*Por Arthur Dias
A Ocupação Anísio Teixeira, aberta no Itaú Cultural (IC), termina em 15 de novembro. A exposição tem entrada gratuita e celebra a vida do jurista, filósofo e educador Anísio Teixeira, pioneiro da educação integral no país e patrono da educação pública brasileira. O acervo reúne mais de 150 itens da vida do educador com cartas, fotografias, documentos, publicações, objetos pessoais e depoimentos gravados com familiares e parceiros. A ocupação é dividida em cinco núcleos, que divide a trajetória desde a infância até a atuação pública de Anísio.
O Centro Cultural do Itaú (IC) fica em São Paulo, a ocupação pode ser visitada de terça a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h. Entre os destaques do acervo estão o chapéu usado em viagens internacionais, a máquina fotográfica que registrou sua última imagem em vida e a cédula de mil cruzeiros lançada em sua homenagem, que traz sua efígie e uma representação da Escola-Parque de Salvador.
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Anísio Teixeira nasceu em 12 de julho de 1900 na cidade de Caetité (BA), e teve papel crucial na educação básica e superior do Brasil, defendia que a educação era um dever do Estado e um direito de todo e qualquer cidadão. Em vida, teve uma carreira vasta e importante para a educação do país. Foi um dos principais líderes e signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova em 1932, documento em prol de um ensino público, laico, gratuito e universal. O educador também foi o responsável por criar as escolas-parque e escolas-classe, na Bahia e em Brasília, o formato possibilita que os alunos se desenvolvam integralmente, por meio da expressão artística e do campo do trabalho.
Além dos feitos na educação básica, foi gestor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que hoje leva seu nome, e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), onde colocou em primeiro plano a pesquisa como fundamentação de toda prática de ensino. Para além disso, fundou a Universidade do Distrito Federal (UDF) em 1935 e foi um dos idealizadores e reitores da Universidade de Brasília (UnB) ao lado de Darcy Ribeiro.
Os cinco núcleos da exposição trazem elementos de segmentos importantes da vida do filósofo e educador. O primeiro segmento começa com Anisinho(apelidado dado ao jurista na infância), dedicado à esfera familiar, com fotografias, depoimentos de netos e cartas enviadas à esposa, Emília Ferreira Teixeira, que revelam um personagem reservado, afeito à convivência familiar e aos livros. Em seguida o núcleo Políticas Públicas apresenta sua atuação como formulador e gestor ao longo do século 20, com sua passagem pela UNESCO e sua atuação no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), e na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Um dos eixos principais da ocupação é dedicado às Escolas-Parque, projeto que materializou sua defesa da Educação integral. Por meio de documentos, fotografias, entrevistas e uma videoinstalação, o visitante acompanha a experiência na Escola Parque 307/308 Sul, em Brasília, e conhece a escola como espaço de formação ampla, que articula ensino acadêmico, artes, cultura, esporte e convivência social.
Para além da atuação profissional de Anísio, a exposição apresenta por meio do núcleo personalidades, uma característica que atravessa toda a sua concepção: a interação, a amizade e o respeito nutrido entre ele e seus familiares, amigos, intelectuais e autoridades. São apresentados livros com dedicatórias e autógrafos, cartas e registros documentais que evidenciam o diálogo mantido com figuras como Jorge Amado, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Manuel Bandeira e Villa-Lobos. Por fim, o segmento que encerra todo o percurso, Imortal aborda a candidatura de Anísio à cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras, em 1971, episódio interrompido por sua morte precoce naquele mesmo ano.
*Estágiario sob a supervisão de Ana Sá