Parceria da Fundação Cultural Palmares e do Ministério da Cultura, a 2° edição do projeto Ogbon Mimo — sabedoria sagrada levará, até 24 de maio, pelo menos 500 visitantes e 16 escolas da rede pública de ensino à comunidade de matriz africana Ilê Odé Axé Opô Inle, em Planaltina-DF. Objetivo da iniciativa é apresentar as raízes brasileiras e incentivar o conhecimento e o respeito pela diversidade. As escolas podem agendar a visita gratuitamente por meio do site.
Na primeira edição da iniciativa sociocultural, mais de 700 alunos visitaram a comunidade de candomblé. O passeio consiste em uma trilha de conhecimento, na qual os visitantes terão acesso a cultura, arte, gastronomia, vestuário, dança e ciência. O projeto também reforça a luta contra o racismo e a intolerância religiosa, além de promover o pertencimento e apresentar as raízes.
De acordo com um dos coordenadores, Baba Aurélio de Odé, a imersão não se trata de religiosidade, e sim de educação sobre ancestralidade e história da África. Para ele, o mais emocionante é receber avaliações positivas dos estudantes. “Nós estamos conscientizando jovens, que virarão adultos, a serem conscientes e respeitosos, não só quanto à religião, mas sim à todas culturas”, afirmou. “Ver as devolutivas dos alunos elogiando a culinária e dizendo que se emocionaram durante o teatro é muito gratificante”.
No primeiro momento, os visitantes são recepcionados com a apresentação da histórias dos orixás. Após issa introdução, eles visitam o Museu Afro-Brasileiro Ilê Odé Axé Opô Inle, que contém peças da cultura tradicional de matriz africana, sobre a importância da agroecologia e do cuidado com o meio ambiente. Os estudantes também experimentam as comidas tradicionais, como o acarajé e escutam os toques e músicas africanas.
A professora do Centro Educacional Vale do Amanhecer Deusdeni Solano comentou a importância do ensino para além da sala de aula. “Vivenciar essa visita traz uma experiência muito mais reconfortante quando falamos de história da África, colonização, desigualdade social, e, principalmente sobre racismo estrutural”, ressaltou.
Além das visitas já agendadas pelas escolas, nos dias 12 e 14 de maio, a agenda é aberta para visita gratuita das demais instituições que se interessem no projeto.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá