Cinco estudantes do curso técnico em química do Instituto Estadual de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (Iern) foram selecionadas para apresentar no World food forum (Wff), evento promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (Fao), em Roma (Itália). A pesquisa propõe o uso de biomassa de microalga como biofertilizante para recuperar solos da Caatinga afetados pela desertificação.
As alunas Ana Júlia Câmara Brum, 16 anos, Maria Clara Galdino e França, 17, Maria Vitória Hora Tavares, 16, Helena Marillac, 15, e Ana Terra Duarte, 15, integram o projeto Ka'atinga, iniciativa que nasceu dentro da escola pública e ganhou reconhecimento internacional ao ser escolhida para integrar um dos principais fóruns mundiais sobre alimentação, agricultura e sustentabilidade.
-
Leia também: Alunos do Colégio Militar de Brasília ganham primeiro Lugar em competição de matemática
A pesquisa estuda o potencial da microalga Scenedesmus como biofertilizante para auxiliar na recuperação de áreas da Caatinga afetadas pelo processo de desertificação. A microalga é capaz de capturar dióxido de carbono durante o desenvolvimento e, quando cultivada em meio nutritivo adequado, produz uma biomassa rica em nutrientes e matéria orgânica que pode ser aplicada ao solo para melhorar sua qualidade. O trabalho integra conhecimentos de química, biotecnologia e sustentabilidade desenvolvidos por estudantes da rede pública estadual.
O Wff 2026 está ocorrendo até 16 de outubro, na sede da Fao, em Roma, reunindo representantes de governos, organizações internacionais, academia, setor privado e sociedade civil para debater a transformação dos sistemas agroalimentares globais.
Para Ana Júlia, uma das integrantes da equipe, representar o Rio Grande do Norte em um evento internacional vai além da apresentação da pesquisa científica. "Levar essa pesquisa para o WFF representa ressignificar o que é ser estudante de escola pública. Mais do que isso, o único grupo de estudantes do ensino médio no WFF 2026 ser completamente formado por alunas mulheres norte-rio-grandenses reafirma nosso protagonismo científico e a luta pela justiça social, além de inspirar outras estudantes de rede pública, mulheres, nordestinas e norte-rio-grandenses", destacou.
O convite para participar do evento surgiu após a pesquisa ser submetida à FAO com o apoio da colega Carolina Damasio, da NextGen, que auxiliou o grupo no envio do trabalho. Quando receberam a notícia do reconhecimento pela ONU, as estudantes relataram surpresa e alegria. "Ficamos desacreditadas que alunas do ensino médio público foram reconhecidas pela própria ONU. Sabíamos que era uma experiência ímpar e nunca tinha passado pelas nossas cabeças esse resultado", comentou Ana Júlia.