INGLATERRA X ARGENTINA

'Eu faria o mesmo', diz Tuchel ao concordar com superstição argentina

Alemão brinca com a camisa azul eternizada por Maradona contra os ingleses, promete encontrar uma forma de parar Messi e se impressiona com a Espanha: "Quanto maior o jogo, melhor eles jogam"

Atlanta — Alemão a serviço da Inglaterra, Thomas Tuchel costuma ser um técnico de bate-pronto nas entrevistas. Não rodeia perguntas nem tenta driblá-las. A que envolvia a escolha da camisa azul da Argentina, porém, arrancou primeiro uma risada. Depois, uma resposta que mostrou que até treinadores pragmáticos sabem respeitar as superstições do futebol.

“Você perguntou para o único cara que não sabe a cor que seu time vai jogar até o aquecimento (risos). A Argentina joga de azul? Escolheram isso? É a camisa da sorte? Eu teria feito o mesmo”, respondeu bem-humorado, na entrevista coletiva na véspera da semifinal da Copa do Mundo contra a Argentina.

O pedido argentino para atuar com o segundo uniforme tem fundamento histórico. Foi justamente a camisa azul que entrou para a história nas quartas de final da Copa de 1986 contra a Inglaterra. E quase por acaso. O técnico Carlos Bilardo considerou o uniforme reserva tradicional pesado demais para o calor da Cidade do México e pediu às pressas um novo modelo. A fornecedora da seleção não teria tempo para produzir um uniforme inédito em apenas três dias.

A solução veio de um mutirão de costureiras ligadas ao América do México, que passaram a madrugada adaptando camisetas da mesma fabricante para dar identidade à seleção argentina. O improviso virou lenda. Com aquela camisa, Diego Maradona marcou a Mano de Dios e o Gol do Século na vitória por 2 x 1 sobre a Inglaterra, antes de conduzir a Argentina ao bicampeonato mundial.

Há outro elo entre 1986 e 2026. Naquele Mundial, a camisa 10 argentina tinha o nome de Diego Maradona. Desde 2010, pertence a Lionel Messi em Copas. Os dois são canhotos, baixos, decisivos e capazes de alterar o rumo de uma Copa do Mundo em poucos segundos. Se a superstição veste azul, ela também continua sob o mantra do gênio da dezena.

“Dá para sentir que a Argentina joga movida pela emoção. Dá para perceber que eles querem conquistar a Copa do Mundo mais uma vez por Lionel Messi”, reconheceu Tuchel. O alemão tentará interromper a participação direta do camisa 10 em gols nesta edição do Mundial. Até agora, o craque esteve envolvido em 10 dos 17 marcados pela seleção nas seis partidas disputadas.

“Vamos encontrar uma maneira de parar Messi. Ele encontra espaços, aproveita as oportunidades e, mais importante do que isso, todo o time compra essa ideia. Os companheiros acreditam nele, estão sempre prontos para apoiá-lo e aparecem quando ele cria uma jogada capaz de fazer a diferença”, exaltou.

Além de buscar a primeira final da Inglaterra desde 1966, Tuchel também persegue um feito inédito na história das Copas do Mundo. Nenhum treinador estrangeiro conquistou o torneio comandando outra equipe nacional. O alemão tenta quebrar uma tradição de quase um século e se tornar o primeiro técnico nascido fora do país campeão a erguer a taça, coisa que Ancelotti terá de esperar até 2030 para alcançar com a Seleção Brasileira.

Outros tópicos com Tuchel

Rivalidade com a Argentina

“É um dos maiores jogos que o futebol pode oferecer. Sabemos do peso da história, mas não podemos deixar que ela decida a partida por nós. Precisamos escrever a nossa própria.”

O que falar sobre a Espanha, primeira finalista?

“Olhem os recordes. É inacreditável. Parece que eles não perdem jogos em torneios. Assisti ao primeiro tempo contra a França e fiquei impressionado. Quanto maior o jogo, melhor eles jogam. É uma equipe com muita clareza. Não consegui ver muitas partidas porque estamos sempre em deslocamento ou treinando, mas dou os parabéns a todos. Espero que possamos nos encontrar na final.”

Está satisfeito com o desempenho da seleção?

“Creio que cometemos muitos erros na última partida (contra Noruega), erros técnicos que nos dificultaram encontrar nosso ritmo. Temos melhorado na parte da defesa, como um todo, no coletivo. E, de verdade, temos que estar no nível mais alto no ritmo de construção de jogo e aceleração do ataque, com execução. Temos conseguido evoluir e, contra um rival difícil de amanhã, vamos buscar isso.”

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