Pela primeira vez na história, o Canadá está sediando uma Copa do Mundo, diferentemente dos vizinhos México e Estados Unidos, co-organizadores e palcos do Mundial outras cinco vezes ao todo. Mesmo sem tradição no futebol, cerca de 43 mil pessoas compareceram ao BMO Field, em Toronto, para acompanhar a estreia da seleção canadense na terceira participação do torneio. A expectativa ia além da chance de disputar a Mundial em casa, mas, sim, de fazer história e mostrar ao mundo: o país vai além da terra do hóquei no gelo. A equipe também buscava a primeira vitória na história da competição, mas saiu de campo apenas com o primeiro ponto, ao empatar com a Bósnia e Herzegovina, por 1 x 1.
As participações anteriores dos canadenses acumularam apenas derrotas. Na primeira participação em 1986, derrotas para União Soviética, França e Hungria. No retorno em 2022, tropeços contra Bélgica, Croácia e Marrocos.
Ao todo, o país vai receber 13 partidas no Mundial. É a sede com menos jogos. Mesmo assim, para um povo que não vê o futebol como esporte principal, a atmosfera no BMO Field era de festa. Alanis Morissette, Michael Bublé, Alessia Cara, Elyanna, Jessie Reyez, Nora Fatehi, Sanjoy, Vegedream e William Prince incendiaram as arquibancadas com o show de abertura. A cerimônia do início do Mundial no Canadá contou com a apresentação de todos os 48 países envolvidos na disputa pelo título. Nunca uma Copa do Mundo apresentou tantas seleções no torneio.
Do outro lado do campo, estava a Bósnia. Assim como os donos da casa, essa é a apenas a segunda vez dos Balcãs no torneio. A vaga para a competição chegou apenas nas repescagens europeias, após a eliminar a Itália nos pênaltis. Em 2014, na primeira participação, a equipe amargou rápida eliminação depois de vencer apenas uma partida na fase de grupos.
Com o apito inicial, muita coisa estava em campo para as equipes. O sonho em jogar o Mundial ao lado dos compatriotas e a emoção ao ouvir o hino nacional e ver a ficha cair em poder representar o país natal no maior palco do futebol resumiam a atmosfera em Toronto. Mesmo com os times sem os melhores jogadores, os 22 boleiros em campo sabiam da alta responsabilidade nos ombros, afinal, naquele momento, representavam todo o peso de uma nação. Por complicações físicas, o lateral Davies, do Canadá, e o atacante Dzeko, da Bósnia, começaram a partida no banco de reservas e deram espaço para jovens talentos.
O apoio incessante nas arquibancadas não refletia dentro de campo. Poucas chances de perigo apareceram nos minutos iniciais. O calor do verão canadense atrapalhava as equipes. Com o passar do primeiro tempo, o Canadá começou a se atirar mais ao ataque e mantinha a posse da bola em maior número. Porém, futebol não é matemática. O domínio era mandante, mas os visitantes sabiam jogar o jogo. A Bósnia aproveitou o fato de ter a maior média de altura dentre todas as seleções, com 1,87m, e apostou as fichas nas bolas paradas. Aos 20 minutos da etapa inicial, o cruzamento veio fechado após cobrança de escanteio, Kolasinac desviou na primeira trave e Lukic, substituto de Dzeko, completou de cabeça. O BMO Field se calou, com exceção da legião de bósnios em Toronto.
O Canadá voltou a tomar conta das ações. A equipe teve oportunidades de mudar o cenário ainda nos 45 minutos inaugurais, mas pecava na execução dos ataques. Chances surgiram com Oluwaseyi e Jonathan David. Porém, não balançaram o barbante e deixaram a torcida canadense cada vez mais aflita. Por outro lado, a Bósnia seguiu competente na marcação e absoluta nas jogadas pelo alto.
O segundo tempo começou e os canadenses investiram mais nos lances em velocidade e carimbaram o travessão europeu com Laryea, após bela troca de passe dentro da grande área. O Canadá implementou um ritmo de jogo frenético na metade final do confronto, mas, ainda assim, via a torcida bósnia fazer festa nas arquibancadas em Toronto. Porém, com insistência, os canadenses mostraram para o mundo do futebol como insistência e perseverança se colhe bons frutos no final.
O comandante Jesse Marsch mudou as peças do time titular e colocou o centroavante Larin no lugar de Oluwaseyi para ampliar o poderio ofensivo. Após belo passe de Promise David, outro acionado do banco, o camisa nove finalizou no canto e venceu o arqueiro Vasilj. A explosão no BMO Field foi imediata.
O domínio foi canadense, mas, sem novos gols, o árbitro argentino Facundo Tello Figueroa finalizou a partida em empate. Mesmo com pouca tradição nas quatro linhas, Canadá e Bósnia protagonizaram um belo empate. Lukic voltou a fazer o torcedor bósnio comemorar um gol no Mundial após 14 anos. Larin teve estrela ao marcar no fim e deixar o sonho em avançar de fase da equipe canadense vivo.
Ficha técnica
Canadá 1 x 1 Bósnia Herzegovina
Primeira rodada Copa do Mundo - Grupo B
Canadá
Crépeau, Johnston, Fougerolles, Cornelius, Laryea, Buchanan (Ali Ahmed), Koné, Eustáquio (Osorio), Millar (Shaffelburg), David (Promise David) e Oluwaseyi (Larin)
Técnico: Jesse Marsch
Gol: Larin
Cartões amarelos: Johnston e Fougerolles
Bósnia Herzegovina
Vasilj, Kolasinac (Burnic), Muharemovic, Katic, Dedic, Memic (Alajbegovic), Basic (Gigovic), Tahirovic, Bajraktarevic (Sunjic), Demirovic e Lukic (Bazdar)
Técnico: Sergej Barbarez
Gol: Lukic, aos 20 minutos do primeiro tempo
Cartões amarelos: Katic, Demirovic e Lukic
Árbitro: Facundo Tello Figueroa (Argentina)
Local: BMO Field, Toronto (Canadá)
Data: 12/6/2026
Hora: 16h
Público: 43 mil pessoas
*Estagiário sob a supervisão de Danilo Queiroz