Eu, Estudante

Aprovação

De Luziânia para a medicina na UnB: jovem é aprovado no vestibular no PAS

Marcos estuda para medicina desde o ensino médio e entre graduações e desafios, conseguiu sua aprovação

Morador de Luziânia, Marcos Caldas, de 23 anos, realiza o sonho de ser aprovado na Universidade de Brasília (UnB) no curso de medicina. Além da aprovação pelo vestibular tradicional, também foi convocado pelo Programa de Avaliação Seriado (PAS). O jovem é apaixonado pela área da saúde desde pequeno.

“Vejo a medicina como algo que quero fazer pelo resto da minha vida”, comenta Marcos. A beleza da profissão o encantava, e ele complementa: “Esse curso junta duas coisas que eu amo: biologia e ajudar as pessoas”.

Entre a química e a medicina

Marcos carrega a vontade de fazer medicina desde o ensino médio. Sua trajetória de vestibulando iniciou nos últimos anos da escola, e ao se formar decidiu entrar para a graduação de química, no Instituto Federal de Goiás (IFG). Mesmo na faculdade, sua ambição era maior, queria fazer medicina na Universidade de Brasília. “Meu sonho era UnB, sempre admirei as universidades públicas. Minha relação com a federal de Brasília é especial, ia tentar até conseguir “, ele acrescenta.

Em 2022, o Programa de Avaliação Seriado (PAS) ampliou seu sistema: a prova, que antes era dividida apenas entre os anos do ensino médio, passou a ser acessível a todos. Marcos aproveitou a oportunidade e estudou por três anos para cada etapa da prova. Sua motivação foi a chave para o seu sucesso. 

Sua rotina puxada começava logo pela manhã, ia para o estágio e nos períodos livres de trabalho, sempre aproveitava para resolver equações. A tarde seu tempo era exclusivo para o aprendizado das matérias, eram em média seis horas por dia para o vestibular, fora os finais de semana, que alternavam entre momentos de descanso e revisão. E seu dia terminava na faculdade. 

Desistir da graduação em química para focar no cursinho foi uma possibilidade. Mas, com um ano de curso completo, Marcos não tinha a intenção de trancar; havia um incômodo em fechar o semestre e acabar não concluindo. Dessa maneira, levou a ideia adiante e manteve um pensamento: “A química da faculdade pode até me ajudar na parte de exatas do vestibular” e, de fato, auxiliou.

Com livros e apostilas, o calouro aprendia as matérias e as colocava em prática com os simulados. “Estudar sozinho em casa foi complicado. Eu me trancava no quarto e ficava horas estudando; precisava ser assim, não podia deixar outras coisas tirarem minha atenção”, afirma o jovem. As maiores dificuldades do processo foram manter a constância, acreditar no próprio potencial e manter o foco apesar das reprovações. Além do estudo em casa, existiam os desafios de morar sozinho e cuidar de suas próprias responsabilidades.

“Me agarrei ao meu propósito”, comenta Marcos. O desejo de estudar medicina no ensino superior era maior que qualquer pensamento de desistência.

Arquivo pessoal - O crescimento no estudo

O crescimento no estudo

A técnica de estudo certa é poderosa para qualquer candidato. No caso de Marcos, realizar provas antigas, quadro de questões e flashcards fixou o conteúdo na cabeça da melhor maneira. A questão emocional também faz parte do processo.

"Não saber lidar com as emoções pode fazer você desistir na primeira reprovação", ele comenta. Modificar certos hábitos foi preciso, da mesma forma que entender os próprios sentimentos. A leitura e um bom exercício físico deixaram a vida de vestibulando mais leve durante o processo.

O uso do celular foi reeducado. “Era necessário silenciar grupos e notificações. Me afastei do Instagram durante esses anos; nada disso me fazia crescer no estudo e tirava muito do meu tempo”, o calouro conclui.

Para os estudos das obras, ele entendeu o que muitos deixam para trás: “Não adianta ver um vídeo de análise da obra, precisa ter um contato direto com elas. Sempre adicionei as obras ao meu cotidiano, lia os poemas e livros e entendia o sentido e o contexto da obra no meu dia a dia”. Consumia as obras obrigatórias, fazia uma análise prévia do que tinha aprendido e reforçava com a explicação do cursinho — um método eficaz para aprender as músicas, documentários e livros exigidos pela banca.

Renúncias e metas

Além de uma rotina intensa de estudos, Marcos precisou abdicar de momentos de saída, viagens e passeios. Para equilibrar matérias da faculdade e conteúdos do cursinho, a vida social ficou em segundo plano. As horas livres sempre eram utilizadas para revisão e refazer questões antigas

Os sábados e domingos eram um equilíbrio de revisões leves e descanso para o início da semana. Treinos, idas ao cinema e ao parque eram como Marcos aproveitava seus momentos de lazer.

Desde as incertezas dos estudos até os pulos de comemoração da aprovação, sua fé católica se manteve viva. Ao pensar na carreira de médico, o jovem era motivado a mais um dia de estudo.

Hoje, ele se organiza para iniciar sua segunda graduação e prepara novas metas para o ano que o aguarda. Marcos pretende aproveitar a UnB ao máximo: fazer colegas de curso, iniciar pesquisas e artigos, entrar para a atlética, entre outras ambições. “Vou sempre me dedicar às matérias para ser um profissional que tenha tanto a habilidade técnica quanto a sensibilidade humana que a profissão exige”, ele conclui, ansioso com a nova era.

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá