Petrolífera

Braskem tem dívida de US$ 9,4 bi, indicam fontes após pedido de recuperação

Apesar de ter registrado lucro bilionário no segundo trimestre, situação da empresa ainda é desafiadora para acionistas

Com mais de duas décadas no mercado petrolífero, a Braskem atravessa a pior fase da empresa desde quando foi criada em 2002, pela fusão de seis empresas da Organização Odebrecht e do Grupo Mariani. Dez dias após informar aos acionistas ter conseguido reverter o prejuízo do primeiro trimestre e lucrar R$ 3,3 bilhões no período seguinte, a companhia entrou com um pedido de recuperação extrajudicial nesta segunda-feira (24/8) para ganhar fôlego com os credores e evitar que a situação da empresa se agrave.

Fontes obtidas pelo Correio indicam que a empresa lida com um prejuízo de US$ 9,4 bilhões (R$ 48,3 bilhões), dos quais cerca de US$ 7 bilhões são referentes a dívidas com bondholders. O termo é utilizado para se referir a investidores que compram títulos de dívida de uma empresa. O grupo teria resistido a uma proposta da Braskem de alongar prazos e obter carência de pagamentos para sanar os débitos, já que um acordo de 60 dias — que venceu ontem — já havia sido firmado anteriormente.

No entanto, com o avanço das negociações, o pedido de recuperação extrajudicial foi aprovado pelos credores e, com os termos já protocolados, a empresa tem 90 dias de proteção. Durante esse período, negociará com os credores um plano de reestruturação final, que deve ser aprovado por maioria simples do grupo.

Em junho, a Braskem passou para o controle da gestora IG4 Capital, conhecida no mercado por assumir o comando de empresas em crise financeira e recuperar os ativos e a saúde dessas companhias. Além disso, a Petrobras assumiu uma presença mais ativa nas decisões da empresa, o que teria contribuído para a aceitação dos termos da recuperação extrajudicial.

Na época, Hélcio Tokeshi assumiu o cargo de CEO da Braskem e afirmou que a chegada da IG4, em parceria com a Petrobras, tinha o objetivo de “superar os desafios”, além de preservar a “relevância estratégica” da companhia para a cadeia química e petroquímica.

“O foco agora é na execução: reorganizar a estrutura financeira, melhorar a eficiência operacional, preservando a liquidez e otimizando a geração de caixa. Será um trabalho em conjunto com a Petrobras e a IG4 e com foco total no desenvolvimento da companhia”, destacou o CEO.

Os novos gestores assumiram uma companhia que ainda passa por intensa volatilidade nas operações, além de enfrentar pressão sobre as margens. Não bastassem os problemas internos da empresa, os controladores também têm de lidar com o aumento da concorrência global no setor, o que fez com que a companhia iniciasse um processo de revisão e fortalecimento da estratégia de longo prazo.

Trimestre positivo

A Braskem divulgou, em 14 de agosto, o balanço operacional da empresa referente ao segundo trimestre. O resultado apontou lucro líquido de R$ 3,33 bilhões no período, revertendo totalmente o prejuízo de R$ 267 milhões registrado nos três primeiros meses de 2026. Já a receita líquida da companhia somou R$ 21,72 bilhões no trimestre, o que representa crescimento de 22% ante o mesmo período do ano anterior.

Apesar de o resultado ter sido positivo para a empresa, analistas acreditam que é difícil apontar para uma recuperação no longo prazo, já que os balanços da Braskem indicam forte oscilação de um período para outro. Na visão do analista Pedro Galdi, da AGF Investimentos, as operações foram favorecidas no trimestre em razão do aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, que foi repassado como margem para as empresas.

Apesar disso, o especialista lembra que o petróleo passa por um ciclo de queda, com o esfriamento das tensões no Oriente Médio, e acredita que o resultado do terceiro trimestre deve ser inferior ao do último balanço. “O resultado foi muito bom, mas o cenário de dívida elevada ainda é complicado”, avalia.

Galdi acredita que o plano para recuperar a Braskem deve ser semelhante ao utilizado no caso da Raízen, que aprovou a recuperação extrajudicial em julho de 2026 para reestruturar uma dívida de cerca de R$ 61,4 bilhões. “Será provavelmente uma troca de dívida por ações”, comenta.

Para o analista, a entrada da Petrobras com mais força pode ser benéfica para recuperar os resultados da empresa, mas pondera que o caminho para o equilíbrio da companhia ainda deve ser longo.

O que é a Braskem

Além do Brasil, a Braskem possui unidades industriais nos Estados Unidos, na Alemanha e no México. A empresa se define como a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. Sua produção é focada nas resinas polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC), além de insumos químicos básicos como eteno, propeno, butadieno, benzeno, tolueno e solventes, entre outros.

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