Justiça determina que a OMB suspenda oferta de títulos de especialista a médicos

A Justiça Federal de Santa Catarina concedeu liminar em ação judicial impetrada pela Associação Médica Brasileira (AMB)

Ian Vieira*
postado em 19/03/2026 17:43
César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) -  (crédito: Divulgação/AMB)
César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) - (crédito: Divulgação/AMB)

A Justiça Federal de Santa Catarina determinou o impedimento da Ordem Médica Brasileira (OMB) de ofertar, divulgar ou anunciar a concessão de títulos de especialista médico por qualquer meio ou rede social. A entidade deverá excluir eventuais publicações veiculadas nesse sentido e interrompera divulgação de conteúdos difamatórios ou inverídicos contra a Associação Médica Brasileira (AMB). A entidade terá 24h para cumprir a decisão, sob pena de multa diária.

A liminar foi impetrada pela Associação Médica Brasileira (AMB) em ação judicial envolvendo a Ordem Médica Brasileira (OMB). A medida, concedida pela Justiça Federal de Santa Catarina, reconheceu a vericidade jurídica da tese defendida pela entidade médica quanto à impossibilidade de oferta ou divulgação de títulos de especialista médico fora do padrão legal vigente no Brasil.

A decisão está fundamentada na legislação que rege a formação e certificação das especialidades médicas no país, Lei nº 6.932/1981 e o Decreto nº 8.516/2015. Essas normas estabelecem que a nomeação de títulos de especialista ocorre por meio das sociedades de especialidade vinculadas à AMB ou pelos programas de residência médica credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica.

O presidente da AMB, César Eduardo Fernandes, ressaltou que a decisão representa uma vitória fundamental para a medicina brasileira e para a segurança da assistência prestada à população: “A Justiça reconheceu aquilo que a comunidade médica sempre defendeu: a certificação de especialistas no Brasil segue regras claras, estabelecidas em lei, e não pode ser objeto de iniciativas paralelas que coloquem em risco a qualidade da formação médica e a segurança dos pacientes”.

Fernandes também complementou dizendo que a decisão judicial é um marco que protege a seriedade da formação médica no Brasil. "Reforça que a certificação de especialistas deve seguir critérios técnicos, responsáveis e comprometidos com a qualidade da assistência à população”.

A entidade informou ainda que seguirá adotando todas as medidas institucionais e jurídicas necessárias para proteger o sistema brasileiro de certificação de especialistas e manterá seus associados permanentemente informados sobre o andamento do processo, em respeito ao princípio da transparência.

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação