Empoderamento

Federação de handebol feminino de praia libera shorts no lugar de biquíni

Com a decisão, atletas poderão escolher o uniforme. Debate sobre sexualização das mulheres no esporte ganhou força na Olimpíada de Tóquio

Izabella Caixeta - Estado de Minas
postado em 15/10/2021 17:41
Seleção feminina de handebol de praia da Noruega lutou pela liberdade de escolha sobre o uniforme das atletas -  (crédito: Reprodução/Twitter)
Seleção feminina de handebol de praia da Noruega lutou pela liberdade de escolha sobre o uniforme das atletas - (crédito: Reprodução/Twitter)

A Federação Internacional de Handebol (IHF) atualizou o regulamento do handebol de praia alterando a regra sobre os uniformes femininos. A partir de 11 de janeiro de 2022, as atletas poderão usar shorts até o meio da coxa em vez de biquíni.

A discussão sobre a sexualização do corpo feminino no esporte ganhou força em julho de 2021, quando as a tletas da seleção norueguesa de handebol foram multadas em 1,5 mil euros (R$ 9,2 mil) pela Federação Europeia de Handebol (EHF, na sigla em inglês) por usar shorts em vez de biquíni no Campeonato Europeu de Handebol de Praia, sob a alegação de ser uma “roupa imprópria”.

Segundo o jornal britânico The Guardian, em agosto, sete associações desportivas da Europa entraram solicitaram que o presidente da IHF, Hassan Moustafa, e da EHF, Michael Wiederer, renunciassem seus cargos devido a acusação de "sexismo flagrante".

Em novembro, os países nórdicos Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia e Finlândia se uniram para pedir a alteração das regras de vestimentas do handebol feminino de praia.

A ministra dos esportes da Dinamarca, Ane Halsboe-Joergensen, declarou que "a alegação está obsoleta e pode-se pensar que pertence a outro século. Tenho dificuldade em ver que razões esportivas deveriam estar por trás das atletas femininas que jogam de biquíni. Enfatizamos a necessidade de ação não apenas para acomodar as atuais atletas do sexo feminino, mas também para apoiar e encorajar todas as atletas, independentemente de seu gênero ou experiência, a permanecer no esporte".

Protesto nos Jogos Olímpicos do Japão


Além do handebol de praia, outros esportes também lutam pela alteração das regras de vestimentas para modalidades femininas. Durante a Olimpíada de Tóquio, a equipe de ginastica olímpica da Alemanha utilizou uniformes que cobriam todo o corpo como forma de protesto contra a sexualização das mulheres na ginástica .

Todas as reivindicações se voltam pelo direito de escolha das atletas por uniformas nos quais se sintam confortáveis e não influenciem em suas performances. Além disso, a possibilidade de utilizar uniformes que cubram mais o corpo permite que mulheres árabes possam participar de competições sem ir contra suas crenças e costumes, expandindo a participação das mulheres no esporte.

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