A coletânea Cinema Negro no Feminino: afeto e pertencimento além das telas é uma das cinco finalistas do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, na categoria Artes. Organizada pelas pesquisadoras Ceiça Ferreira e Edileuza Penha de Souza, a obra apresenta um panorama da produção audiovisual feita por mulheres negras no Brasil. Lançado em outubro de 2025, pela Nau Editora, o livro já integrou a bibliografia de seleção para mestrado e doutorado da Universidade Federal Fluminense (UFF). A cerimônia de entrega do prêmio ocorre na próxima terça-feira, 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com transmissão ao vivo pela internet.
Com mais de vinte textos, a publicação é resultado de cinco anos de pesquisa e foi viabilizada com recursos do Edital Rouanet nas Favelas 2024. Sua estrutura propõe uma tecitura de saberes inspirada no barafunda, uma técnica de bordado ancestral preservada por mulheres negras nos terreiros de Candomblé.
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Artigos, ensaios e entrevistas se entrelaçam para revelar caminhos, poéticas e processos criativos que constituem o cinema negro no feminino. A obra agrega contribuições de pesquisadoras, curadoras, cineastas e outras profissionais do audiovisual brasileiro.
Os temas do livro
Os textos se organizam em quatro eixos. O primeiro contempla a atuação de mulheres negras nas telas e no fazer cinema. Outra parte ressalta as trajetórias de pioneiras como Adelia Sampaio, no Rio de Janeiro, e Antonia Ágape, na Paraíba.
A coletânea também analisa as poéticas e técnicas de diretoras negras em ficções, documentários e animações. Por fim, o livro discute a crítica e a curadoria, com textos sobre a Egbé - Mostra de Cinema Negro de Sergipe e a Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio, em Brasília.
“É uma honra ter nosso livro como finalista deste prêmio, é o reconhecimento de um projeto tecido por várias mãos”, declarou Ceiça Ferreira. Ela destaca que o livro oferece ferramentas teóricas e metodológicas para a análise da produção de diretoras negras brasileiras.
Edileuza Penha de Souza afirmou sentir alegria em dose dupla. “Como pesquisadora e como cineasta. Ainda enfrentamos muitos desafios no mercado editorial e é fundamental termos mais publicações sobre como mulheres negras têm feito do cinema um espaço de invenção, resistência e memória”.
Quem são as organizadoras
Ceiça Ferreira é professora e pesquisadora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e idealizadora do Cineclube Maria Grampinho. Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), atua nas áreas de artes, gênero e raça no cinema.
Edileuza Penha de Souza é cineasta, curadora e professora na UnB. Ela coordena a Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio. Seu curta “Filhas de Lavadeiras” venceu o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2021.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.