia, foi extremamente importante", afirmou.
Lula encerrou ontem sua agenda ligada à tecnologia no país asiático, e se dedica hoje à visita oficial de Estado. Depois, embarca para a Coreia do Sul, onde tem compromissos a partir de segunda.
Durante a viagem, autoridades nacionais destacaram o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028 como eixo central da política tecnológica nacional.
O plano prevê investimento público de R$ 23 bilhões em quatro anos no setor. Segundo o governo, a estratégia busca posicionar o país como referência global no uso da tecnologia, com foco em inclusão social, soberania digital e desenvolvimento sustentável. A proposta inclui investimentos em formação de profissionais, retenção de talentos, expansão da infraestrutura digital e fortalecimento da autonomia tecnológica.
Maturidade digital
Atualmente, Brasil ocupa a 42ª posição entre 100 países no Índice Global de Maturidade Digital (IGMD), com pontuação de 61,42 em uma escala de 0 a 100 e classificação de nível intermediário avançado. O resultado indica uma base digital relevante, mas ainda distante das economias líderes globais.
O desempenho brasileiro é sustentado principalmente pela inclusão digital. Com nota 70,4, o Brasil registra acesso à internet para 88% da população. A governança digital também tem destaque, com nota 65,4, impulsionada por iniciativas como a plataforma Gov.br e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), considerada uma das legislações mais avançadas do mundo na área. Na infraestrutura digital, o país obteve nota 68,5.
Porém, o relatório aponta fragilidades, principalmente a soberania de dados. Com nota 45,8, é o pior indicador do país. O Brasil não possui produção nacional de chips, depende em 88% de serviços de computação em nuvem estrangeiros, registra poucas patentes em inteligência artificial e apresenta baixa capacidade de defesa cibernética.
Outro fator de preocupação é o capital humano tecnológico, com nota 58,2. O país enfrenta fuga de cérebros estimada em 45% dos talentos da área, escassez de profissionais qualificados e baixa formação em áreas de ciência e tecnologia. A economia digital também permanece limitada, com nota 60,2. O setor representa 9,8% do PIB. Há destaque, porém, para o sistema Pix, amplamente utilizado para pagamentos digitais.
Na comparação internacional, países como Singapura, Suíça, Dinamarca e Estados Unidos lideram o ranking global. O Brasil ocupa posição intermediária, mas mantém liderança regional na América do Sul.

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