Copa do Mundo
Em meio a polêmicas com Trump, 40% da seleção dos EUA é filho de imigrantes
Alheio a vetos de vistos, pelo menos nove jogadores norte-americanos na Copa têm ascendência direta africana e latino-americana
Copa do Mundo
Alheio a vetos de vistos, pelo menos nove jogadores norte-americanos na Copa têm ascendência direta africana e latino-americana
Um dos principais assuntos às vésperas da Copa do Mundo de 2026 foi a rígida política de vistos dos Estados Unidos, que é a sede que receberá mais jogos da competição. Vetos, restrições à delegação do Irã e extradições tomaram o noticiário recente e evitaram que torcedores e até um árbitro escalado pela Fifa pisassem no país. Mas a própria seleção norte-americana é um exemplo de que imigrantes africanos e latino-americanos fazem parte da base da construção do esporte.
Afinal, ao menos nove jogadores entre os 26 da lista final do técnico Mauricio Pochettino (cerca de 40%) têm pais que não nasceram nos Estados Unidos. Alguns deles, inclusive, visitam sua terra-natal com frequência. Como é o caso, aliás, do atacante Ricardo Pepi, do PSV-HOL, originário de Juarez, fronteira mexicana com o Texas. Já outros, como Tim Weah, têm o futebol no DNA, já que seu pai, George, saiu da Libéria para virar atacante do Milan e ser eleito o melhor jogador do mundo em 1995.
E há o caso de Alejandro Zendejas, que é mexicano e, apesar de ter passado pelas categorias de base da MLS, chegou a aceitar uma convocação de seu país de origem na preparação para as Olimpíadas de Tóquio. Com isso, causou polêmica, e a discussão foi parar na Fifa. Com o histórico nos EUA, Zendejas decidiu se naturalizar, abrindo mão do México e passou a defender o novo país. No entanto, joga pelo América-MEX desde 2022.
Tyler Adams (Bournemouth-ING) – origem africana desconhecida
Tim Weah (Olympique de Marselha-FRA) – pai nascido na Libéria
Folarin Balogun (Monaco-FRA) – pais nigerianos que emigraram para o Reino Unido e, depois, Estados Unidos
Haji Wright (Coventry City-ING) – pai de Gana e mãe da Libéria
Mark McKenzie (Toulouse-FRA) – família oriunda da Jamaica
Sergiño Dest (PSV-HOL) – pai do Suriname, que emigrou criança pros EUA e foi militar
Cristian Roldan (Seattle Sounders-EUA) – pai da Guatemala e mãe de El Salvador
Alex Zendejas (América-MEX) – nasceu no México e se naturalizou
Ricardo Pepi (PSV-HOL) – pais mexicanos
Os atletas não fazem críticas públicas ao tratamento do Governo aos casos dos vistos. Porém, alguns deles já se manifestaram quanto as questões raciais, como o meio-campista Weston McKennie, da Juventus-ITA, que participou ativamente do movimento "Black Lives Matter", em 2020, após o assassinato de George Floyd pela polícia, por asfixiamento, em uma rua de Minneapolis, no Estado de Minnesota.
"Em Dallas, minha cidade, tenho medo de dirigir à noite, só porque não sei o que acontecerá se eu for parado. Eu represento um país que possivelmente nem me aceita só pela cor da minha pele. É doloroso (…). Pessoas falam que não devo fazer declarações públicas, mas não vou me calar e só driblar", disse, à época.
O jornal The Washington Post já associou o tema da imigração ao "soccer" em algumas ocasiões, reforçando que, cada vez mais, o futebol deixa de ser um esporte apenas de homens brancos, e 100% nativos americanos. Dessa forma, se aproxima da miscigenação que o basquete, por exemplo, sempre garantiu.
"Não é segredo que afro-americanos são mais próximos ao basquete, futebol americano, beisebol ou outros esportes. Era raro ver uma criança afro-americana jogando futebol. Agora, é incrível como muitas parecem dizer ‘acho que esse é um esporte que eu posso me apaixonar'", publicou Steven Goff, colunista do NYT.