Nova Jersey — Vinte e sete de março de 2011. Emirates Stadium, a casa do Arsenal em Londres. Era o terceiro jogo de um jovem chamado Neymar da Silva Santos Júnior com a camisa da Seleção principal. Longe de ser o camisa 10, vestia a 11 sob o comando do técnico Mano Menezes no início do ciclo verde-amarelo para a Copa do Mundo de 2014.
O menino da Vila, de 19 anos, comportou-se como veterano no amistoso contra a Escócia, no último duelo do Brasil contra o adversário de amanhã, no Hard Rock Stadium, em Miami, pela terceira rodada do Grupo C da Copa do Mundo. Foi o nome do jogo. Quinze anos depois, é o único remanescente entre os jogadores utilizados por Mano Menezes. O último dos moicanos — referência ao corte de cabelo exibido naquela tarde em Londres.
Neymar balançou a rede duas vezes. No primeiro gol, recebeu passe de André Santos e finalizou de perna direita com a precisão de quem encaixa uma bola de sinuca no canto esquerdo. No segundo, driblou dentro da área, sofreu pênalti e converteu com muita frieza.
A partida foi marcada por um ato de injúria racial. Torcedores atiraram cascas de banana no gramado enquanto Neymar ajeitava a bola para bater a penalidade máxima. O atacante desabafou depois da partida: "Eram muitas vaias, até na hora de bater o pênalti estava o estádio inteiro vaiando. Esse clima do racismo é totalmente triste. A gente sai do nosso país, vem jogar aqui e acontece isso. É triste, prefiro nem tocar no assunto, para não virar uma bola de neve", desabafou Neymar depois da partida na capital inglesa.
Capitão do time naquele dia, o ex-volante Lucas Leiva tirou as cascas de banana do gramado do Emirates Stadium e contra-atacou: "O racismo no mundo não tem mais espaço. Na Europa, que dizem ser o primeiro mundo, é onde acontece mais. Tem que mudar isso, hoje todo mundo é igual, e é uma questão de respeito", disse.
A partida também ficou marcada pelo reconhecimento do ex-zagueiro do Manchester United e da seleção da Inglaterra Rio Ferndinand ao talento de Neymar. "O garoto é legal. Parece um Cristiano Ronaldo jovem, ousado, showman. Muito ritmo e habilidade", elogiou.
Neymar tinha 19 anos, mas falava com a marra de quem estava chegando para virar o dono da Seleção. "Desde a primeira vez que eu fui convocado, eu fui com o pensamento de fazer história na Seleção do meu país", avisou. Maior artilheiro da história da equipe reconhecido pela Fifa, com 79 gols, o atacante usou os dois gols contra a Escócia para iniciar uma trajetória que o levaria anos depois a superar Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé (77).
Reforço
Neymar não inicia um jogo do Brasil no banco há sete anos. A última vez foi justamente nos Estados Unidos. Tite decidiu poupá-lo no início do amistoso contra o Peru, no Los Angeles Memorial Coliseum, mas decidiu colocá-lo em campo no lugar de Roberto Firmino depois que os adversários marcaram 1 x 0, com gol de Luis Abram, e não evitou a derrota. Naquela época, o camisa 10 se recuperava da cirurgia no tornozelo que o tirou da Copa América.
Internamente, a expectativa é cada vez maior pela estreia de Neymar na Copa de 2026. Ele não joga pela Seleção desde a grave contusão contra o Uruguai, em Montevidéu, no começo das Eliminatórias. São 980 dias sem tê-lo dentro das quatro linhas com a Amarelinha.
"Quanto ao Neymar, é chover no molhado. Claro que a gente precisa lidar com realidade e não questões hipotéticas. A gente espera que ele esteja bem fisicamente, que ele consiga se recuperar e dê a contribuição, como ele sempre fez, seja com 10, 15, 20 minutos ou meia hora. A qualidade dele já foi provada por onde passou todo o tempo", elogiou o zagueiro e lateral-direito Danilo na entrevista coletiva da semana passada.
Danilo usou o parceiro de Flamengo Varela como exemplo de como Neymar preocupa os adversários. "Converso muitas vezes com outros jogadores como, por exemplo, Guillermo Varela, meu companheiro (no Flamengo). Muitas vezes, falamos dos adversários, dos jogadores que enfrentamos. E sempre chegamos à conclusão de que, se você tem um jogador como o Neymar, que joga pelo seu lado do campo, gera muito mais tensão, muito mais atenção, e aí é preciso sempre pedir ajuda", recomenda o jogador de 34 anos.
"Se um jogador como o Neymar precisar de dois ou três (marcadores), alguém da nossa equipe ficará sozinho. E isso poderá nos ajudar muito; é um jogador que, só por estar em campo, pode atrapalhar tudo o que preparou o adversário para neutralizar nossas forças", pondera Danilo, apoiado pelos discursos do meia Lucas Paquetá.
"Estamos todos felizes com a volta dele, de voltar a treinar e de estar em campo com todos nós. É um cara importantíssimo para a nossa Seleção, tem uma história linda aqui e ainda pode nos ajudar muito. É muito importante, assim como todos os jogadores do elenco. Estamos felizes por ele, pela volta dele, e esperamos que ele possa estar em campo o quanto antes nos ajudando", disse o meia.
REUTERS - Em março de 2011, no Emirates Stadium, em Londres, o então atacante de 19 anos silenciou arquibancada racista com atuação de gala
AFP - Scotland's Alan Hutton (L) challenges Brazil's Neymar during their International friendly football match at the Emirates Stadium in London on March 27, 2011. AFP PHOTO / IAN KINGTON
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AFP - Brazil's Neymar celebrates scoring his goal against Scotland during their International friendly football match at the Emirates Stadium in London, on March 27, 2011 . AFP PHOTO/IAN KINGTON
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REUTERS - Brazil's Neymar (2nd R) shoots and scores his goal against Scotland during their international friendly soccer match at the Emirates Stadium in London March 27, 2011. REUTERS/ Eddie Keogh (BRITAIN - Tags: SPORT SOCCER)
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REUTERS - Brazil's Neymar (R) celebrates after scoring a goal as Scotland's Scott Brown reacts during their international friendly soccer match at the Emirates Stadium in London March 27, 2011. REUTERS/Kieran Doherty (BRITAIN - Tags: SPORT SOCCER)
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REUTERS - Brazil's Neymar reacts during their international friendly soccer match against Scotland at the Emirates Stadium in London March 27, 2011. REUTERS/Kieran Doherty (BRITAIN - Tags: SPORT SOCCER)
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REUTERS - Brazil's Neymar celebrates his 2nd goal from the penalty spot against Scotland during their international friendly soccer match at the Emirates Stadium in London March 27, 2011. REUTERS/ Eddie Keogh (BRITAIN - Tags: SPORT SOCCER)
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10 curiosidades sobre a Escócia
Anota aí antes do duelo de amanhã contra o Brasil
1. 28 anos depois...
A Escócia voltou a uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1998. Foram quase três décadas de ausência até a classificação para o Mundial de 2026.
2. Longevidade
O técnico Steve Clarke chegou à Copa de 2026 como o treinador que mais vezes dirigiu a seleção escocesa, consolidando um projeto iniciado em 2019.
3. Estrela
O jogador mais decisivo da equipe é o meia Scott McTominay. Ele foi eleito MVP da Serie A pelo Napoli e se tornou a principal referência ofensiva da seleção.
4. Lenda
Lateral-esquerdo histórico do Liverpool, Andy Robertson, atualmente no Queens Park Rangers, lidera a Escócia. É o jogador que mais vezes usou a braçadeira de capitão na história da seleção.
5. Atração
O último jogo da Escócia em uma Copa antes de 2026 foi justamente contra o Brasil, na estreia no Mundial de 1998. Os dois países voltam a se enfrentar na fase de grupos.
6. Tabu
A Escócia participou de várias Copas. Jamais passou da fase de grupos. O objetivo deste elenco é alcançar o mata-mata pela primeira vez.
7. "Fábio escocês"
O veterano Craig Gordon foi convocado para o Mundial aos 43 anos, uma das maiores idades entre todos os jogadores da Copa do Mundo.
8. Adolescente
O atacante Findlay Curtis, de 19 anos, representa a nova geração e é um dos mais jovens da delegação da Escócia na Copa do Mundo de 2026.
9. Meiuca
O trio formado por Scott McTominay, John McGinn e Lewis Ferguson é considerado o setor mais forte da seleção e concentra boa parte dos gols e da liderança técnica da equipe.
10. "Tartan Army"
Milhares de torcedores viajaram aos Estados Unidos para acompanhar a seleção. A famosa "Tartan Army" é uma das torcidas mais tradicionais e respeitadas do futebol mundial.
Acúmulo de cartões amarelos preocupa
Nova Jersey — Carlo Ancelotti tem mais contas para fechar antes do duelo com a Escócia, amanhã, às 19h, em Miami. Além da vaga aberta na ponta-direita depois da lesão de Raphinha, da expectativa pelo retorno de Neymar e da crescente pressão popular por Endrick, o treinador precisará controlar outro fator de risco: os cartões amarelos. Casemiro e Douglas Santos chegam pendurados à última rodada da fase de grupos e podem perder justamente o primeiro jogo eliminatório da Copa do Mundo.
A preocupação existe por causa de uma mudança promovida pela Fifa para a Copa do Mundo de 2026. Diferentemente das últimas edições, quando três cartões amarelos eram necessários para gerar suspensão automática, o novo regulamento reduziu o limite para duas advertências. Em compensação, os cartões serão zerados ao fim da fase de grupos e novamente após as quartas de final. Na prática, Casemiro e Douglas Santos não carregarão a pendência para uma eventual oitavas de final, mas desfalcarão a Seleção justamente na estreia do mata-mata, caso sejam advertidos diante da Escócia.
Dos dois titulares pendurados, Casemiro inspira atenção especial. O volante é peça fundamental no sistema montado por Ancelotti e ganhou ainda mais importância depois dos ajustes promovidos contra o Haiti. Em diversos momentos, recuou entre os zagueiros para formar uma linha de três defensores e oferecer maior proteção à equipe. Perder o camisa 5 às vésperas da fase eliminatória obrigaria a entrada do substituto Fabinho.
Douglas Santos assumiu a titularidade durante a Copa do Mundo e oferece características importantes ao sistema de Ancelotti. Seguro defensivamente, tem liberdade para apoiar o ataque e foi um dos responsáveis por dar equilíbrio ao corredor esquerdo contra o Haiti. A eventual ausência também representaria um problema para a comissão técnica. O reserva imediato, Alex Sandro, não reúne a mesma sequência de jogos nem as mesmas características do titular, o que poderia obrigar o treinador a promover ajustes no funcionamento do setor.
O cenário seria mais preocupante para a comissão técnica se o terceiro pendurado estivesse nos planos para a partida. Advertido na estreia contra o Marrocos, Ibañez perdeu a condição de titular após a atuação irregular e aparece apenas como opção para a zaga durante os jogos. A ampla utilização do elenco oferece margem de manobra.
Treino tem Neymar, retornos e ausências
Nova Jersey - O treino da Seleção Brasileira, ontem, teve Neymar, alguns retornos e só uma ausência. Foi a penúltima atividade no Columbia Park, centro de treinamento em Morristown, antes do duelo com a Escócia, amanhã, às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami, pela terceira e última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.
No domingo, no primeiro treino mais completo após a vitória sobre o Haiti, sete titulares ficaram fora por "controle de carga": os defensores Danilo, Gabriel Magalhães, Marquinhos e Douglas Santos; os meio-campistas Casemiro e Bruno Guimarães; e o atacante Matheus Cunha. Ontem, treinaram normalmente.
Outro que treinou de forma completa foi Neymar. Recuperado da lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita, o camisa 10 da Seleção Brasileira retornou integralmente às atividades e se mostra disponível para estrear na Copa do Mundo de 2026.
Por outro lado, o Brasil teve duas ausências: Raphinha e Alisson. O atacante do Barcelona teve uma lesão muscular na coxa direita ainda no primeiro tempo do duelo com Haiti e está fora da próxima partida. Em tratamento no departamento médico, o atleta sequer foi visto pelos jornalistas presentes no CT. Já o goleiro do Liverpool ficou fora da atividade no campo, permanecendo na academia, para controle de carga.