A partir do próximo dia 15, o Ministério do Turismo (MTur) coloca em prática uma iniciativa para ampliar o turismo cívico a partir de Brasília, o projeto Roteiros da Cidadania e Cultura no Distrito Federal (DF),que promove visitas guiadas para mais de 2 mil estudantes até março de 2027. “Queremos que os nossos estudantes olhem para o patrimônio e sintam que aquela história também possa ser uma ferramenta de educação, cidadania, pertencimento e valorização da nossa história”, afirmou em entrevista exclusiva ao Correio, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. Ele antecipou o lançamento do programa e conta que Brasília foi escolhida pela importância histórica, política e cultural.
Ao fazer um balanço do setor, o ministro destaca o volume recorde de turistas estrangeiros no país registrado em 2025, antecipando em dois anos as metas do Plano Nacional de Turismo (PNT).Apesar disso, conforme dados do Anuário do Turismo Brasileiro, o Brasil ainda tem muito para crescer porque responde apenas a 0,4%do total do faturamento do mercado e turismo global, que movimenta mais de US$ 1,7 trilhão, perfazendo US$ 7,3 bilhões, em 2024, o equivalente a 21,1% da América do Sul.
O ministro demonstrou otimismo em relação à Copa Feminina de Futebol no Brasil, em 2027, com 32seleções internacionais jogando em Brasília e em outras sete capitais. “A Copa Feminina será uma oportunidade extraordinária para posicionar o Brasil como a grande potência do turismo na América do Sul e uma referência mundial na organização de megaeventos”, aposta.
Feliciano disse que busca parcerias estratégicas e, nesse sentido, convite da Embaixada do México, a secretária-executiva do MTur, Fernanda Norat, participa, nesta semana, do 4º Congresso Mundial de Turismo Esportivo, na Cidade do México, "para projetar a imagem do Brasil no exterior e apresentar os nossos preparativos para o Mundial”.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
Brasília será palco de uma das primeiras iniciativas alinhadas a essa nova regulamentação da política de turismo cívico, proposta na portaria assinada pelo senhor em julho. Pode explicar sobre o projeto com 60circuitos? Como esse programa vai funcionar?
O projeto Roteiros da Cidadania e Cultura no DF utiliza o patrimônio arquitetônico e histórico de Brasília como ferramenta de educação cidadã. Ao longo de sete meses, vamos oferecer 60 passeios guiados, abordando desde a nossa arquitetura até a memória dos trabalhadores que ergueram essa cidade, passando por regiões como Planaltina e Ceilândia. Queremos que os nossos estudantes olhem para o patrimônio e sintam que aquela história também possa ser uma ferramenta de educação, cidadania, pertencimento e valorização da nossa história. Vamos beneficiar diretamente 2.050 pessoas divididas em grupos de 35 para garantir que a experiência seja adequada ao perfil de cada público. Teremos estudantes do Ensino Médio, do Educação Jovens e Adultos (EJA), alunos de cursos técnicos e membros de instituições comunitárias, além de uma atenção especial às pessoas com deficiência. Firmamos uma parceria com o Instituto Artetude Cultural e o Instituto Federal de Brasília, responsáveis por selecionar esses primeiros participantes.
Como o projeto foi estruturado e como foi a capacitação dosguias?
Nós dividimos o trabalho em pré-produção, execução e legado. A seleção dos guias foi feita via chamamento público, buscando profissionais com experiência prévia na condução de circuitos cívicos. Na primeira etapa estão a contratação da equipe técnica, a organização logística dos 60 passeios e a seleção das instituições participantes. Na etapa de execução, entre 15 de setembro e 31 de março de 2027,serão realizados os circuitos, todos com mediação educativa, além de seis visitas exclusivas para pessoas com deficiência. Ao final, serão realizados o registro, a sistematização e a avaliação dos resultados, a publicação dos materiais e a elaboração de um relatório final de impacto e legado. A formação dos profissionais foi pensada para ir além da condução turística tradicional. A equipe é preparada para atuar como mediadora da experiência, conectando, de forma pedagógica, os espaços visitados à história, à cultura, ao patrimônio e à formação cidadã.
Há outras cidades em vista ainda neste ano? Quais? Como está o cronograma e qual é a expectativa de alavancagem de turismo no país com essa iniciativa?
Brasília, pela sua importância histórica, política, cultural e arquitetônica, é um ponto departida estratégico. Mas o objetivo é que essa experiência contribua para construir uma política capaz de valorizar o patrimônio e transformar a história e a cultura brasileira em experiências turísticas qualificadas em diferentes regiões do país. A partir da execução dos circuitos, será possível avaliar metodologias, identificar boas práticas e compreender os resultados gerados para, posteriormente, aperfeiçoar e ampliar esse tipo de iniciativa para outros destinos.
O senhor pode fazer um balanço dos últimos quatro anos do governo e do Plano Nacional do Turismo 2024-2027? Quais foram os principais avanços e quais metas serão cumpridas?
O balanço é extremamente positivo. Um dos grandes marcos deste período foi registrado no ano passado, quando alcançamos a marca histórica de 9,2 milhões de turistas internacionais visitando o Brasil. Esse feito mostra que não apenas alcançamos, mas superamos em mais de 1 milhão de visitantes a meta final do plano, de 8,1 milhões de turistas com dois anos de antecedência. Esse recorde beneficia diretamente a população brasileira. O estoque total de empregos formais no setor turístico do país ultrapassou o número de 2,44 milhões de trabalhadores com carteira assinada em julho deste ano, e estamos em uma trajetória acelerada e cada vez mais próximos de cumprir a meta de 3milhões de empregos formais fixada pelo Plano Nacional de Turismo.
Esses dados mostraram que o Brasil registrou recorde na chegada de turistas em 2025,de 9,2 milhões e, neste ano, 5,8 milhões até julho. Quais as perspectivas para o turismo nacional neste ano?
Esses dados demonstram a força do nosso setor e a consolidação do país no cenário turístico global. E o Distrito Federal é um grande símbolo desse fortalecimento. A capital do país também vive uma guinada na atração de viajantes estrangeiros: saltamos de 54 mil turistas internacionais no DF, em 2023, para mais de 111 mil em 2025. O ritmo acelerado continua firme neste ano, superando a marca de 60,1 mil visitantes internacionais registrados na capital até o mês de agosto. Outro dado extremamente positivo vem da receita gerada por esses visitantes em todo o país: os gastos de turistas internacionais no Brasil atingir a cifra de US$ 6,5 bilhões (R$ 33,6 bilhões) de janeiro a julho deste ano. Esse volume mostra que estamos no caminho certo para atingira meta do PNT até 2027, que é de US$ 8,1 bilhões (R$ 41,5 bilhões).Com a aproximação das festas de fim de ano, as perspectivas para o setor se tornam ainda mais otimistas, impulsionadas pelo aumento do fluxo de viagens domésticas e da chegada de estrangeiros ao Brasil. O período de Natal e Ano Novo atua como um grande catalisador da alta temporada, aquecendo intensamente a ocupação hoteleira, o segmento de serviços ligados ao turismo e injetando um expressivo volume de recursos na economia.
A abertura do mercado aéreo para empresas estrangeiras poderia ajudar a aumentar o turismo no país, tanto de brasileiros quanto de estrangeiros? Como o ministério está participando desse debate?
Trabalhamos em permanente diálogo com o Ministério de Portos e Aeroportos e com parlamentares, buscando construir um ambiente de negócios favorável, com segurança jurídica e estímulos para que a conectividade aérea do país siga crescendo de forma sustentável e descentralizada. A integração aérea na América do Sul, inclusive, já apresenta resultados práticos muito expressivos. Recentemente, no Paraguai, participamos da assinatura do acordo de liberalização aérea na região, um passo histórico firmado entre o Brasil e países vizinhos, como Argentina, Chile e o próprio Paraguai. Esse pacto continental abre caminho para a expansão de frequências, facilita operações transfronteiriças e flexibiliza direitos de tráfego aéreo na América do Sul, favorecendo imensamente a circulação de visitantes entre nossas fronteiras. Estamos convencidos de que a combinação de debates legislativos maduros no Brasil com alianças estratégicas e acordos bilaterais na América do Sul posiciona o nosso país em um novo patamar no cenário internacional.
A Copa do Mundo de Futebol Feminino no Brasil, em 2027, pode ajudar a alavancar o turismo no país? Qual é a estratégia do governo para estimular o turismo além dos jogos nas cidades onde haverá disputa das seleções? E qual é a expectativa da pastado impacto desse evento na economia e no setor?
A Copa Feminina será uma oportunidade extraordinária para posicionar o Brasil como a grande potência do turismo na América do Sul e uma referência mundial na organização de mega eventos. A realização do torneio no nosso país vai muito além do esporte: é uma vitrine internacional sem precedentes, que impulsiona a imagem da nossa cultura, das nossas paisagens e da nossa hospitalidade, com uma perspectiva de forte impacto na economia e na injeção de divisas estrangeiras em dezenas de setores produtivos. A nossa meta central é incentivar o torcedor e o visitante internacional a estender em sua permanência e descobrir uma imensa riqueza do ecoturismo, da gastronomia, da história e das praias brasileiras em municípios vizinhos e em destinos do interior do país.
