Determinação

Imparáveis: aprovações de concurseiros viram livro

Gabriel Granjeiro lança livro com 28 histórias de concursados que, destemidos, não desistiram da aprovação, e mostra como o foco e a disciplina podem levar os candidatos a vagas inimagináveis

Sofia Sellani*
postado em 15/02/2026 06:00 / atualizado em 15/02/2026 06:00
CEO da Gran, Gabriel Granjeiro: Os relatos não são para se comparar, mas para se inspirar
 -  (crédito: Divulgação)
CEO da Gran, Gabriel Granjeiro: Os relatos não são para se comparar, mas para se inspirar - (crédito: Divulgação)
 
Estudar sempre vale a pena.” Com o objetivo de motivar concurseiros que estão sem esperanças, Gabriel Granjeiro, CEO do Gran, maior edtech do país especializada na preparação para concursos públicos, lançou o livro Imparáveis. A obra reúne 28 relatos de superação em formato de crônicas, de pessoas que conquistaram a sonhada aprovação em seleções do serviço público. 
De acordo com Granjeiro, ser “imparável” não significa ser invencível. “É não desistir. Nos momentos de dificuldade continuar acreditando e fazendo o seu melhor, mesmo nos dias difíceis”, afirmou. 
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Há mais de seis anos, o canal de Granjeiro chamado Imparável, no YouTube, soma mais de 350 entrevistas conduzidas pelo CEO, com testemunhos de aprovados em concursos públicos. A ideia do livro surgiu a partir de sugestões dos seguidores. “Os relatos não são para se comparar, mas para se inspirar. Cada um tem o seu caminho”, destaca. 
A jornada de um concurseiro não é fácil, exige disciplina e resiliência. O CEO lembra que enfrentar as reprovações e frustrações faz parte do processo. A seguir, acompanhe alguns dos relatos dos imparáveis no livro.  

Dedicação 

Ivonete Granjeiro, consultora legislativa na Câmara Legislativa do Distrito Federal
Ivonete Granjeiro, consultora legislativa na Câmara Legislativa do Distrito Federal (foto: Divulgação)

“Se eu paro, saio da fila, e quem sai da fila não vê a porta abrir”, esse é um dos lemas de  Ivonete Granjeiro, mãe do autor, que mesmo após ter ‘congelado’ o sonho de ser concursada, não desistiu.  
O livro, que começa com a história de Ivonete, conta que a vida da atual servidora nem sempre foi fácil. A família, após ser expulsa de uma invasão, mudou-se para Ceilândia quando Ivonete era pequena. Mas, diferentemente da cidade atual, o terreno, na época, não tinha oportunidades nem qualidade de vida.  
Com sete anos, equilibrava latas de 20 litros de água na cabeça e fazia três viagens diárias para que a família pudesse usar a água. Após a proposta para o pai virar guarda do Grupo Especial de Brasília (GEB) para vigiar detentos, a infância passou a ter mais cor. Aos 9 anos, recebeu o primeiro ovo de Páscoa, que foi dividido entre entes queridos. 
Em meio a conflitos familiares, encontrou refúgio na biblioteca da escola, e lembra quando a mãe falava: “Estuda, menina. A pobreza não suporta um diploma”. A consequência das horas lidas foi o vocabulário melhorado. Aos 17, atuava como professora, porém o sonho era o direito. Após anos, tentou um concurso para analista no Senado, mas, por um deslize, não passou. 
Com mais de 50 anos, a aprovação veio: no ano passado, a notícia de que havia passado no concurso da Câmara Legislativa do Distrito Federal para a área de direitos humanos alegrou a todos. Foram mais de 35 mil questões, enxaquecas pelo cansaço e cotovelos inflamados. “Você sabe o que quer? Aceita o preço?”, diz quando perguntam o segredo. 
Hoje, atuando na Procuradoria Especial da Mulher, trabalha com projetos de autonomia financeira, empreendedorismo feminino e preservação contra a violência doméstica. E é a primeira graduada, mestre, doutora e consultora legislativa da família.   

Superação 

Técnico do Tribunal Regional Eleitoral, Lucas Macedo: ex-frentista de posto de gasolina
Técnico do Tribunal Regional Eleitoral, Lucas Macedo: ex-frentista de posto de gasolina (foto: Divulgação)

Lucas Macedo tinha três anos quando a casa em que morava pegou fogo. Nascido na zona rural da Bahia, em uma região sem energia elétrica, uma troca de botijão na cozinha deixou os primeiros marcos na vida. 
A mãe sempre dizia que estudar era o único atalho, “o equivalente a caminhar quilômetros até o ponto em que, talvez, passasse um carro”. Por necessidade, de 2011 até 2020, trabalhou em um posto de gasolina. O até então frentista levava uma rotina exaustiva.  
Mas Macedo nunca foi de desistir. Concursos públicos viraram o foco. Mas o inusitado ocorreu. No início da jornada como concurseiro, esqueceu-se de copiar a frase obrigatória da capa da prova, e, apesar de ter se saído bem, a nota não foi computada.  
O descuido, porém, não o desmotivou. Percebeu que a disciplina era a chave para o sucesso. Em dias úteis, ao chegar do trabalho, tomava banho, jantava e estudava de 21h até 0h. Nas folgas, o esforço continuava. Começava às 8h e finalizava de madrugada. Nem os horários de almoço escapavam. Comia rápido e colocava videoaulas em velocidade acelerada e captava o máximo. 
Apesar do esforço, oportunidades foram deixadas pela falta de dinheiro. Sabendo da dificuldade, com 15 dias  para a prova do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE- -PA), em Belém, o colega Miquéias apostou no amigo. Conseguiu um cartão e parcelou os custos. 
Após a espera, lá estava o nome de Macedo em 2° lugar das cotas raciais e em 34° na ampla concorrência. Hoje, Macedo é técnico do Tribunal Regional Eleitoral no interior do Pará. Com a graduação pela Gran Faculdade, o servidor já mira em concursos de nível superior. 

Foco 

Márcia Teixeira, assistente social da Polícia Federal: Não pare. Comece com o que tiver
Márcia Teixeira, assistente social da Polícia Federal: Não pare. Comece com o que tiver (foto: Divulgação)

Márcia Teixeira aprendeu, desde cedo, que era preciso lutar e ter coragem para alcançar os sonhos. Cresceu vendo a mãe trabalhar duro, em uma casa em que faltava, muitas vezes, até comida. Foram as diárias como faxineira e o salário de balconista que passaram a pagar as mensalidades escolares.  
Aos 22, veio o casamento, filhos e o curso de pedagogia. Porém, o sonho de se graduar acabou quando a família teve que mudar de estado por conta do trabalho do marido. Quando se aposentou, disse para Teixeira: “Vá atrás do seu sonho”, e, assim, a jornada dos concursos começou. 
Escutava videoaulas no ônibus, ao lado do escorredor na pia, deixava materiais plastificados, nas madrugadas segurava o bebê enquanto fazia simulados. Para melhorar o foco, cortou a internet e passou a usar uma revista especializada em concursos para decifrar a linguagem “estranha” 
Logo, o esforço foi recompensado. O nome ficou no topo da lista de aprovados  como agente de pesquisa e mapeamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram quase três anos com o salário que comprava mais livros, cópias e passagens.  
Foi, então, que na polícia federal, área administrativa em Cuiabá, havia apenas uma vaga. Lugar que Teixeira conquistou. Hoje, com quase 40 e sete filhos, atua como assistente social em Macaé. A mensagem é clara: “Não pare. Comece onde der, com o que tiver, do jeito que puder”

Disciplina  

Foi na eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2018 que Alexandre Falchi teve uma lesão cerebral que paralisou todo o lado esquerdo do corpo. Dos 26 aos 44 anos, Falchi dedicou a vida lecionando aulas de biologia. 
Alexandre Falchi, auditor-fiscal de atividades urbanas do GDF: superação
Alexandre Falchi, auditor-fiscal de atividades urbanas do GDF: superação (foto: Divulgação)
A condição mudou o rumo da vida do amador de tênis e corredor. A incapacidade de fazer atividades básicas também resultou no divórcio e no afastamento das escolas. O que sobrou foram a fisioterapias e videoaulas do Gran para concursos. 
a concursos. Enquanto reaprendia a andar, descobriu as vagas reservadas para pessoas com deficiência em concursos públicos. Estava na hora de recomeçar. Com auxílio de um professor, definiu cronogramas e iniciou os simulados.  
Mesmo sendo recusado na primeira tentativa, não desistiu. A área de tecnologia da informação interessar-lhe, e o que mais chamou a atenção, além dos salários melhores, foram os conteúdos das provas, que continham muito mais lógicas que disciplinas jurídicas. 
Fez uma graduação curta específica em Tecnologia da Informação (TI) e emendou uma pós- -graduação. As reprovações, sempre vistas como motor para continuar. “Se com um ano de estudo fiquei por um triz, (se referindo  a prova do Tribunal de Justiça do Distrito Federal) estou no caminho certo”, disse.  
Agora, aos 51, é auditor-fiscal de atividades urbanas do Governo do Distrito Federal (GDF), na área ambiental. Afirma que a fórmula mágica se resume em não desistir. “Dias difíceis são inevitáveis. A diferença está no que se faz deles” 

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Livro Imparáveis de  Gabriel Granjeiro
Livro Imparáveis de Gabriel Granjeiro (foto: Divulgação)

Lançado este ano, a obra é 100% filantrópica. O valor arrecadado vendido é doado ao Instituto Sai Pobreza, organização sem fins lucrativos que ajuda crianças vulneráveis a terem materiais escolares de qualidade. Ao comprar o livro, consequentemente fazendo a doação, uma criança consegue receber o material de qualidade equivalente para um bimestre. 
Para fazer a compra, acesse a loja social do gran: https://l1nq. com/dBnnn e garanta o livro pelo valor de R$ 39,90. 
Estagiária sob a supervisão de Ana Sá

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