Yandra Martins*
postado em 18/01/2026 06:00 / atualizado em 18/01/2026 06:00
. - (crédito: Reprodução)
Para se destacar de forma positiva no ambiente de trabalho, é importante estar ciente das regras que constam no popular “manual de boas práticas” — ou boas maneiras. O manual que existe como uma espécie de acordo social funciona como um guia que pode definir padrões de conduta, comunicação e comportamento no mundo dos negócios. Esses princípios universais, para a coordenadora de desenvolvimento humano e organizacional Daniela Barchi, 41 anos, impactam diretamente na reputação e confiança que um profissional transmite.
Mas, apesar do senso comum, profissionais no ramo do posicionamento de imagem e da etiqueta profissional destacam pontos cruciais para garantir credibilidade e profissionalismo no dia a dia corporativo a partir do que é conhecido como “etiqueta profissional”. O respeito, a cordialidade, a ética e a empatia são princípios básicos a serem seguidos, segundo Daniela. De modo mais específico, a especialista faz referência a importância da organização do espaço físico e digital, o respeito aos horários, a atenção ao uso do celular, evitar debates políticos, religiosos e polêmicos e evitar também comentários pessoais que possam gerar desconfortos, para garantir uma boa imagem.
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Em um cenário de relações cada vez mais diversas, a forma de se vestir e de se portar é tão importante quanto as habilidades técnicas que antes já eram valorizadas. Para a consultora de imagem e etiqueta, Anna Brito, 44, o termo “etiqueta profissional” trata-se da melhor forma de se relacionar com aqueles à sua volta. Ela destaca comportamentos como ter uma boa comunicação, postura ética e colaborativa e cuidar da apresentação pessoal, para transmitir respeito e reforçar que a etiqueta deve ser entendida como ferramenta de convivência que favorece as relações no contexto profissional.
Geração Z e as críticas
Ao ingressar no mercado de trabalho, muitos jovens se deparam com dificuldades em adaptar à rotina e às demandas que surgem junto à nova fase. Uma pesquisa publicada em abril de 2023, pelo software para currículos Resume Builder, aponta que 12% dos 1000 líderes e gestores entrevistados demitiram um funcionário nascido entre 1997 e 2010, grupo conhecido como Geração Z. Segundo a pesquisa, um dos principais motivos para a ação é a facilidade do grupo em se sentir ofendido por não saber lidar com críticas.
Alex Moreira, 20, iniciou a vida profissional aos 12 anos no mercado de trabalho informal. Aos 17, ingressou no curso de direito da Universidade de Brasília (UnB) e logo buscou trabalhar em sua área de formação. Segundo ele, a geração a qual faz parte tende a ser mais aberta a diálogos em comparação às anteriores. Como justificativa, ele afirma que é um grupo de pessoas que nasceu de grandes revoluções e em meio a tecnologias e inovações, logo, está sempre em busca de novos aprendizados e com isso, recebe com maior facilidade críticas que podem se tornar em lições.
Ainda de acordo com os dados obtidos na pesquisa, 74% dos entrevistados afirma que esta é a geração mais difícil de se trabalhar. Para a advogada e analista de RH Úrsulla Martins, 35, os problemas atuais não estão diretamente relacionados à geração, mas sim ao quadro de funcionários em idade ativa. Ela afirma que a principal dificuldade no mercado de trabalho está atrelada a falta de comportamentos adequados e que respeitem a empresa como o ambiente que ela representa. Úrsulla destaca também a carência no que diz respeito à valorização do conjunto: “A falta do olhar de equipe, não apenas do ‘eu’ “.
Etiqueta no mundo virtual
Com o passar dos anos, as relações profissionais foram sendo modificadas cada vez mais pelas empresas e funcionários, o que exigiu mudanças, também, no que tange ao comportamento e necessidade de adaptação. Na era da tecnologia, principalmente no pós pandemia, outros modelos de trabalho surgiram e com eles dúvidas a respeito dos limites a serem traçados entre o profissionalismo e a suposta “frieza” da tecnologia.
Segundo a especialista Daniela, as relações de trabalho tornaram-se mais digitais, mais rápidas e, ao mesmo tempo, mais sensíveis. Ela afirma que “houve uma diluição maior entre vida pessoal e profissional, o que exige ainda mais atenção aos limites, horários e formas de comunicação.” Para ela, a falta do contato presencial ampliou a importância da clareza, do respeito ao tempo do outro e do cuidado com a linguagem, especialmente em mensagens e reuniões virtuais.
O ambiente digital também carece de etiqueta, e saber usar redes como WhatsApp, e-mail, Instagram e plataformas de reunião é essencial para garantir a boa comunicação, ou seja, uma linguagem clara, respeitosa, assertiva e sem ruídos. A consultora Anna Brito destaca que essas novas ferramentas podem ainda ser aproveitadas em prol da imagem do profissional. Saber quando e como utilizar cada recurso, além de manter o cuidado com a exposição e os comportamentos em meio a internet podem elevar a concepção de clientes e líderes a respeito do indivíduo.
A importância da vestimenta
Fernanda Moulin, 35, fundadora e especialista da MOAR Consultoria de Imagem e Estilo, considera que quando a vestimenta está alinhada ao contexto, ao cargo e ao discurso, ela reduz ruídos e transmite clareza e preparo. Para Fernanda, a imagem pessoal deve traduzir personalidade, mas também ser coerente com o espaço em que o profissional está inserido. Para vestir-se da melhor maneira, ela frisa a importância de checar a agenda, previsão do tempo, como será o deslocamento e o nível de formalidade do ambiente para se sentir bem e adequado aos demais presentes, mas sem perder a identidade pessoal.
O estudante de direito, que atualmente estagia no Tribunal Superior, diz que o seu local de trabalho não possui um código de vestimenta rígido, mas devido a seriedade do local, existem alguns cuidados a serem tomados. Segundo ele, opta sempre por usar terno completo e estar formal para evitar preconceitos em relação a cor e o modo de se vestir.
Sugestão para as lideranças
Sidney dos Santos Alves, 45, gerente de soluções na área de compliance, atua há cerca de 18 anos na mesma instituição financeira, característica que, para ele, é associada ao modo como lidou com a etiqueta profissional ao longo de sua carreira. Ele afirma que a postura adotada por ele e o alinhamento dos próprios valores com os valores da empresa influenciaram direta e positivamente na permanência e crescimento dentro da instituição.
Fernanda Moulin pontua que a competência, autoridade e confiança não são características transmitidas unicamente pelas entregas do profissional, mas sim pela coerência do que faz, fala e apresenta. Para garantir autoridade, ela enfatiza: “A autoridade nasce quando a imagem sustenta o lugar que você ocupa ou deseja ocupar”. Também a respeito de autoridade, ela destaca: “Não é sobre formalidade excessiva, mas sim sobre presença com intenção.”
Para Anna Brito, um bom líder conduz o comportamento, não impõe. Diante deste pensamento, ela destaca que comunicar-se com clareza e gentileza, cultivar respeito e ser exemplo de postura ética são características que promovem um clima de confiança e bom relacionamento no ambiente profissional. Com intuíto de garantir o respeito e autoridade, ela aconselha líderes a manterem a boa postura diante da equipe por meio da apresentação e preservação dos próprios valores, do respeito, do trabalho de forma ética e responsável e atuar sempre com empatia, maturidade e inteligência emocional.
*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá