W3: A AVENIDA DE BRASÍLIA

O som da W3: escolas de dança e música levam harmonia à avenida

Gerações de músicos e de dançarinos compõem a trilha sonora da avenida comercial

Caminhar pelas W3 Sul e Norte significa encontrar uma imensa variedade comercial. São escritórios de contabilidade e de advocacia, oficinas, lojas de eletrodomésticos e materiais de construção. Mas são as escolas de música e academias de dança que compõem, junto ao som do trânsito e ao barulho do comércio, a sinfonia das avenidas.

No mapeamento feito pelo Correio, aparecem X espaços dedicados à dança e à música ao longo das duas avenidas. A Academia de Música Miziara é a mais antiga, inaugurada em 1968. Criada por Dionísio Miziara, hoje ela é administrada pelo professor Luiz Barbosa e atende públicos de todas as idades.

“Eu dou aula para famílias inteiras”, afirma Luiz. “Um pai vem se matricular, depois traz a esposa e os filhos. Daqui a pouco a família inteira está tendo aulas. O perfil dos nossos alunos aqui é esse: querer tocar algum instrumento”, celebra.

Sobre a longevidade do negócio, Luiz tem uma receita própria. “Primeiro, é pôr Deus no comando e, depois, é se dedicar bastante e gostar do que faz”, declara. “Fazer com prazer, por gosto, torna o trabalho leve, e aí as pessoas vão te procurar.” 

A dança também ganha espaço na avenida. Quem sobe ao segundo andar do Bloco B da 510 Sul, seguindo o som de ritmos brasileiros e internacionais que tomam as escadas do prédio, se depara com as aulas da Brito Dança.

Especializada em danças de salão e danças de casal, a escola existe desde 2022 e já preserva uma relação de carinho com a avenida. “É a nossa casa, a gente é muito feliz por estar aqui”, declara Alessandro Veríssimo, fundador da Brito Dança. “Temos clientes de vários pontos do Distrito Federal. Devido ao acesso, é muito fácil de se conectar com outras regiões”.

A janela com vista para uma W3 Sul arborizada é o cartão postal dos alunos, segundo Alessandro. “Na época em que eu ainda estava visitando o local, achei que o barulho dos carros poderia atrapalhar e quase fechei essa janela”, lembra. “Felizmente, não fui por esse caminho. A vista é incrível, principalmente no pôr do Sol.”

Balé brasiliense

Criada em março de 2019, a escola Bailarinas, Por Que Não? (BPN), na 503 Sul, traz a proposta de oferecer aulas exclusivamente ao público adulto. “A aluna que chega aqui vai começar do zero, como qualquer outra. Aluno não tem idade, eu sempre falo”, afirma Cláudia Bengtson, fundadora da escola.

“Eu sempre associei a W3 também às artes, ao teatro. Na minha ideia, ela poderia ser essa rua de passeio, de cafés, de arte, de comércio também. É uma avenida muito nobre e por aqui passam todas as idades, todos os tipos de pessoas”, declara.

Com decoração modernista que homenageia Athos Bulcão, Burle Marx e a herança modernista da cidade, a escola também aposta em ritmos como jazz, samba e dança contemporânea.

Para Cláudia, o ritmo da cidade que passa pela W3 dá o tom dos passos de dança praticados na escola. “Brasília é e sempre será uma cidade inovadora. As pessoas que buscam a BPN têm essa vontade de desenvolver aquilo que está no interior, de tirar para fora o seu potencial, que tem essa ligação com Brasília também”, pontua.

Gerações de bailarinos

Na W3 Norte, a Ballet Etude Seasons se estabeleceu na 703 e já formou gerações de bailarinos em Brasília. Para Maria do Carmo, fundadora da escola, o acesso facilitado da avenida permite que alunos e alunas de todo o Distrito Federal frequentem o espaço.

“Tenho gente de Sobradinho, Planaltina, Guará, Lago Norte, Lago Sul, Jardim Botânico, além de Asa Sul e Asa Norte”, afirma. 

Ao contrário da BPN, na Ballet Etude Seasons o foco é formar os alunos desde a infância. Na sobreloja do prédio, bailarinos e bailarinas de todas as idades praticam os passos de dança sob o olhar atento das instrutoras. Nas paredes, fotografias de espetáculos dos quais os alunos participaram. 

“Nossos espetáculos são montados aqui, os exames que levamos para outros países também são feitos aqui”, explica Maria do Carmo ao mostrar uma aula preparatória para uma entrega de certificado em que as alunas receberam medalhas de ouro e de prata. “Mas eu gosto de levá-las para o palco, eu quero que elas subam lá. É simples? É, mas tem a adrenalina do palco e é importante que as crianças assistam umas às outras”, analisa.

Apesar de se queixar da falta de incentivo cultural do Governo do Distrito Federal e de problemas na estrutura do lugar, a professora afirma que não tem planos de deixar a avenida, que já ficou marcada pelos passos das bailarinas.

“Vou consertando, vou arrumando, vou limpando. A gente vai fazendo o que pode. Aqui tem muita gente que gosta de dança, que é talentosa. O brasileiro em si é um poder na dança”, afirma.

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