Basquete

NBB: São José bate o Cerrado e tem maior invencibilidade da liga

Com jogo de erros em finalizações e turnovers de ambos lados, equipe paulista vitima os alviverdes na Asceb e consolida a maior sequência positiva da liga na atual edição

Cerrado enfrentando o Corinthians no Ginásio da Asceb, pelo Novo Basquete Brasil (NBB) 2023/2024 -  (crédito: Pedro Henrique dos Santos/Cerrado Basquete)
Cerrado enfrentando o Corinthians no Ginásio da Asceb, pelo Novo Basquete Brasil (NBB) 2023/2024 - (crédito: Pedro Henrique dos Santos/Cerrado Basquete)
postado em 02/12/2023 18:45 / atualizado em 02/12/2023 19:23

O Cerrado foi a vítima da vez da melhor equipe das quadras do Brasil nas últimas seis rodadas. Este é o tamanho da invencibilidade vigente do São José, a maior do Novo Basquete Brasil (NBB) 2023/2024, ampliada pela vitória por 78 x 74, neste sábado (2/12), no Ginásio da Asceb.

A partida foi marcada por altos e baixos na pontuação, justificados pelos bons momentos defensivos e pela baixa acurácia nas finalizações, além dos turnovers. A derrota é a oitava dos brasilienses no campeonato e faz o Brasília voltar à 15ª posição, antes dos cerradistas. A vaga final na zona de playoffs está ameaçada pelo Botafogo, que visita o São Paulo, na segunda-feira (4/12). Os visitantes, por sua vez, ultrapassam o Vasco e tomam o sexto lugar.

1° Quarto: Defesas em dia

A voltagem e velocidade dos instantes iniciais complicava uma leitura dos ataques, com posturas defensivas semelhantes. O bom posicionamento deu uma curta pontuação ao período, sobretudo pelas difíceis circunstâncias de finalização.

Apesar disso, o duelo corria sem tantas faltas, enquanto o relógio corria e se arrastava. Os pecadores ataques, entre turnovers dos paulistas e baixa precisão candanga, encontraram alternativa nos tiros triplos. A solução não surtiu efeitos ao placar, mas os locais fecharam a parcial à frente por 14 x 12.

2° Quarto: Embate desgastante

Furar as defensivas era o desafio de ambas partes. Apesar da curta parcial em 4 x 2 para os visitantes com dois minutos e meio jogados, Régis Marrelli parou o jogo, preocupado com os rebotes em meio à frágil bola tripla dos visitantes, além das perdas de bola recentes que empataram o marcador em 16 unidades.

A pilha de nervos acompanhava a todos em quadra. Erros dos mais simples do esporte eram cometidos. Restando três minutos, nem mesmo a rotatividade satisfez o técnico alviverde, que fez duas mudanças antes de lance livre visitante e parou novamente o jogo. Mais equilibrados os são-joseenses venceram a parcial por 19 x 14 e levaram o confronto ao intervalo com um 31 x 28 a favor.

3° Quarto: Basquete se joga junto

Completamente adverso ao primeiro tempo, os dois times trocaram pontos de forma mais seriada. Os primeiros três minutos tiveram parcial de 10 x 8 para os mandantes. A dinâmica enérgica seguia como regra, exigindo o máximo da resistência até o final.

A pontuação era coletiva durante toda a partida, sem que houvesse um nome sobressalente. Só na segunda metade houve um primeiro atleta a passar de dez pontos: este foi o venezuelano Pedro Chourio. Esta era outra razão pela paridade no confronto, que foi ao dez minutos finais em quatro pontos de diferença a favor dos alviverdes, em um 56 x 52 total.

4º Quarto: Doce começo, amargo final

A constância ofensiva mantinha uma evolução de marcador favorável aos cerradistas. No momento decisivo, fez diferença a participação do ala William Green III: o estadunidense anotou 16 pontos e foi o cestinha local. Na defesa, toda a equipe se valia de um encaixe quase impenetrável (com exposição aos falhos triplos), e uma cravada do principal pontuador em quadra forçou um tempo técnico por Sebastián Figueredo.

Seguido à parada, o marcador ficou paralisado por dois minutos e 55 segundos, até que os visitantes esboçassem uma reação. A partir de então, um 5 x 0 chamou um novo tempo, do lado oposto. A tensão teve figura na presença de garrafão do ex-Brasília Matheus Leal e de Chourio, segundo anotador da equipe, com 16 unidades, atrás dos 19 de Renato.

Com 53 segundos por jogar e apenas um ponto de diferença, os timeouts e as bolas decisivas marcariam a vitória. Primeiro os brasilienses pararam e tiveram um erro inesperado de Green, em uma bandeja que parecia fácil. Depois de cometer a falta e ter novo ataque, o camisa 3 perdeu outro triplo. Os lances livres marcaram a virada de São José, ao final. O Cerrado volta a quadra na próxima quarta-feira (6/12), quando visita o líder do NBB, o Minas, em Belo Horizonte.

Garra não correspondida

Apesar da grande competitividade dos candangos em quadra, um problema ainda persiste. O time segue sem os salários referentes a novembro, com atraso de 17 dias considerando a data de pagamento. Os detalhes nos minutos finais, para termos de partida, fizeram a diferença para o escape da vitória, como destaca o técnico Régis Marrelli.

"São José é uma grande equipe: ganhou de mais de 20 pontos do Flamengo, venceu os três cariocas. A gente teve um momento em que abrimos sete pontos e erramos três, quatro ataques seguidos. Contra esses times não se pode errar. Ficou difícil. Eles puseram um time alto na quadra. O time deles veio para brigar lá em cima, nós viemos para brigar por playoffs. Estão de parabéns e nós também, jogamos de igual para igual", diz o treinador, lamentando o tempo sem pontos na parte final de jogo.

A série de duelos fora de casa será uma das mais complicadas do campeonato, agora tocando as equipes do Distrito Federal na primeira semana cheia de dezembro. "Estamos cheios de pedreiras: além do Minas, tem Franca e Bauru. O Minas está em um grande momento. Ontem (1º/12) ainda bobeou, o Fortaleza quase teve chance de ganhar, mas perderam na prorrogação. São equipes que estão brigando pelo título e vamos ter que jogar muito bem para trazer vitórias, mas basquete é isso. Temos que acreditar, estamos jogando um bom basquete e isso que é legal", ressalta o profissional.

Do outro lado, as comemorações pela suada vitória dos visitantes tem um bom motivo coletivo, como destaca o ala-armador Chourio. "Acho que temos uma química muito boa, tanto dentro como fora de quadra. Isso tem um papel muito importante para que nós tenhamos essa boa sequência na temporada. O jogo de hoje foi bastante duro, o time do Cerrado joga muito intensamente, não se dá por vencido do primeiro ao último minuto e nós mantivemos a cabeça alta, concentrados, para vencer", comenta.

O São José segue em agenda na capital federal, ao enfrentar o Brasília, na segunda-feira (4/12), no Nilson Nelson. Para o venezuelano, a configuração para o compromisso a seguir não deve mudar. "A temporada é muito grande, vamos construindo tudo jogo a jogo. Não sei quanto vai durar a sequência, mas nós iremos buscar a vitória também no jogo contra o Brasília. É seguir jogando bem independentemente de perder ou ganhar, o nosso foco é o nosso basquete, seguir os planos do treinador e dessa maneira seguir vencendo".

*Estagiário sob supervisão de Marcos Paulo Lima

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