BRASILEIRÃO

Como o brasiliense Robert Renan foi de miúdo a graúdo no Corinthians

Saiba por que Robert Renan, nascido na Expansão do Setor O, em Ceilândia, virou xodó do técnico Vítor Pereira entre os garotos da base do Corinthians. Campeão sub-20 com a Seleção, o zagueiro de 18 anos foi peça-chave em clássico paulista

Marcos Paulo Lima
postado em 24/06/2022 00:01 / atualizado em 24/06/2022 22:08
O zagueiro brasiliense Robert Renan foi muito elogiado após a vitória do Corinthians contra o Santos -  (crédito: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
O zagueiro brasiliense Robert Renan foi muito elogiado após a vitória do Corinthians contra o Santos - (crédito: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

O técnico Vítor Pereira costuma chamar os jogadores pouco badalados e formados na base do Corinthians de miúdos — garotos na língua portuguesa da terra de Camões. Segundo o lusitano, se não fosse a juventude deles, o elenco farto de trintões como Willian, Renato Augusto, Giuliano, Cássio, Paulinho, Fágner, Júnior Moraes e Fábio Santos estaria brigando para evitar o rebaixamento no Brasileirão.

Entre veteranos e caçulas, Vítor Pereira usou 12 jogadores formados nas categorias inferiores do Corinthians na goleada por 4 x 0 contra o Santos, quarta-feira, na Neo Química Arena, pelo duelo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Um deles nascido no Distrito Federal. Em 22 de outubro de 2020, o Correio Braziliense contou a história de Robert Renan Alves Barbosa. O menino da expansão do Setor O, em Ceilândia, ganhava espaço no Corinthians no Campeonato Brasileiro Sub-17.

Dois anos depois, ele acaba de comemorar o título do Torneio Internacional do Espírito Santo com a Seleção Brasileira sob o comando do técnico Ramón Menezes. Vestiu a camisa 4 na competição. Na Copa do Brasil, acumula milhas com o técnico Vítor Pereira. Havia sido titular em Londrina no empate por 1 x 1 com a Portuguesa-RJ na terceira fase do mata-mata nacional. O sarrafo aumentou na última quarta-feira. Robert Renan saiu do banco de reservas, aos seis minutos do segundo tempo, para substituir o lesionado João Victor no primeiro clássico paulista como jogador profissional.

A atuação segura rendeu elogios de Vítor Pereira. "O Robert, não sei se repararam, logo que entrou no jogo, meteu um passe que é um dos mais difíceis de entrar. Geralmente, lateralizam esse passe, deixam para outra pessoa, mas quando se tem confiança, qualidade, ele faz o que fez. Isto quer dizer algo da confiança dele, da qualidade dele, agora tem que crescer. Mas tem muito potencial, é um jogador, como vários que temos, jovem e vão alçar outros voos, sem dúvida nenhuma. Para mim, vai ser um zagueiro de referência. É rápido, é técnico, tem personalidade", afirmou Vitór Pereira na entrevista coletiva depois do clássico. Um colaborador de Vítor Pereira conta que ele gosta do miúdo porque sabe jogar, arrisca passes e é um zagueiro canhoto que dá lançamentos como camisa 10.

Equilíbrio

Robert Renan não se empolga. "Seguimos em busca dos nossos objetivos e com muita humildade", publicou nas redes sociais.

Parceiro do brasiliense desde a base do Corinthians, Gustavo Mantuan ficou assustado com a frieza do amigo diante do bando de loucos. "Você viu o Robert, né? Ele entrou e parece que nem sentiu o jogo. É um moleque de Seleção, tem muita qualidade."

Dezessete anos mais velho do que Robert Renan, o experiente goleiro Cássio tentou passar experiência ao zagueiro, mas quem disse que precisou? "Eu perguntei para o Robert se ele tinha se sentido bem. Ele estava feliz. Ele é dedicado, trabalha. O Robert tem ido com frequência para a Seleção, é um menino bom, então acho que ele tem a vontade de aprender, se dedica diariamente", observou o capitão.

Trajetória

Em 2020, o Correio contou que Robert Renan é filho do rapper Roberto Barbosa da Silva, 38 anos, do grupo Sobreviventes de Rua, em atividade desde 1997. O zagueiro também aventurou-se nos palcos de Ceilândia quando criança. Mas o encantamento pela bola o hipnotizou. O pai, conhecido no meio musical como Preto Beto, canta a rotina e os desafios dos moradores das periferias urbanas: das mulheres trabalhadoras às crianças que brincam na rua. Ao lado de Henrique EXP e Buda, o grupo de rap usa a cultura como mecanismo de transformação social.

De São Paulo, Preto Beto falou ao Correio sobre a alegria de ver o filho em alta na Seleção Sub-20 e no Corinthians. "Sensação indescritível. Fico muito grato a Deus, aos familiares e amigos que participaram desse processo", emocionou-se. Pai coruja, ele contou como foi a rotina de ontem do filho. "Treinou no período da tarde e está muito feliz", testemunhou.

Robert Renan deixou o DF para morar sozinho aos 13 anos. Evoluiu no Novorizontino e desembarcou no Parque São Jorge em 2019. Fã de Gil, mora com os país no Tatuapé, bairro da Zona Leste de São Paulo. A mãe, dona Renata Alves, largou o emprego em uma loja de acessórios de carro para acompanhar o xodó.

Para o pai, Robert Renan joga por música e mereceu até um rap. "Sabe a área de risco que você falou?/ Eu tava lá dançando na chuva, na beira do abismo/ Profissão perigo, passado virou nosso chão/Enfrentando o medo, futuro nosso da expansão."

 

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