Copa do Mundo 2026

Brasil vence o Haiti, mas defesa ainda deixa dúvidas na Copa

Mesmo com 3 x 0 e novo jogo sem sofrer gol, Seleção volta a depender de Alisson e ainda mostra falhas de coordenação defensiva

Nova Jersey — Há placares enganosos na Copa do Mundo. Seis dias atrás, a Espanha teve 74% de posse de bola contra Cabo Verde, trocou mais de 800 passes, finalizou 27 vezes e não saiu do zero no empate com os estreantes no torneio. Na noite da última sexta-feira, na Filadélfia, o Brasil cumpriu a obrigação ao vencer o Haiti por 3 x 0. Voltou a sair ileso após seis partidas consecutivas sendo vazado, mas isso está longe de significar que os problemas defensivos foram resolvidos.

Se não fosse o Alisson, a Seleção Brasileira poderia ter levado o empate. Sim, o goleiro titular do Brasil pela terceira Copa do Mundo consecutiva precisou fazer três intervenções importantes para preservar a vantagem construída por Matheus Cunha e Vinicius Júnior ainda no primeiro tempo. Com o resultado encaminhado, a equipe reduziu a intensidade, baixou as linhas e convidou o Haiti a jogar. O adversário aceitou o convite e encontrou espaços que poderiam ter custado caro.

A boa notícia para Carlo Ancelotti é que a estrutura defensiva parece cada vez mais definida. Marquinhos e Gabriel Magalhães formam uma dupla consolidada na zaga, enquanto Danilo ganha força na disputa pela lateral direita pela capacidade de iniciar jogadas e oferecer equilíbrio. Pela esquerda, Douglas Santos fez uma partida segura e recebeu liberdade para apoiar o ataque. O retorno ao 4-2-4 também trouxe ajustes importantes ao sistema de proteção.

Contra o Marrocos, Casemiro apareceu muitas vezes distante da área e deixou a equipe exposta. Diante do Haiti, Ancelotti corrigiu a rota. O volante passou a recuar entre os zagueiros em diversos momentos, transformando a saída de bola em uma linha de três defensores e, em determinadas fases da partida, em um bloco de cinco homens à frente de Alisson.

A mudança trouxe mais estabilidade, mas não eliminou os problemas. O Brasil continuou vulnerável em alguns momentos de transição e voltou a depender do goleiro. A explicação passa menos pelo posicionamento da linha defensiva e mais pelo comportamento coletivo. A equipe alternou momentos de pressão e de espera, nem sempre com a coordenação necessária entre os setores. Quando os atacantes deixavam de pressionar a saída haitiana, surgiam espaços entre o meio-campo e a defesa. Foram sinais positivos, mas ainda insuficientes para decretar que a questão defensiva está resolvida.

Ancelotti reconheceu a perda de intensidade da equipe após o intervalo, mas tratou o cenário como consequência natural do contexto do torneio. Com a Escócia no horizonte, na quarta-feira em Miami, e o desgaste acumulado pela sequência de jogos, o treinador optou por administrar a vantagem.

"Eles chegaram bastante porque mudaram um pouco o sistema e passaram a criar mais em comparação com o primeiro tempo. Também tivemos oportunidades de contra-ataque, marcamos um gol com Endrick, acertamos a trave com Martinelli. Poderíamos ter jogado melhor, com mais intensidade, mas este é um momento da Copa em que também precisamos pensar nos próximos jogos", justificou.

A resposta definitiva sobre a evolução defensiva brasileira virá na quarta-feira. O Haiti chegou à Filadélfia sem marcar gols na Copa do Mundo e terminou a partida da mesma forma. A Escócia representa um desafio mais exigente. Os britânicos venceram os haitianos por 1 x 0 e criaram dificuldades ao Marrocos na derrota pelo mesmo placar. Será um termômetro mais confiável para medir se o Brasil realmente corrigiu os problemas defensivos ou apenas os escondeu sob um placar confortável. (VP)

Mais Lidas