
Nilson Nelson, 20h30, jogo cinco dos playoffs do Novo Basquete Brasil (NBB). Diante de um novo recorde de público do torneio nacional, o Brasília Basquete deu um toco na saudade e voltou, após longos 10 anos, às semifinais do torneio. Todos os 12.035 olhares nas arquibancadas estavam conectados e a faixa estendida na torcida local dimensionava o peso do momento: "Um time. Uma cidade. Uma paixão". Nenhum dos presentes, no entanto, esperava viver uma noite tão intensa em drama. Nesta sexta-feira (15/5), os extraterrestres bateram o Flamengo, por 72 x 69, em um jogo dramático, e reescreveram a história.
Tricampeã do NBB, a franquia do Distrito Federal estava distante dos holofotes desde a temporada 2015/2016. Ainda sob a nomenclatura de Lobos Brasília, o time local disputou a semifinal naquele ano pela última vez, diante do Bauru, antes de viver um longo hiato com o protagonismo. Incluíndo temporadas de ausência na competição. A reformulação veio aos poucos e encarou campanhas sofríveis até reencontrar o rumo. Agora, os extraterrestres podem, de fato, comemorar o posicionamento entre os quatro melhores do basquete do país.
O próximo adversário do Brasília Basquete será de alto nível e de dificuldade extrema. Na semifinal, a equipe brasiliense medirá forças com o Franca, líder da fase regular do torneio e classificado após despachar o Mogi, também no jogo cinco da série de playoffs. A primeira partida será na segunda-feira (18/5), às 20h, na cidade paulista.
Largada de excelência
A atmosfera do ginásio deixava claro que não se tratava de um confronto qualquer. Era dia de decisão. Mesmo assim, no primeiro quarto, os extraterrestres não sentiram o peso do duelo. No teto do ginásio, a camisa quatro aposentada de Arthur, campeão do NBB em 2009/2010 contra o Flamengo, mostrava que existia um caminho possível para vencer os cariocas.
Paulichi ditou o ritmo na primeira parcial, com 10 pontos, e ajudou o Brasília a abrir margem no placar. No primeiro quarto, os extraterrestres não ficaram atrás no marcador em nenhum momento. O Flamengo estava em baixa e teve apenas 25% de aproveitamento nas tentativas de pontuar. A franquia do DF se aproveitou disso e saiu vencedora dos primeiros 10 minutos por 21 x 12.
No segundo quarto, o Brasília seguiu com a atuação de alto nível e, com as duas bolas de três do camisa nove Pedro, abriu 10 pontos de vantagem. Os extraterrestres se defendiam bem. Com um show nas arquibancadas, não baixaram o ritmo em nenhum momento. A franquia do DF protegia bem o garrafão e limitou o Flamengo a apenas duas pontuações da região. Os cariocas não se entregavam e a nação cantava “vamos virar Mengo…”. As equipes foram para os vestiários com os mandantes à frente por 43 x 34, mas com um gosto de esperança para os visitantes.
Início do drama
No retorno do intervalo, o ritmo ofensivo baixou. Com defesas agressivas e baixo aproveitamento de quadra, as equipes encontraram dificuldades para pontuar. O Brasília sustentou a liderança graças à vantagem construída no primeiro tempo, mas viu o Flamengo cortar a diferença para apenas quatro pontos. Apesar dos erros de lado a lado, os donos da casa seguraram a reação e foram para o último quarto na frente: 57 a 53.
A parcial final não dava brecha a erros. O cenário era simples: quem vencesse avançava. E é em um jogo cinco no qual os verdadeiros protagonistas aparecem. Dessa forma, Kevin Crescenzi cravou bola de três e incendiou a torcida do Brasília nas arquibancadas nos minutos iniciais. O jogo era difícil e, mais uma vez, as equipes encontravam muita dificuldade para pontuar. O Flamengo se sobressaia e, pela primeira vez na partida, igualou o marcador.
Segundos eternos
A partir desse momento, o jogo tomou o carácter decisivo que o cercava. Cada posse de bola era decisiva. Faltando três minutos para o fim da partida, Brunão botou o Brasília na liderança novamente, com dois lances livres. Logo depois, Corvalan ampliou a vantagem e a diferença no marcador era de quatro pontos. Gui respondeu para o Flamengo e cravou arremesso de três, diminuindo a vantagem em apenas um.
Após isso, ocorreram quatro trocas de liderança no placar. Faltando 46 segundos para o fim da partida, o Brasília estava à frente. Von Haydin converteu um lance livre e errou outro. Contudo, Brunão pegou o rebote e entregou a bola para Von Haydin, que sofreu nova falta. Com apenas 12 segundos, os extraterrestres ficaram com três de diferença. Os visitantes também sofreram falta e foram para a linha dos dois pontos. Negrete errou os dois, mas Wesley pegou o rebote e marcou, a vantagem dos extraterrestres era de apenas um.
Os rubro-negros fizeram a falta rapidamente. Dessa vez, Corvalan foi para a linha do lance livre e acertou um dos dois. Depois disso, o Brasília fez a falta e o Flamengo errou os dois lances. Na volta Paulichi acertou um lance livre, e botou os extraterrestres na semifinal após 10 anos.
*Estagiário sob a supervisão de Danilo Queiroz

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