GRUPO C
Após 980 dias, Neymar estreia na Copa do Mundo contra Escócia
Enquanto Messi, Mbappé, Halland e outros protagonistas encantam, Neymar só quer voltar a jogar pela Seleção após 980 dias para iniciar a última jornada em Copas
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Enquanto Messi, Mbappé, Halland e outros protagonistas encantam, Neymar só quer voltar a jogar pela Seleção após 980 dias para iniciar a última jornada em Copas

Nova Jersey — Lionel Messi regeu a Argentina com todos os cinco gols da equipe em dois jogos. Kylian Mbappé persegue o ex-companheiro de Paris Saint-Germain após marcar quatro dos seis da França até aqui. Jamal Musiala conduz a campanha invicta da Alemanha. Lamine Yamal desencantou pela Espanha. Jude Bellingham abastece Kane e também tira casquinha pela Inglaterra. Memphis Depay distribuiu assistência pela Holanda. Os principais camisas 10 da Copa do Mundo deram o ar da graça. Falta Neymar. Após 980 dias sem atuar pela Seleção Brasileira, o 10 canarinho deve ganhar os primeiros minutos no torneio, hoje, a partir das 19h, contra a Escócia, em Miami (EUA).
A reestreia, porém, tende a ser gradual. Carlo Ancelotti não pretende lançar Neymar entre os titulares em uma partida que vale a liderança do Grupo C e pode influenciar diretamente o caminho do Brasil nas fases de mata-mata. A Escócia mostrou contra Marrocos que sabe defender em bloco baixo, competir fisicamente e transformar cada disputa em uma batalha. Não parece o cenário ideal para um jogador fora de combate desde 17 de maio, quando o Santos foi derrotado por 3 x 0 pelo Coritiba, em São Paulo, e o craque se lesionou.
O contexto ajuda a explicar a cautela. Desde a chegada à Seleção, Ancelotti tem repetido que pretende administrar a carga física dos principais jogadores e evitar riscos desnecessários em uma temporada marcada por lesões. Neymar se encaixa perfeitamente nessa lógica. Mais do que ganhar um jogo de fase de grupos, o plano é ter o camisa 10 disponível para as partidas que realmente definirão o destino brasileiro na Copa do Mundo.
Por isso, a tendência é de uma entrada controlada no segundo tempo. Se o roteiro colaborar, Neymar terá os primeiros minutos da quarta Copa da carreira sem a obrigação de resolver um duelo que está longe de ser fácil na caminhada pelo hexa. A missão inicial é mais simples: voltar a sentir o clima do torneio.
A versão atual de Neymar também difere daquela que o transformou no maior artilheiro da história da Seleção nas contas da Fifa, com 79 gols em 128 partidas. No Santos, deixou de atuar como o ponta de dribles em sequência e arrancadas curtas para jogar mais próximo da área. Continua buscando o lado esquerdo do campo para participar da construção, mas passou a controlar mais o ritmo das ações. Os passes e lançamentos seguem precisos, talvez a principal herança preservada do auge técnico, enquanto o repertório se adapta a um corpo cada vez mais castigado pelas lesões.
A mudança ajuda a explicar por que esta Copa é diferente das anteriores. Em 2014, Neymar desembarcou no Mundial como principal esperança do país e teve a trajetória interrompida pela lesão sofrida contra a Colômbia. Em 2018, voltou cercado de expectativa após a cirurgia no pé direito, mas não conseguiu conduzir a Seleção além das quartas de final. No Catar, em 2022, esteve novamente perto. Marcou na prorrogação contra a Croácia o gol que parecia colocar o Brasil na semifinal, mas viu a classificação escapar nos minutos finais antes da eliminação nos pênaltis.
Nas ausências do camisa 10, a Seleção aprendeu a viver sem ele. Vinicius Junior assumiu o protagonismo ofensivo, Raphinha ganhou espaço e uma nova geração amadureceu. O desafio de Carlo Ancelotti passa justamente por esse equilíbrio: reintegrar o jogador mais talentoso da geração sem desmontar uma estrutura que encontrou outros caminhos para competir. Talvez, por isso, Neymar inicie a Copa no banco. Pela primeira vez em um Mundial, ele não chega como unanimidade.