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Empate na estreia reacende dúvidas sobre Cristiano Ronaldo em Portugal

Comunidade portuguesa em Newark discute se o craque ainda tem condições de ser protagonista na Copa do Mundo ou se deve abrir espaço para a nova geração

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Victor Parrini — Enviado especial
23/06/2026 00:01 - Atualizado em 23/06/2026 10:32
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Líder técnico português há mais de uma década, atacante disputa o sexto Mundial da carreira aos 41 anos. Desempenho, porém, é oscilante -  (crédito: Patricia de Melo Moreira/AFP)
Líder técnico português há mais de uma década, atacante disputa o sexto Mundial da carreira aos 41 anos. Desempenho, porém, é oscilante - (crédito: Patricia de Melo Moreira/AFP)

Nova Jersey — Brasil e Portugal compartilham além do idioma nesta Copa do Mundo. As duas seleções são comandadas por técnicos estrangeiros, apostam em uma nova geração talentosa e convivem com um debate semelhante sobre as maiores referências dos elencos. Se no Brasil Neymar divide opiniões desde a convocação, Cristiano Ronaldo não chega a ser unânime em Portugal. Aos 41 anos, o camisa 7 continua cercado por admiração, mas não desperta o mesmo sentimento quando o assunto é permanência entre os titulares, até mesmo para uma partida teoricamente fácil, contra o Uzbequistão, às 14h, Houston.

A discussão ganhou força após a estreia. Contra a República Democrática do Congo, Portugal monopolizou a bola, alcançou 75% de posse e criou mais oportunidades, mas ficou no empate por 1 x 1. Cristiano Ronaldo tentou três finalizações, mas nenhuma no alvo. O resultado resgatou o debate entre os portugueses: o camisa 7 ainda é a solução ou tornou-se parte do problema?

Para medir a temperatura do debate, o Correio caminhou por Ironbound, em Newark, bairro que abriga uma das maiores colônias portuguesas dos Estados Unidos. Por lá, a admiração por Cristiano Ronaldo segue viva, mas com tons de divergência. O benfiquista José Silva resume o tamanho da idolatria ao camisa 7 em uma pergunta. "Antes do Cristiano, pelo que Portugal era conhecido?", questiona. Para ele, o atacante continua indispensável. "É peça fundamental. É capaz de decidir", acredita.

O fato de Cristiano Ronaldo ser quarentão não abala a confiança de Antonio Martins. Também torcedor do Benfica, acredita que o astro pode definir placares com poucos toques na bola. "É provável que decida, porque é um jogador lutador, apesar da idade", comenta. Ao imaginar a despedida definitiva do camisa 7, prevê um vazio difícil de preencher. "Quando aparecerá um como metade dele? Não é um inteiro, a metade", indaga.

A expectativa de ver Cristiano conquistar a Copa também alimenta a esperança dos torcedores. Manny Lopes sonha com uma final contra o Brasil e acredita que o astro ainda tem muita bola para jogar. "É o título que falta na história do Cristiano. Penso que chegará ao milésimo gol. Está em forma, tem tudo para isso", defende o torcedor do Sporting, clube que revelou CR7 em 2002.

Mas o entusiasmo com Cristiano Ronaldo não alcança a todos. Entre os portugueses de Ironbound, também há quem enxergue a permanência do ídolo como um obstáculo para a renovação da seleção. É o caso de Armando Pereira. Embora reconheça o legado do camisa 7, o torcedor acredita que Portugal deveria ter iniciado uma renovação mais profunda.

"Deveria sair de cena e deveria ter saído anos atrás. Vai deixar saudades pelo que fez anos atrás, agora está prejudicando a seleção", critica. Para ele, a comparação com Eusébio sequer entra em debate: "Eusébio foi o maior de todos os tempos".

Antonio Nogueira fica em cima do muro. O português ainda vê utilidade em CR7, mas em um papel diferente. "Penso que o Ronaldo é para jogar uns 15 ou 20 minutos. Tem 41 anos. Faz falta, mas não é igual como antigamente. Deve dar espaço aos outros", argumenta.

Apesar das críticas sobre a titularidade, Cristiano Ronaldo ainda tem motivos para prolongar a permanência. Aos 41 anos, o atacante disputa a sexta Copa do Mundo da carreira e busca se tornar o primeiro jogador a marcar gols em seis edições diferentes do torneio. O momento, porém, está longe de ser ideal. O maior astro da história recente de Portugal não balança as redes em Mundiais há cinco partidas. A última comemoração aconteceu na estreia da campanha de 2022, no Catar, quando abriu o placar na vitória por 3 x 2 sobre Gana. Desde a Copa de 2006, Cristiano soma oito gols no torneio e precisa de apenas mais um para igualar Eusébio como maior artilheiro português do evento.

Os números ajudam a explicar por que o técnico Roberto Martínez segue resistindo à pressão por mudanças. Apesar das críticas acumuladas após o empate com a República Democrática do Congo, Cristiano Ronaldo chegou à Copa do Mundo com uma das melhores médias de gols entre os principais atacantes das seleções candidatas ao título: 25 gols em 32 jogos pelo país. Acima dele estão apenas o norueguês Erling Haaland (34 gols em 27 partidas) e o belga Romelu Lukaku (22 gols em 22 jogos).