A aprovação de um candidato com vínculo com a banca organizadora do concurso da Câmara Municipal de Goiânia passou a ser investigada pelo Ministério Público de Goiás após levantar suspeitas sobre a transparência do processo seletivo. O concurso ofereceu dezenas de vagas com salários superiores a R$ 10 mil e reuniu mais de 30 mil candidatos.
O caso envolve Luã Lírio de Souza Cruz, que conquistou o primeiro lugar para o cargo de administrador, com alta pontuação. Ele tem ligação com o Instituto Verbena, responsável por elaborar, aplicar e corrigir as provas.
Segundo informações apuradas pela TV Anhanguera, o candidato é servidor da Universidade Federal de Goiás e já atuou diretamente no instituto. Embora tenha sido cedido à Defensoria Pública da União antes da realização do concurso, registros indicam que ele ainda participou de atividades ligadas à banca nos meses que antecederam a prova, incluindo eventos institucionais poucos dias antes da aplicação.
A proximidade com a organização do exame levantou suspeitas de possível acesso privilegiado a informações da prova. A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público, que abriu investigação para apurar se houve favorecimento indevido.
Outro ponto considerado na apuração é a relação do candidato com pessoas ligadas ao instituto. O companheiro dele também atua na estrutura da banca, o que ampliou os questionamentos sobre possível conflito de interesses.
O concurso foi realizado em março (15/3) e previa o preenchimento de 62 vagas em diferentes áreas. O contrato firmado entre a Câmara Municipal e o Instituto Verbena para execução da prova ultrapassa R$ 2 milhões.
Em nota, a Câmara informou que encaminhou o caso aos órgãos de controle e que a comissão responsável pelo concurso solicitou esclarecimentos formais. Já o Instituto Verbena afirmou que o candidato comunicou previamente um possível conflito de interesses e por isso, foi afastado de atividades relacionadas ao processo seletivo, além de ter tido acessos bloqueados aos sistemas do concurso.
A banca também declarou que realizou auditoria interna e não identificou participação dele na elaboração da prova aplicada. A universidade informou que acompanha o caso e que poderá adotar medidas administrativas caso irregularidades sejam confirmadas.
O Ministério Público conduz a investigação e não descarta a possibilidade de anulação do concurso caso sejam comprovadas falhas ou fraude no processo. Até o momento, o resultado segue válido.
*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca
