Eu, Estudante

Experiência

O primeiro passo importa: como o Jovem Aprendiz abre portas

A atuação inicial no mercado de trabalho, por meio do programa Jovem Aprendiz, pode definir caminhos futuros e abrir portas importantes para carreiras promissoras.

 
Diz o ditado que a primeira impressão é a que fica, mas, no ambiente profissional, ela pode ser determinante para futuras oportunidades. Em novembro de 2025, o Brasil alcançou um recorde histórico e registrou 715 mil contratos ativos de jovens aprendizes. Para Aline Ferreira, diretora da Demà Aprendiz — maior especialista em aprendizagem do Brasil — esse é um marco significativo. Segundo ela, o programa de aprendizagem é “o primeiro degrau” que abre portas aos jovens e gera um real impacto na vida de cada um. Aline afirma que é a partir desse momento que a juventude passa a ter uma perspectiva para o futuro profissional.  
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A Lei nº 10.097/2000, conhecida como Lei da Aprendizagem ou Lei do Aprendiz, que completou 25 anos em dezembro do último ano, é a responsável por elevar cada vez mais os índices de jovens empregados no país. A norma exige que empresas de médio e grande porte reservem um percentual do quadro de funcionários para cidadãos entre 14 e 24 anos. Para Aline, que atua há 23 anos na empresa e teve a oportunidade de acompanhar a trajetória de milhares de participantes do programa, a diretriz cumpre seu papel de proteção à infância e combate ao trabalho infantil e à evasão escolar.  

Relevância 

Um estudo produzido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) concluiu que a participação no Programa Jovem Aprendiz gera impacto direto na inserção no trabalho e na renda ao longo da trajetória de carreira dos participantes. Segundo a pesquisa, há um aumento de sete a 10 pontos percentuais na taxa de emprego formal, bem como alta de 24% a 35% na renda quando chegam à faixa etária entre 25 e 29 anos. A comparação foi feita com indivíduos da mesma idade que não participaram da iniciativa e não obtiveram os mesmos resultados.  
A profissional da Demà Aprendiz  entende que o programa é a política pública mais perene e contínua que existe no país voltada à juventude. De acordo com ela, dados como o aumento constante no número de contratos ativos dessa categoria também exibem a força e a maturidade desta legislação. Aline destaca o quão importante é a presença dos jovens na ação para possibilitar que eles encontrem novos horizontes, novas descobertas e passem a lidar com o aumento de perspectiva, esperança e visão de futuro.  

Primeiro emprego 

Arquivo pessoal - Gabriel participou do Jovem Candango
“O programa de aprendizagem  abriu as portas para estar na empresa em que estou hoje”, disse Gabriel Yan Ribeiro, 19 anos. O rapaz entrou para o programa de aprendizagem Jovem Candango em 2023 e se formou em dezembro de 2025. Ao longo da trajetória, atuou, principalmente, na área de tecnologia da informação (TI) como jovem aprendiz na Secretaria de Esportes e Lazer do Distrito Federal. Segundo ele, foi a partir dessa experiência que pôde determinar qual seria o caminho a ser seguido.  
Segundo dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego, o perfil traçado dos brasileiros que optam por participar dessa política direcionada aos jovens adultos está, especialmente, na faixa de até 17 anos, com mais de 418 mil dentro dessa categoria, sendo, assim, o primeiro emprego formal para muitos cidadãos. A importância de uma primeira oportunidade é destacada pela psicóloga Stephany Gutierrez, que pontua: “A partir da primeira vivência, é possível sedimentar a prática profissional e ampliar o horizonte de possibilidades a partir das experiências adquiridas”, conclui.  
Gabriel, que está no quinto período — semestre — da faculdade de TI, sente-se orgulhoso em dizer que atualmente é funcionário efetivo de uma empresa privada e atua dentro da área que escolheu, graças a sua primeira experiência profissional no programa. Para ele, a vivência pode ser comparada a um “papel em branco em que você pode escrever a própria história.” Dado o papel, ele conta que sua trajetória foi de muito aprendizado e boas memórias.  

Experiência 

Dentro do programa de aprendizagem da Demà Aprendiz, os jovens costumam possuir, segundo Aline, contratos de 24 meses. Ao iniciar o processo, o estudante passa por uma formação inicial de 10 dias e, após essa etapa, precisa comparecer à sede uma vez por semana para as aulas teóricas ou práticas, como é dividido na empresa. Após a contratação, o aluno passa a ter direitos reservados e amparados pela lei, como férias, décimo terceiro, entre outros.  
Ao longo dos 24 meses, a trajetória pode não ser tão simples. Jhennyfer Samilly da Silva, 17, comenta que sempre teve vontade de trabalhar e conquistar a independência financeira. Segundo ela, é uma vontade que existe desde os 14 anos. Ao entrar no programa há cerca de 10 meses, Jhennyfer, que é estudante de colégio militar, destaca a rotina considerada por ela um tanto quanto corrida. De acordo com a jovem, nunca precisou abdicar de nenhuma das áreas da sua vida, mas não deixa de considerar a atual rotina cansativa.  
Divulgação/ Demà Aprendiz - Henrique aprendeu sobre responsabilidade
Jhennyfer pontua, ainda, que como mudança significativa em seu cotidiano, o programa fez com que ela enxergasse o dinheiro com outros olhos. Ela afirma que, com o passar do tempo, começou a dar mais valor ao dinheiro e ser mais econômica em suas escolhas. Por sua vez, Pedro Henrique Lopes, 20, que concluiu o ensino básico e, agora, está em busca de iniciar o ensino superior, destaca a responsabilidade como ponto principal do que adquiriu com a experiência. 
O jovem também pontua a importância da experiência para a decisão do seu futuro. Ele, que atua em órgão público, por conviver diariamente com a rotina de concursados, entendeu que, apesar da grande quantidade de possibilidades, prestar um concurso público seria um ganho imenso. Pedro se diz adepto a diversas áreas, como gestão pública, comunicação e cinema, mas graças às vivências do dia a dia, o foco principal está na carreira do serviço público.  

Relação emocional 

ara a psicóloga clínica e neuropsicóloga Juliana Gebrim, o primeiro emprego tem um impacto emocional significativo porque marca a transição entre a adoles cência e a vida adulta, além de representar o início da busca por validação no mercado de trabalho. Segundo ela, é nesse momento que o jovem começa a entender como será percebido profissionalmente e como se posicionar diante de responsabilidades, cobranças e expectativas externas. 
A especialista afirma que essa experiência pode deixar marcas importantes — negativa ou positivamente. Caso seja negativa, ela pontua: “Pode gerar insegurança, medo de errar e sensação de incapacidade, efeitos que, em alguns casos, acompanham o indivíduo por muitos anos.” Por outro lado, ela destaca: “Quando o primeiro emprego ocorre em um ambiente estruturado e minimamente acolhedor — como no programa Jovem Aprendiz ou iniciativas semelhantes — ele fortalece a autoestima, a autoconfiança e o sentimento de pertencimento, funcionando como uma base positiva para o desenvolvimento emocional e profissional. 

Retorno 

Além do impacto emocional e profissional, a economista Luciana Barros destaca que o programa de aprendizagem também gera bons efeitos econômicos. Segundo a especialista, a aprendizagem possui retornos persistentes: “Evidências mostram que o primeiro vínculo formal eleva a renda futura, a empregabilidade e a estabilidade ocupacional. Na minha própria experiência, como jovem de origem humilde do interior do Maranhão, o contrato de aprendizagem em um banco público entre os 14 e 17 anos foi decisivo para minha formação, ampliando aspirações e influenciando diretamente a escolha da minha carreira. Esse tipo de política altera o horizonte de renda ao longo da vida.” 
A economista complementa: “Esses programas atuam como instrumentos de mobilidade social, ao oferecer oportunidades formais a jovens de famílias de baixa renda e de regiões menos desenvolvidas. Ao garantir renda, qualificação e inserção institucional, geram efeitos que se estendem às famílias e comunidades”. Segundo ela, a marca de 715 mil jovens aprendizes ativos revela um mercado de trabalho aquecido, com maior nível de formalização e confiança empresarial, além de indicar crescimento da atividade, redução de incertezas e maior capacidade das empresas de investir em formação. 

Veja como ingressar no Jovem Aprendiz 

 » Empresas que oferecem programas:   
Banco do Brasil 
  • Site: https://bit.ly/4birXhV   
  • Requisitos: - idade entre 14 anos e 18 anos incompletos; - renda familiar de até meio salário mínimo nacional, per capita; - todo o recrutamento para ser um aprendiz é feito por meio de Entidade Sem Fins Lucrativos credenciadas no BB; - cursando, no mínimo, a sétima série ou o oitavo ano do ensino fundamental, quando da sistemática de nove anos instituída pela Lei 11.274/2006.
Mercado Livre
  • Site: https://bit.ly/4q2QviI 
  • Requisitos: - estar cursando ou ter concluído o Ensino Médio ou Técnico; - ter entre 16 e 22 anos; - ter disponibilidade para trabalhar de forma presencial, 6h por dia (30h semanais), de segunda a sexta; - residir em: Manaus; Vitória da Conquista; Brasília; São Luís; Cuiabá; Teresina; Araçariguama; Barueri; Cajamar; Campinas; Caraguatatuba; Cotia; Embu das Artes; Guarulhos; Itapetininga; Limeira; Lorena; Mauá; Osasco; Ribeirão Preto; São José dos Campos; São Paulo; Sorocaba; Sumaré; Suzano; Palmas ou proximidades 
  • Banco Santander
  • Site: https://bit.ly/3LD1BNj  
  • Requisitos: - cursando o Ensino Médio, Técnico e/ou Profissionalizante - disponibilidade para jornada de 6h diárias (segunda à sexta das 9h às 15h) - idade: 16 a 22 anos 
Itaú
  • Site: https://bit.ly/4bn1n7m  
  • Requisitos: Rede de Agências: - 18 a 22 anos; - comunicação verbal; - foco no cliente, - perfil comercial. Redecard: - 16 a 22 anos; - comunicação verbal; - foco no cliente, - colaboração. Corporativo: - 16 a 22 anos; - raciocínio lógico; - senso crítico; - trabalho em equipe, - vontade em aprender ferramentas de programação 
Magazine Luiza
  • Site: https://bit.ly/3LWKyWk  
  • Requisitos: - ter entre 16 e 19 anos; - estar cursando ou já ter finalizado o Ensino Médio; - não estar cursando Ensino Superior. - todas as vagas são aptas para receber pessoas candidatas com deficiência. Caso você se enquadre, poderá especificar na sua candidatura e informar o código do CID correspondente. 
Caixa Econômica
  • Sitehttps://bit.ly/49MjeTW  
  • Requisitos: - idade para ingresso no programa – entre 15 anos completos e 17 anos completos; - renda familiar de até 50% do salário mínimo per capita; - escolaridade – mínimo 9º ano do ensino fundamental ou o equivalente na Educação para Jovens e Adultos 
Senac 
  • Site: https://bit.ly/4aiC9Wz  
  • Requisitos: - ter entre 14 e 24 anos - estar contratado por uma empresa como Jovem Aprendiz - para pessoas com deficiência, não há limite de idade - estar matriculado e frequentar a escola regular no turno inverso ao curso de Jovem Aprendiz    ou ter concluído o Ensino Médio. 
» Instituições intermediadoras:

*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá