Brasil

Neymar é único remanescente do último jogo do Brasil contra Escócia

Único remanescente do duelo anterior contra a Escócia, Neymar resolveu amistoso com dois gols

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Victor Parrini — Enviado especial
23/06/2026 00:01 - Atualizado em 23/06/2026 10:32
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 Brazil's Neymar celebrates scoring his goal against Scotland during their International friendly football match at the Emirates Stadium in London, on March 27, 2011 . AFP PHOTO/IAN KINGTON

      Caption  -  (crédito:  AFP)
Brazil's Neymar celebrates scoring his goal against Scotland during their International friendly football match at the Emirates Stadium in London, on March 27, 2011 . AFP PHOTO/IAN KINGTON Caption - (crédito: AFP)

Nova Jersey — Vinte e sete de março de 2011. Emirates Stadium, a casa do Arsenal em Londres. Era o terceiro jogo de um jovem chamado Neymar da Silva Santos Júnior com a camisa da Seleção principal. Longe de ser o camisa 10, vestia a 11 sob o comando do técnico Mano Menezes no início do ciclo verde-amarelo para a Copa do Mundo de 2014.

O menino da Vila, de 19 anos, comportou-se como veterano no amistoso contra a Escócia, no último duelo do Brasil contra o adversário de amanhã, no Hard Rock Stadium, em Miami, pela terceira rodada do Grupo C da Copa do Mundo. Foi o nome do jogo. Quinze anos depois, é o único remanescente entre os jogadores utilizados por Mano Menezes. O último dos moicanos — referência ao corte de cabelo exibido naquela tarde em Londres.

Neymar balançou a rede duas vezes. No primeiro gol, recebeu passe de André Santos e finalizou de perna direita com a precisão de quem encaixa uma bola de sinuca no canto esquerdo. No segundo, driblou dentro da área, sofreu pênalti e converteu com muita frieza.

A partida foi marcada por um ato de injúria racial. Torcedores atiraram cascas de banana no gramado enquanto Neymar ajeitava a bola para bater a penalidade máxima. O atacante desabafou depois da partida: "Eram muitas vaias, até na hora de bater o pênalti estava o estádio inteiro vaiando. Esse clima do racismo é totalmente triste. A gente sai do nosso país, vem jogar aqui e acontece isso. É triste, prefiro nem tocar no assunto, para não virar uma bola de neve", desabafou Neymar depois da partida na capital inglesa.

Capitão do time naquele dia, o ex-volante Lucas Leiva tirou as cascas de banana do gramado do Emirates Stadium e contra-atacou: "O racismo no mundo não tem mais espaço. Na Europa, que dizem ser o primeiro mundo, é onde acontece mais. Tem que mudar isso, hoje todo mundo é igual, e é uma questão de respeito", disse.

A partida também ficou marcada pelo reconhecimento do ex-zagueiro do Manchester United e da seleção da Inglaterra Rio Ferndinand ao talento de Neymar. "O garoto é legal. Parece um Cristiano Ronaldo jovem, ousado, showman. Muito ritmo e habilidade", elogiou.

Neymar tinha 19 anos, mas falava com a marra de quem estava chegando para virar o dono da Seleção. "Desde a primeira vez que eu fui convocado, eu fui com o pensamento de fazer história na Seleção do meu país", avisou. Maior artilheiro da história da equipe reconhecido pela Fifa, com 79 gols, o atacante usou os dois gols contra a Escócia para iniciar uma trajetória que o levaria anos depois a superar Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé (77).

Reforço

Neymar não inicia um jogo do Brasil no banco há sete anos. A última vez foi justamente nos Estados Unidos. Tite decidiu poupá-lo no início do amistoso contra o Peru, no Los Angeles Memorial Coliseum, mas decidiu colocá-lo em campo no lugar de Roberto Firmino depois que os adversários marcaram 1 x 0, com gol de Luis Abram, e não evitou a derrota. Naquela época, o camisa 10 se recuperava da cirurgia no tornozelo que o tirou da Copa América.

Internamente, a expectativa é cada vez maior pela estreia de Neymar na Copa de 2026. Ele não joga pela Seleção desde a grave contusão contra o Uruguai, em Montevidéu, no começo das Eliminatórias. São 980 dias sem tê-lo dentro das quatro linhas com a Amarelinha.

"Quanto ao Neymar, é chover no molhado. Claro que a gente precisa lidar com realidade e não questões hipotéticas. A gente espera que ele esteja bem fisicamente, que ele consiga se recuperar e dê a contribuição, como ele sempre fez, seja com 10, 15, 20 minutos ou meia hora. A qualidade dele já foi provada por onde passou todo o tempo", elogiou o zagueiro e lateral-direito Danilo na entrevista coletiva da semana passada.

Danilo usou o parceiro de Flamengo Varela como exemplo de como Neymar preocupa os adversários. "Converso muitas vezes com outros jogadores como, por exemplo, Guillermo Varela, meu companheiro (no Flamengo). Muitas vezes, falamos dos adversários, dos jogadores que enfrentamos. E sempre chegamos à conclusão de que, se você tem um jogador como o Neymar, que joga pelo seu lado do campo, gera muito mais tensão, muito mais atenção, e aí é preciso sempre pedir ajuda", recomenda o jogador de 34 anos.

"Se um jogador como o Neymar precisar de dois ou três (marcadores), alguém da nossa equipe ficará sozinho. E isso poderá nos ajudar muito; é um jogador que, só por estar em campo, pode atrapalhar tudo o que preparou o adversário para neutralizar nossas forças", pondera Danilo, apoiado pelos discursos do meia Lucas Paquetá.

"Estamos todos felizes com a volta dele, de voltar a treinar e de estar em campo com todos nós. É um cara importantíssimo para a nossa Seleção, tem uma história linda aqui e ainda pode nos ajudar muito. É muito importante, assim como todos os jogadores do elenco. Estamos felizes por ele, pela volta dele, e esperamos que ele possa estar em campo o quanto antes nos ajudando", disse o meia.