Brasil

Endrick vira sensação na Copa e ganha apoio da torcida

Coro dos torcedores por mais tempo ao atacante ganha força justamente quando se abre vaga no ataque

 Aos 19 anos, brasiliense Endrick entrou na história como um dos mais jovens a vestir a camisa da Seleção Brasileira em Copas do Mundo between Brazil and Haiti at the Philadelphia Stadium in Philadelphia on June 19, 2026.  (Photo by Jewel SAMAD / AFP)
     -  (crédito:  AFP)
Aos 19 anos, brasiliense Endrick entrou na história como um dos mais jovens a vestir a camisa da Seleção Brasileira em Copas do Mundo between Brazil and Haiti at the Philadelphia Stadium in Philadelphia on June 19, 2026. (Photo by Jewel SAMAD / AFP) - (crédito: AFP)

Nova Jersey — Em tempos de debates fervorosos sobre Neymar, um jogador parece escapar de qualquer divergência. Aos 19 anos, Endrick Felipe Moreira de Sousa ainda espera a primeira oportunidade como titular na Copa do Mundo, mas conquistou algo raro no futebol brasileiro: a unanimidade. Na vitória por 3 x 0 sobre o Haiti, na Filadélfia, milhares de torcedores transformaram o nome do atacante em canto de arquibancada e pressionaram Carlo Ancelotti a colocá-lo em campo contra o Haiti.

O pedido foi atendido aos 19 minutos do segundo tempo. O coro de "Endrick, Endrick, Endrick..." ecoava das arquibancadas do Lincoln Financial Field quando Carlo Ancelotti decidiu chamar o atacante. Como tem acontecido nos jogos grandes da temporada, o garoto parecia iluminado. Bastaram poucos minutos para balançar as redes em uma jogada construída pela dupla sub-20 com Rayan. Lançado pela direita, bateu rasteiro entre as pernas do goleiro. O gol só não valeu porque a arbitragem flagrou posição irregular. A explosão da torcida, porém, foi real e escancarou a "Endrickmania".

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"Fico muito feliz e agradecido. Estão acontecendo coisas extraordinárias na minha vida. Fiz um gol que acabou anulado, pude ajudar a equipe em diferentes funções e realizei o sonho de disputar uma Copa do Mundo. São coisas extraordinárias acontecendo na minha vida", celebrou na zona mista.

A entrada em campo também garantiu a Endrick um lugar na história. O atacante se tornou o sétimo jogador mais jovem a vestir a camisa da Seleção Brasileira em Copas do Mundo. A lista é liderada por Pelé, lançado no torneio aos 17 anos, sete meses e 23 dias, e reúne nomes como Carvalho Leite, Marco Antônio, Tostão, Mazzola e, mais recentemente, Rayan.

Carlo Ancelotti foi o primeiro treinador de Endrick no futebol europeu. Embora não tenha sido titular frequente sob o comando do italiano no Real Madrid, o atacante construiu uma relação próxima com o técnico e acredita que o período na Espanha ajuda a explicar a confiança recebida também na Seleção Brasileira.

"Passei um ano com ele no Real Madrid. Independentemente de ter jogado cinco, 10 ou 15 minutos, pude aprender muito e estar perto dele. Ele sabe o que eu faço quando entro em campo. Dou a minha vida pela equipe, e aqui na Seleção não é diferente", afirmou.

Nos bastidores, os relatos são de que Endrick tem se destacado nos treinamentos e impressionado companheiros e integrantes da comissão técnica. A intensidade, a capacidade de finalização e a entrega física ajudam a explicar a crescente pressão popular por mais minutos ao atacante na Copa do Mundo.

Com a estreia diante do Haiti, o brasiliense também se livrou de uma comparação inevitável. Convocado aos 17 anos para a campanha do tetra nos Estados Unidos, Ronaldo não entrou em campo em nenhuma das sete partidas sob o comando de Carlos Alberto Parreira. O treinador entendia que utilizar o jovem ao lado de Romário e Bebeto comprometeria o equilíbrio da equipe. Trinta e dois anos depois, Endrick já pode dizer que teve a oportunidade que o Fenômeno precisou esperar até 1998 para receber.

Com a confirmação da lesão muscular de Raphinha, abriu-se uma vaga no ataque brasileiro pelo lado direito. É justamente o setor em que Endrick e Rayan se sentem mais confortáveis. Luiz Henrique também aparece como opção para Carlo Ancelotti. Caso escolha o brasiliense, o treinador poderá recolocá-lo em uma lista raríssima da história da Seleção. O último jogador com menos de 20 anos a iniciar uma partida de Copa do Mundo pelo Brasil foi o lateral-esquerdo Marco Antônio, no México, em 1970. Em quase seis décadas, nenhum outro abaixo dessa faixa etária recebeu essa oportunidade.

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postado em 21/06/2026 05:01
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