REDE PÚBLICA

Salário de professores temporáios da rede pública continua com inconsistências

Docentes de contrato temporário relatam remunerações mensais inconsistentes após troca de plataforma

Ian Vieira*
postado em 06/05/2026 00:08
Após paralisação em 23 de abril, professores continuam relatando problemas na folha salarial -  (crédito: CB/D.A.Press/Ed Alves)
Após paralisação em 23 de abril, professores continuam relatando problemas na folha salarial - (crédito: CB/D.A.Press/Ed Alves)

Após a adoção da plataforma EducaDF pelo Governo do Distrito Federal (GDF), professores de contrato temporário da rede pública do Distrito Federal relatam inconsistências no salário. Além disso, docentes expõem lentidão e falhas no sistema prejudiciais para o ensino. Os problemas gerados levaram à paralisação dos professores organizada pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) em 23 de abril.

Os profissionais da educação pública relatam que sempre houve problemas pontuais no salário, mas após a implementação do EducaDF, os erros estão recorrentes. Uma professora que preferiu não se identificar contou que no mês de abril recebeu o contracheque no valor de R$ 31,49. “De todos os casos que vimos, o meu foi o mais alarmante. A Secretária de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) só passou a dar atenção ao meu caso devido à repercussão que gerou”, afirmou.

Amanda Barreto, professora de contrato temporário da rede pública de ensino
Amanda Barreto, professora de contrato temporário da rede pública de ensino (foto: Arquivo pessoal)

A categoria denunciou também a redução nas horas de coordenação, e, consequentemente, a redução do salário mensal. De acordo com a professora Amanda Barreto, a decisão não se enquadra na rotina dos professores. “Os momentos de coordenação três vezes na semana servem para que possamos fechar notas, frequência, corrigir provas e não precisar levar serviço para casa. Entretanto, mesmo assim precisamos muitas vezes trabalhar em casa”, afirmou. “Com essa redução, além da diminuição no salário, seremos obrigados a levar serviço para casa”, disse.

Amanda criou um grupo no WhatsApp com professores de contrato temporário que estão com alterações nos vencimentos. Segundo ela, já são 650 docentes participantes com o objetivo de preencher um formulário e entender quais erros são mais recorrentes. “Percebemos que as principais inconsistências estão na região do Plano Piloto, acredito que principalmente por ser um local com grande número de alunos e poucos funcionários para resolver os problemas”, comentou.

Durante a paralisação e assembleia geral do dia 23, o Sinpro-DF exigiu uma folha salarial suplementar para abater prejuízos causados a docentes em contrato temporário. De acordo com a classe, o GDF ainda não se mobilizou para o pagamento das discrepâncias salariais.

Jéssica Motta, professora
Jéssica Motta, professora (foto: Arquivo pessoal)

De acordo com a educadora Jéssica Motta, os profissionais estão perdendo progresso de trabalhos inteiros por instabilidade no sistema EducaDF. “O sistema é falido. Temos uma rede de profissionais muito grande, então, a plataforma trava. Os professores não conseguem lançar diários e notas, o sistema fica apenas carregando e não entra.”

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informou, em nota, que a ampliação do uso do sistema EducaDF Digital para toda a rede pública de ensino integra um processo estratégico de modernização da gestão educacional.

Veja a nota na íntegra:

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informa que a ampliação do uso do sistema EducaDF Digital para toda a rede pública de ensino integra um processo estratégico de modernização da gestão educacional.

A adoção de uma plataforma única tem como objetivo unificar e integrar informações escolares, substituindo sistemas anteriormente utilizados e garantindo mais eficiência, transparência e agilidade na prestação de serviços à comunidade escolar. A iniciativa também fortalece a gestão de políticas públicas educacionais, permitindo melhor acompanhamento de aspectos como frequência, rendimento dos estudantes e execução de recursos.

A Secretaria ressalta que a transição para o ambiente digital é um caminho necessário e irreversível, alinhado às melhores práticas de gestão pública e ao uso de tecnologia para qualificar os serviços oferecidos à população.

Sobre as instabilidades relatadas, a SEEDF esclarece que o sistema está em fase de implantação em larga escala, o que pode ocasionar oscilações pontuais, como lentidão no acesso. As equipes técnicas já atuam continuamente na correção de falhas e na ampliação da capacidade da plataforma, com o objetivo de garantir a plena estabilidade do sistema no menor tempo possível.

A pasta reforça que acompanha de forma permanente o funcionamento do EducaDF Digital, prestando suporte às unidades escolares e realizando os ajustes necessários para assegurar a continuidade das atividades pedagógicas sem prejuízo ao calendário escolar.

Por fim, a SEEDF destaca que a implantação do EducaDF Digital representa um avanço significativo na modernização da rede pública de ensino, com impactos positivos diretos na organização das informações, na transparência e na qualidade dos serviços educacionais ofertados.

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá

  • Amanda Barreto, professora de contrato temporário da rede pública de ensino
    Amanda Barreto, professora de contrato temporário da rede pública de ensino Foto: Arquivo pessoal
  • Jéssica Motta, professora
    Jéssica Motta, professora Foto: Arquivo pessoal
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