educação

19% dos alunos da rede de ensino particular procuram a IA quando se sentem sozinhos

Pesquisa mapeia a saúde social de estudantes de escolas particulares e aponta que meninas sofrem mais. O ensino médio é o ponto mais crítico.

João Pedro Resende de Carvalho
postado em 09/06/2026 19:17 / atualizado em 09/06/2026 20:47
Kasley Killam é cientista social formada por Harvard, cientista comportamental e uma das principais especialistas mundiais em saúde social e conexão humana -  (crédito: Aline Ramos)
Kasley Killam é cientista social formada por Harvard, cientista comportamental e uma das principais especialistas mundiais em saúde social e conexão humana - (crédito: Aline Ramos)
 
A dificuldade de estabelecer interações na vida real e manter vínculos tem levado jovens a buscarem amparo nas telas. Um estudo da Arco Educação revela que cerca de 19% dos alunos de escolas particulares usam a inteligência artificial quando se sentem sozinhos ou precisam conversar. O levantamento ouviu 936 estudantes do 6º ano do ensino fundamental ao ensino médio nas cinco regiões do país. "Os dados indicam que a solidão vai além de ter ou não amigos nas redes sociais", explica Francila Novaes, líder do estudo e gerente de Soluções Educacionais da instituição. "A solidão social resulta na utilização de ferramentas eletrônicas para suprir as carências", conclui.
Os dados foram apresentados pela pesquisadora canadense e mestre em saúde pública por Havard, Kasley Killam no Arco Day 2026, realizado em São Paulo. Segundo a especialista, a saúde é baseada em três pilares — o físico, o mental e o social — e o terceiro é o que preocupa os educadores. Saúde social, na definição dela, é o bem-estar que nasce dos vínculos. "Para a saúde física tem a aula de educação física. A mental entra, aos poucos, na conversa das escolas. A social ainda espera um lugar no currículo, pois a conexão se aprende como qualquer outra matéria" disse.
Entre os entrevistados, 65% afirmam que os colegas os tratam com respeito e gentileza na maior parte do tempo — o respeito mútuo é apontado pelo estudo como o maior ativo para reverter o isolamento. No recorte por gênero, 33,4% das meninas relatam bem mais dificuldade em fazer amizades e 23,8% afirmaram que recorrem à IA para terem interações sociais. No caso dos meninos, 20,1% falaram que demoram a fazer amizades e, somente, 12,3% possuem alguma interação com a ferramenta digital. 
A passagem de ciclo escolar funciona como um acelerador. O índice de solidão frequente sobe de 16% nos anos finais do ensino fundamental para 25,7% no ensino médio. Para 32% dos entrevistados sentem que as pessoas raramente ou nunca têm interesse no que dizem, o que segundo a pesquisa é uma lacuna na escuta entre colegas e adultos. "É importante sentir-se respeitado, amado e parte de um grupo. Quando um dos três falta, o corpo sente e, entre os adolescentes brasileiros, os números mostram que falta mais do que se imagina" concluiu a pesquisadora.
*João Pedro viajou a convite da Arco Educação
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá

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