Final

Enzo Fernández sai do "anonimato" e vira pilar da Argentina na final

Campeão da Recopa Sul-Americana em um Mané Garrincha vazio, jogador tenta conquistar a terceira Copa do Mundo da carreira diante da Espanha, amanhã, novamente no MetLife Stadium

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Marcos Paulo Lima
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Victor Parrini — Enviado especial
18/07/2026 04:01
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Cinco anos depois de decidir uma Recopa Sul-Americana em um Mané Garrincha vazio, Enzo Fernández volta a disputar uma final mundial em outro palco emblemático -  (crédito: Juan Mabromata/AFP)
Cinco anos depois de decidir uma Recopa Sul-Americana em um Mané Garrincha vazio, Enzo Fernández volta a disputar uma final mundial em outro palco emblemático - (crédito: Juan Mabromata/AFP)

Nova York — Antes de se transformar no cérebro da Argentina campeã do mundo, Enzo Fernández decidiu um título continental em um Mané Garrincha vazio. Em 14 de abril de 2021, no auge da pandemia, converteu uma das cobranças de pênalti do Defensa y Justicia contra o Palmeiras na final da Recopa Sul-Americana. Cinco anos depois, o mesmo jogador entra em campo no MetLife Stadium para tentar conquistar a terceira Copa do Mundo da carreira — a segunda naquele estádio em menos de um ano.

À época, Enzo Fernández era um jogador emprestado pelo clube formador, o River Plate, ao Defensa y Justicia. Foi cedido para ganhar experiência e rodagem internacional. Tinha apenas 20 anos, mas exalava espírito vencedor. Um ano antes, havia sido campeão da Copa Sul-Americana sob o comando do técnico Hernán Crespo. Usava a camisa 34 na decisão disputada no estádio Mário Kempes, em Córdoba, na Argentina. Posava de intocável no meio de campo titular no triunfo por 3 x 0 contra o Lanús.

Depois dos títulos pelo Defensa y Justicia, retornou ao River Plate para contribuir na conquista do Campeonato Argentino na temporada de 2021. Marcelo Gallardo percebeu o potencial do meio-campista e o colocou rapidamente em campo. O River tratou de ampliar o contrato até 2025, mas era tarde. Havia interessados na aquisição do jogador na América do Sul e na Europa.

Em 14 de julho de 2022, o Benfica oficializou a compra de Enzo Fernández por 12 milhões de euros. O clube português autorizou a permanência do meia na Argentina até a conclusão da participação na Libertadores. Ele havia se tornado uma das peças-chave na engrenagem de Marcelo Gallardo. A eliminação precoce diante do Vélez Sarsfield, nas oitavas de final, acelerou o processo de mudança do craque de Buenos Aires para Lisboa.

Apresentado com a lendária camisa 13 de Eusébio, maior ídolo do Benfica, Enzo Fernández teve tempo de disputar 24 partidas e marcar três gols na temporada 2022/2023 antes de o técnico Lionel Scaloni convocá-lo, aos 21 anos, para defender a Argentina na Copa de 2022.

Assumiu rapidamente papel central na seleção. Ajeitou o meio de campo da Argentina depois da derrota de virada por 2 x 1 para a Arábia Saudita na estreia. Encerrou a Copa com três gols, quatro assistências, o prêmio de revelação do torneio e o tricampeonato na mão. A campanha fez disparar o valor no mercado. O clube lusitano o vendeu ao Chelsea por 121 milhões de euros depois do sucesso na Copa do Mundo.

Aos 25 anos, Enzo deixou de ser promessa havia muito tempo. Tornou-se o organizador do meio-campo argentino e um dos jogadores de confiança de Lionel Scaloni. "O segredo é trabalhar duro todos os dias, acreditar em mim mesmo e nunca desistir", costuma dizer o argentino.

Em 2024, contribuiu com a Argentina na conquista da Copa América. Pelo clube londrino, ganhou a Conference League em 2024/2025 e Copa do Mundo de Clubes da Fifa em 2025 contra o Paris Saint-Germain justamente no MetLife Stadium, palco da final deste domingo da Copa do Mundo contra a Espanha, às 16h.

O desempenho de Enzo Fernández nesta Copa do Mundo impressiona. Fez dois gols na fase de mata-mata. Um nas oitavas de final contra o Egito e outro no início da virada contra a Inglaterra. O índice de acerto de passes é incrível: 94%. Detê-lo será um dos desafios do técnico espanhol Luis de la Fuente na decisão da Copa do Mundo.

Cinco anos depois de decidir uma Recopa Sul-Americana em um Mané Garrincha vazio, Enzo Fernández volta a disputar uma final mundial em outro palco emblemático. Campeão do mundo, da Copa América e da Copa do Mundo de Clubes, chega ao MetLife Stadium como um dos líderes da Argentina. Se vencer a Espanha, acrescentará mais um capítulo improvável à própria biografia: a terceira Copa do Mundo da carreira em apenas quatro temporadas e o segundo título mundial consecutivo conquistado naquele estádio.