O Brasília deu um toco na saudade e está de volta à semifinal do Novo Basquete Brasil (NBB), após 10 anos da última aparição. Na base da emoção e da superação, a companhia do Distrito Federal bateu o Flamengo por
72 x 69, ontem, num "sextou" de luxo no Ginásio Nilson Nelson para mais de 12 mil presentes, e enterrou o sonho rubro-negro de virar a série melhor de cinco jogos.
Com a classificação emocionante, o Brasília se credenciou para disputar a semifinal contra o atual tetracampeão Franca. Os paulistas desbancaram o Mogi. O primeiro jogo da série será na segunda-feira, às 20h.
O Brasília terá dois dias para se recuperar física e emocionalmente. Dono de melhor campanha, o Franca inicia a bateria de confrontos em casa. O time do DF chegou a 22 vitórias em casa em 25 jogos na temporada 2025/2026 do NBB.
O cestinha da partida foi o camisa 44 dos rubro-negros, Negrete, com 22 pontos. Do lado do Brasília, quem mais marcou foi Paulichi, com 18 anotados.
A atmosfera na arena deixava claro que não se tratava de um confronto qualquer: era dia de decisão. Assim, no primeiro quarto, os Extraterrestres não sentiram o peso do duelo. No teto do Ginásio Nilson Nelson, a camisa quatro, aposentada, de Arthur, campeão do NBB em 2009/2010, contra o Flamengo, mostrava que existia um caminho possível para vencer os cariocas.
Paulichi ditou o ritmo na primeira parcial, com 10 pontos, e ajudou o Brasília a abrir margem no placar. No primeiro quarto, os Extraterrestres não ficaram atrás no marcador em nenhum momento. O Flamengo estava em baixa e teve apenas 25% de aproveitamento nas tentativas de pontuar. A franquia do DF se aproveitou disso e saiu vencedora dos primeiros dez minutos por 21 x 12.
No segundo quarto, o Brasília seguiu com a atuação de alto nível e, com as duas bolas de três do camisa 9 Pedro, abriu 10 pontos de vantagem. Os Extraterrestres se defendiam bem e, com um show nas arquibancadas, não baixaram o ritmo em nenhum momento. A franquia do DF protegia bem o garrafão e limitou o Flamengo a apenas duas pontuações da região. Os cariocas não se entregavam e a "Nação" cantava, "Vamos virar, Mengo…". As equipes foram para os vestiários com os mandantes à frente por 43 x 34, mas com um gosto de esperança para os visitantes.
No retorno do intervalo, o ritmo ofensivo baixou. Com defesas agressivas e baixo aproveitamento de quadra, ambas as equipes encontraram dificuldades para pontuar. O Brasília sustentou a liderança graças à vantagem construída no primeiro tempo, mas viu o Flamengo cortar a diferença para apenas quatro pontos. Apesar dos erros de lado a lado, os donos da casa seguraram a reação e foram para o último quarto na frente: 57 x 53.
O último quarto não dava brecha a erros, era simples: quem vencesse avançava. É em um jogo cinco em que os verdadeiros protagonistas aparecem. Dessa forma, Kevin Crescenzi cravou bola de três e incendiou a torcida do Brasília nas arquibancadas nos minutos iniciais. O jogo era difícil, e mais uma vez as equipes encontravam muita dificuldade para pontuar. O Flamengo se sobressaía e, pela primeira vez na partida, igualou o marcador.
O jogo ganhou contorno nervoso que o cercava: cada posse de bola era decisiva. Faltando três minutos para o fim da partida, Brunão botou o Brasília na liderança novamente com dois lances livres. Logo depois, Corvalan ampliou a vantagem, e a diferença no marcador era de quatro pontos. Gui respondeu para o Flamengo e cravou arremesso de três, diminuindo a vantagem para um.
Na sequência, a liderança trocou de mãos quatro vezes e, a 46 segundos do fim, o Brasília estava à frente. Von Haydin converteu um lance livre e errou outro. Contudo, Brunão pegou o rebote e entregou a bola para Von Haydin, que sofreu nova falta. Com apenas 12 segundos, os Extraterrestres tinham mais dois lances livres e venciam por dois pontos. O ala marcou um e a diferença virou para três. Os visitantes também sofreram falta e foram para a linha de dois: Negrete errou ambos, mas Wesley pegou o rebote e marcou, a vantagem dos Extraterrestres era de um.
Os rubro-negros fizeram a falta rapidamente. Dessa vez, Corvalan foi para a linha do lance livre e acertou um dos dois. Depois disso, o Brasília fez a falta e o Flamengo errou os dois lances. Na volta Paulichi, acertou um lance livre e botou os Extraterrestres na semifinal após 10 anos.
*Estagiário sob a supervisão
de Victor Parrini
