FUTEBOL INTERNACIONAL

Demissão de Xabi Alonso mostra Europa menos paciente com técnicos

Espanhol não resiste à derrota para o Barcelona na final da Supercopa e entra na fila do desemprego no Velho Continente. Juventus está no terceiro treinador em menos de um ano. Na Premier League, cinco dos 20 times já destituíram profissionais

É mentira que não se demite treinadores em clubes de ponta da Europa. Xabi Alonso é a prova viva. Sucessor de Carlo Ancelotti no comando do Real Madrid, o ex-meia pagou caro e com o cargo a derrota por
3 x 2 para o Barcelona na final da Supercopa da Espanha, no domingo. Apesar do aproveitamento de 74,5% em 34 jogos — com 24 vitórias, quatro empates e seis derrotas — teve o vínculo de três temporadas rompido, na segunda-feira (12/1), é mais um profissional com passagem por gigante do Velho Continente na fila do desemprego.

Bicampeã da Champions League em 1985 e 1996, a Juventus está no terceiro treinador em menos de um ano. O ítalo-brasileiro Thiago Motta teve os serviços dispensados em 23 de maio de 2025, após 42 jogos, devido à sequência de resultados ruins. Foi substituído pelo croata Igor Tudor no mesmo dia. Porém, Tudor durou metade das partidas do antecessor e deu lugar a Luciano Spaletti, atual comandante. Hoje, a Juve é terceira colocada do Campeonato Italiano, com 39 pontos, quatro atrás da líder Internazionale, e 17ª do torneio continental a duas rodadas do fim da primeira fase. Ou seja, provavelmente disputará o playoff por vaga às oitavas de final.

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Liga mais badalada do mundo, a Premier League também observa demissões em série. Dos 20 times da elite inglesa, cinco trocaram de treinadores nesta temporada. Nem mesmo o título da primeira edição da Copa do Mundo de Clubes da Fifa e o bom trabalhos com jovens talentos, como Cole Palmer e Estêvão, seguraram o italiano Enzo Maresca no cargo. A principal justificativa é o relacionamento desgastado com a diretoria. Há queixas de influência dos dirigentes e desrespeito à hierarquia. Liam Rosenior, de 41 anos, com passagens por Strasbourg-FRA e outros clubes da Terra do Rei Charles III assumiu.

Em crise de identidade e de bastidores desde a saída de Sir Alex Ferguson em 2013, o Manchester United insistiu com o português Rúben Amorim por 420 dias e 63 jogos até o demitir em 5 de janeiro. O estopim foi uma entrevista após o empate por 1 x 1 com o Leeds United pela 20ª rodada da Premier League na qual criticou Jason Wilcox sobre falta de reforços e o mandou "fazer o trabalho". No Liverpool, Arne Slot admitiu o risco de demissão em meio ao retrospecto de nove derrotas — quatro por três gols de diferença — em 12 partidas, mas resiste.

Considerado o melhor treinador do mundo, Pep Guardiola esteve na Berlinda em 2025 no Manchester City, campeão "apenas" da Supercopa. Ao fim da temporada, reconheceu que com o desempenho de 60% à frente dos citizens seria demitido em Real Madrid ou Barcelona.

O Real Madrid não tolerou diversos pontos com Xabi Alonso. O principal era a falta de identidade de jogo do time. Experimentou diversos esquemas táticos, como 4-4-2, 4-2-3-1, 4-3-3, 3-4-1-2 e 3-5-2. Isso culminou na derrota diante de grandes adversários. Foi goleado pelo Paris Saint-Germain por 4 x 0 nas semifinais da Copa do Mundo de Clubes, levou 5 x 2 do Atlético de Madrid no Campeonato Espanhol, caiu por 2 x 1 diante do Manchester City pela Champions e perdeu a final da Supercopa para o Barcelona, por 3 x 2. O relacionamento ruim com Vinicius Junior também pesou negativamente. O brasileiro não escondia o descontentamento com o técnico, sobretudo quando substituído.

Xabi Alonso tem Bayer Leverkusen de 2024/2025 como principal trabalho. Naquela temporada, quebrou hegemonia de 11 anos do Bayern de Munique no Campeonato Alemão. Por pouco, não faturou também a Liga Europa.

O Real Madrid deu uma de Flamengo na busca por um substituto. Bicampeão da Champions League e do Espanhol pelo clube merengue, o ex-lateral Álvaro Arbeloa herda a prancheta, após experiências nas categorias sub-17, sub-19 e time B dos Galácticos.

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