Paraná: as ações que tornaram o estado referência na educação

O estado tornou-se o único do país a liderar simultaneamente o Ideb e o Saeb em todas as etapas avaliadas

Correio Braziliense
postado em 11/08/2026 16:13 / atualizado em 11/08/2026 17:05
Parana lidera, pelo segundo ano consecutivo, os resultados do Ideb -  (crédito: Jotta Casttro/SEEDF)
Parana lidera, pelo segundo ano consecutivo, os resultados do Ideb - (crédito: Jotta Casttro/SEEDF)

Nos dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), o Estado do Paraná consolidou-se, em 2025, como referência na educação pública no Brasil. O estado lidera, simultaneamente, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em todas as etapas avaliadas. Segundo o Secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda o avanço é fruto de um conjunto integrado de ações estruturantes.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Paraná atingiu a nota 6,9 no Ideb, enquanto à média nacional foi de 6,1. Nos anos finais, o índice chegou a 5,8, já o do país 5,0. Já no Ensino Médio, historicamente o momento mais complexo do setor, o estado alcançou a marca de 5,1, sendo a única rede estadual a ultrapassar a nota 5,0 no Brasil, onde a média nacional foi de 4,3.

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Dentre as mudanças que tornaram o aumento possível destacam-se a criação da Prova Paraná, uma avaliação periódica que mapeia as dificuldades dos alunos, e a capacitação de docentes, pedagogos e diretores nos Núcleos Regionais de Educação. Outro ponto que passou a ser valorizado foi o investimento em tecnologia, com a aquisição de chromebooks, notebooks, robótica e internet por fibra óptica. Os equipamentos foram integrados aos planos de aula e plataformas de estudos. Outro ponto importante que ganhou destaque foi a análise  dos dados em tempo real sobre frequência, aprendizagem e risco de abandono, que permitiram intervenções rápidas por parte do estado.

No foco no pedagógico, a partir do programa Parceiro da Escola foram verificadas as evoluções dos problemas estruturais desde 2023. Segundo o Secretário de Estado da Educação do Paraná, Roni Miranda, “O programa transfere a gestão administrativa, de infraestrutura e operacional para empresas parceiras, liberando os diretores para se dedicarem exclusivamente à liderança pedagógica.” A utilização do programa conseguiu reduzir pela metade a diferença histórica de qualidade entre o ensino público e o privado. Nos anos iniciais do ensino fundamental, os números caíram de 1,1 para 0,5 ponto em dois anos; no ensino médio, a diferença recuou de 1,2 para 0,8 ponto. Atualmente, o programa Parceiro da Escola, atende cerca de 61 mil estudantes em 95 colégios.

Para o diretor-executivo da APG.Gov, instituição que faz a gestão administrativa de 20 escolas públicas no estado, Frederico Melo, a grande mudança foi introduzir capacidade de resposta rápida. "Garantir o funcionamento regular das escolas foi nossa primeira meta. Quando a parte administrativa funciona, a direção ganha tempo para exercer liderança pedagógica, o professor encontra uma escola preparada para ensinar e o estudante encontra uma escola preparada para recebê-lo."

A organização do ambiente escolar também teve reflexo na presença dos estudantes. Em 2025, o Paraná registrou a maior taxa de frequência escolar do ensino médio do país, com 86,6%, superando significativamente a média nacional de 80,6%.

Os investimentos adicionais e o monitoramento constante também impulsionaram o aprendizado real em disciplinas fundamentais. Entre 2023 e 2025, a proficiência em matemática na rede estadual cresceu 10,70 pontos nos anos finais do ensino fundamental e 10,61 pontos no ensino médio. Em língua portuguesa, o avanço foi de 7,98 pontos nos anos finais e 8,48 pontos no ensino médio.

Diante do sucesso do Parceiro da Escola, o Secretário de Educação do Paraná, não descarta a expansão do programa no futuro, mas ressalta o compromisso democrático do processo. "Essa decisão será avaliada a partir dos resultados alcançados, sempre mantendo o diálogo com a comunidade escolar e o respeito aos processos de participação, como as consultas públicas", afirma.

O desafio do Paraná agora é consolidar esses resultados e avaliar a sustentabilidade das políticas implementadas para os próximos ciclos de avaliação, servindo de laboratório e inspiração para o restante do Brasil.

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