Aprovação

Após quatro anos tentando medicina, estudante conquista o 1º lugar na UFG

A caloura foi aprovada também no curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP)

Gabriela Braz
postado em 16/02/2026 14:22 / atualizado em 16/02/2026 17:16
A trajetória de persistência de Giovanna Fagundes até o 1º lugar em Medicina na UFG -  (crédito: Arquivo pessoal)
A trajetória de persistência de Giovanna Fagundes até o 1º lugar em Medicina na UFG - (crédito: Arquivo pessoal)

Aos 22 anos, após quatro ano de intensa preparação, a estudante  Giovanna Fagundes, conquistou o primeiro lugar no curso de medicina na Universidade Federal de Goiás (Ufg) e uma aprovação na Universidade Federal de São Paulo (USP). Desde pequena, ela carrega o desejo de ser médica. Por toda a trajetória escolar, tinha uma certeza: iria para a área da saúde.

Com a decisão de estudar para um dos cursos mais concorridos do Brasil, Giovanna começa os estudos no último ano da escola. Nesse tempo, mudou para um colégio preparatório e acumulou uma base sólida de conteúdos que seria essencial para realizar as provas. A jornada dela foi marcada por quatro anos intensos, resolvendo equações de matemática e aprofundando argumentos para redação.

A jornada de estudo

A rotina de Giovanna começava logo cedo: acordava às 5h e se preparava para sair às 7h em ponto. O cursinho de que fazia parte era afastado de sua moradia e, ao chegar no local, logo abria o caderno, que só seria fechado quando chegava à noite. Na época dos vestibulares, a jovem terminava os estudos em casa, e, todo tempo disponível era usado para revisão dos conteúdos.

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Dentro do cursinho, sempre usufruiu dos professores para dúvidas pendentes e avançava nos conteúdos aprendendo com os erros. “Antes, matemática e física eram meu pesadelo e, com anos de estudos e muitas questões, virou um dos meus pontos fortes nas provas”, disse. A jornada dos estudos a obrigou a aprender além dos conteúdos; o esforço e a concentração tiveram de ser trabalhados para uma melhor absorção do que havia sido passado nas aulas.

“Não me via fazendo outra coisa que não fosse medicina. Os pensamentos de desistência eram momentâneos e muitos vinham após as reprovações. Minha expectativa era grande e, ao enfrentar um resultado ruim, ficava frustrada”, lembra. A vida de vestibulanda testava Giovanna nos mínimos detalhes; os pensamentos negativos e os momentos de querer viver uma vida fora da sala do cursinho causavam inseguranças. Em quatro anos de tentativa, foi preciso relembrar sua motivação todos os dias. Ela completa: “Quando não passava, tentava me manter esperançosa ao pensar que tudo o que eu aprendi seria usado no próximo ano para mais uma tentativa. Nós nunca desaprendemos o que aprendemos de verdade”.

 

Giovanna Fagundes e sua família comemorando aprovação
Giovanna Fagundes e sua família comemorando aprovação (foto: Arquivo pessoal)

Equilíbrio e desafios

O cansaço fazia parte do dia a dia. Sem redes sociais ativas, Giovanna recuperava suas energias em casa, assistindo a um filme com a família e aproveitando momentos de paz com os amigos. O essencial para sua aprovação foi o incentivo de quem a amava. “Meu namorado, amigos e família foram compreensíveis e sempre me apoiaram. Nunca me fizeram sentir mal por não conseguir passar tempo suficiente com eles”, ela afirma. Além de passar no curso, ela prometia: “Só volto a postar no Instagram de novo quando for a foto da minha aprovação”. Este ano, cumpriu sua palavra.

Os momentos com a família, namorado e amigos, por mais que poucos, eram importantes para equilibrar o estudo pesado. “Os momentos de risada me deixavam descansada e renovada para um novo dia. Percebi que os dias de diversão, às vezes, eram até mais importantes do que uma boa noite de sono”, ela conclui.

Após aprimorar seus conhecimentos em exatas, Giovanna relata a dificuldade que teve em linguagens. A interpretação, ponto crucial para resolver questões das matérias de literatura e português, foi um desafio para a jovem. A leitura e a resolução de exercícios a ajudaram no acerto em linguagens e a deixaram confiante para a preparação da redação.

Antes de prestar os vestibulares, Giovanna comenta: “um dia antes tentava descansar completamente, em algumas provas tentei separar até cinco dias de descanso para ficar tranquila e não deixar a ansiedade vencer e acabar estudando até o último segundo”. Após um ano intenso de cursinho, a preocupação poderia interferir na realização da prova, para a jovem foi essencial focar em coisas que traziam conforto e dormir bem antes do dia decisivo.

Mudança no Sisu

Em 2025, a jovem e outros milhões de estudantes foram surpreendidos com a notícia da mudança do Sisu. O Ministério da Educação ampliou o sistema e, a partir deste ano, foi possível concorrer ao Sisu com as notas dos anos de 2023, 2024 e 2025. Aumentando a concorrência, o curso de medicina, que tem uma das maiores notas de corte, poderia sofrer alterações. A mudança dificultou mais ainda o sonho da aprovação na federal. Giovanna revela sua insatisfação quanto à notícia: “Na época, fiquei ainda mais ansiosa com a notícia. Foi no meio do processo dos estudos e ninguém esperava por isso. Eu e outros vestibulandos ficávamos com medo de essa nova medida tirar ou prejudicar nossas vagas”

A aprovação em medicina e metas futuras

Natural de Goiânia, Giovanna decidiu estudar na UFG.  “Meu sonho de adolescente era a cidade grande e estudar na famosa USP. Atualmente, com 22 anos, a federal de Goiás ocupa um espaço muito grande no meu coração”.

“Só não passa quem desiste”, a jovem afirmava na sua cabeça e, hoje, repete a frase aos que continuam no processo da aprovação. Sua mensagem de esperança aos vestibulandos é: “Continuem estudando e se esforçando sempre. Estudar é uma oportunidade, então, curtam o processo”. Com o alívio de estar matriculada, Giovanna pretende conciliar os estudos e a diversão. Daqui para frente, sua meta é aproveitar a juventude com amigos e o esforço para se tornar uma excelente profissional.

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá. 






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