BRASILEIRÃO

Em nome da lei, 15 dos 20 clubes da Série A investem em reconhecimento facial

Juntos, eles aplicaram mais de R$ 100 milhões em adaptação tecnológica. Acesso por biometria será obrigatório a partir de junho nos estádios brasileiros com capacidade superior a 20 mil lugares

O Campeonato Brasileiro começa com um investimento maciço em um item de segurança: a tecnologia de reconhecimento facial. Não por livre e espontânea vontade, mas na base da pressão. Pela Lei Geral do Esporte (nº 14.597/2023), o acesso por biometria facial será obrigatório a partir de junho deste ano nos estádios brasileiros com capacidade superior a 20 mil lugares.

A regra mexe no bolso de 15 dos 20 clubes da Série A. Juntos, eles aplicaram mais de R$ 100 milhões em adaptação tecnológica. A operação inclui a montagem das catracas e varia de R$ 4 milhões a
R$ 9 milhões, de acordo com a dimensão de cada arena.

"O reconhecimento facial transformou os estádios brasileiros com segurança, rapidez e comodidade. Nos tornamos referência neste mercado, com acessos que superam os 500 torcedores por minuto em muitos dos jogos dos clubes que atendemos", afirma Tironi Paz Ortiz, CEO e fundador da Imply, ao Correio. A firma atualizou recentemente o acesso à Arena Castelão, em Fortaleza. "Isso comprova o sucesso e excelência de um trabalho com tecnologia 100% brasileira, e que pode servir de exemplo para outras agremiações e arenas pelo mundo", gaba-se.

A tecnologia do Castelão é a mesma implementada em outros seis estádios das séries A e B: Arena Independência (América-MG), Arena MRV (Atlético-MG), Beira-Rio (Internacional), Ilha do Retiro (Sport), Ligga Arena (Athletico) e São Januário (Vasco).

"Entendo que a medida de tornar obrigatório o reconhecimento facial para estádios acima de 20 mil pessoas é extremamente válida. É uma forma eficaz de controle de segurança, porque é possível identificar todas as pessoas que estão ali e evitar que estejam em evento privado pessoas que têm um conflito com a lei e que potencialmente podem causar problemas dentro do estádio", diz o vice-presidente colorado Victor Grunberg.

Em Pernambucano, o Sport atingiu 100% de reconhecimento facial na Ilha do Retiro. É proibido acessar o estádio sem passar pelo aparato e sem apresentar o ingresso pessoal e intransferível. Há 53 pontos de acesso distribuídos em 10 portões do estádio.

"Começamos a introdução da biometria facial de forma experimental em 2023, na Ilha do Retiro. O sistema foi muito bem recebido por nossa torcida. Ela sentiu mais segurança ao entrar no estádio. Nós também, que vimos o cambismo diminuir devido aos ingressos serem ligados ao rosto do comprador e, assim, intransferíveis", testemunha Yuri Romão, presidente do Sport. A adesão dos clubes nordestinos é total. Fortaleza, Ceará, Vitória e Bahia anunciaram a aplicação.

Entre os gigantes, o Palmeiras inaugurou a nova era em 2023, no Allianz Parque, como antídoto aos cambistas. A parafernália é disponível em todos os portões da arena. No Rio de Janeiro, Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo adotam o reconhecimento facial. O Juventude corre para deixar o Alfredo Jaconi 100% informatizado até o fim do primeiro semestre.

Outras novidades

O regulamento da Série A recebeu atualizações. Uma delas promete coibir a cera. Caso um goleiro retarde a reposição da bola por mais de oito segundos, os árbitros concederão escanteio ao time adversário. Anteriormente, estava prevista a marcação de um tiro livre indireto, caso os arqueiros atrasassem a saída em até seis segundos. A nova regra também valerá para o Mundial de Clubes de 2025. A partir desta temporada, haverá o sistema de bolas múltiplas, como o adotado no Paulistão, com 15 posicionadas ao redor do gramado, posicionadas sobre cones. A ideia é diminuir o atraso dos gandulas ou sumiço das pelotas.

 

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