Procurando Messi: Mbappé alcança Klose e avança rumo ao recorde
Na correnteza da história, atacante da França chega a 16 gols em Copas do Mundo, iguala Miroslav Klose e reduz para dois a distância em relação ao tubarão recordista Lionel Messi
Marcos Paulo Lima — Enviado especial
22/06/2026 22:06 - Atualizado em 22/06/2026 22:07
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Kylian Mbappe #10 da França aplaude os fãs que compareceram ao Philadelphia Stadium - (crédito: Photo by Dan Mullan/ Getty Images via AFP)
Filadélfia — Você certamente assistiu a “Procurando Nemo”, o filme de animação sobre o peixinho atrevido disposto a desafiar até o pai em busca de uma corrente oceânica capaz de levá-lo a novas aventuras. Aos 27 anos, Kylian Mbappé entrou em uma correnteza sem volta: a caça ao recorde de Lionel Messi.
Depois de estrear com dois gols diante do Senegal, em Nova Jersey, o atacante repetiu a dose e chegou a 16 em Mundiais. Primeiro, igualou Ronaldo, o Fenômeno. Depois, alcançou Miroslav Klose. Ainda falta caminho, mas o fluxo segue favorável.
Nemo ouve o mantra “continue a nadar” para sobreviver. Mbappé parece escutar “continue a marcar”. A diferença para Messi agora é de apenas dois gols. Pouco para quem ostenta quatro dos 16 em finais de Copa — um no título de 2018 e três no vice-campeonato de 2022.
Kylian Mbappe #10 da França aplaude os fãs que compareceram ao Philadelphia Stadium
(foto: Photo by Dan Mullan/ Getty Images via AFP)
No caminho dele resta um tubarão: agora ao lado de Klose, com 16, Messi tem 18. A Pulga precisou de seis Copas para atingir a marca. A coleção de Mbappé foi montada em três participações. Em duas rodadas, superou Pelé, Gerd Müller, Ronaldo e continua singrando os mares.
A partida desta segunda-feira teve significado especial. Mbappé completou 100 jogos pela França. Maior artilheiro da história dos Bleus com 60 gols, à frente de lendas como Thierry Henry, Michel Platini, Karim Benzema e Zinedine Zidane, precisou de 14 minutos para deixar a marca dele no primeiro tempo. Recebeu a bola na entrada da área, ajeitou para a perna esquerda e acertou um chute indefensável no ângulo direito do goleiro Ahmed Basil. Antes da explosão de alegria, ouviu-se nas arquibancadas um som raro: o espanto diante da violência e da precisão da finalização.
Na etapa final, recebeu mimo de Dembélé e ampliou depois de uma falha gravíssima do zagueiro Tahssen na cobrança do tiro de meta. Atual número 1 do mundo, Dembélé ampliou para 3 x 0 com uma finalização impecável depois de receber passe milimétrico de Olise.
Ver Mbappé jogar é quase uma garantia de espetáculo. Parte disso se explica pela capacidade de reinvenção. Em 2018, ele atuava aberto pela direita. No Catar, assumiu a faixa esquerda do ataque. Em 2026, transformou-se em um centroavante apoiado por uma linha de criação fantástica formada por Dembélé, Olise e Barcola.
Se era confortável dividir o ataque com Antoine Griezmann e Olivier Giroud nas últimas Copas, imagine cercado por uma geração ainda mais técnica e veloz. Ainda assim, a França convive com um desafio. Embora Didier Deschamps disponha de um elenco extraordinário, a equipe segue cobrada por aliar eficiência e espetáculo.
“Existe uma cultura do momento. As equipes vencedoras sempre inspiram o futebol atual e sempre têm razão. Desde que defendo a França, pedem que imitemos o Barcelona e o jogo de posse de bola, o Real Madrid e agora o estilo de contrapressão do Paris Saint-Germain”, desabafou Mbappé na véspera da partida.
A França reúne talento suficiente para sonhar com o tricampeonato. Mas talvez o maior adversário habite dentro do aquário. Em um elenco repleto de estrelas, o equilíbrio entre individualidades e coletividade pode definir o destino da equipe na América do Norte. Deschamps mantém o grupo sob controle, como o pai de Nemo, mas sabe que a desobediência costuma ser a rota mais curto para transformar favoritos em decepções.
Aos 27 anos, Mbappé disputa a Copa da maturidade. Não corre mais apenas atrás de títulos. Nada em direção à própria imortalidade. Klose já está ao lado dele. Messi continua à frente. A correnteza parece empurrar o francês na direção da história. E quem acompanha a viagem tem a sensação de que o próximo capítulo de "Procurando Messi" é apenas uma questão de tempo.