Eu, Estudante

Vestibular

Jovem conquista terceiro lugar em medicina pela federal

Jovem cearense conquista terceiro lugar no curso de medicina da Universidade Estadual do Ceará e emociona a internet ao relatar a caminhada que percorreu até alcançar essa vitória

Criada no interior do Ceará, Kaylane Rodrigues começou a sonhar em vestir o jaleco branco na infância. A trajetória até a lista de aprovados da Universidade Estadual do Ceará (Uece) começou muito antes dos livros do cursinho, mas contou com idas e vindas do interior para a capital Fortaleza. Depois de muitas barreiras, a jovem cearense conquistou não só a aprovação, mas o terceiro lugar na Universidade Estadual do Ceará. Sua trajetória, compartilhada com seus seguidores no Instagram, culminou na conquista “construída por muitas mãos.” 

O início do sonho 

Kaylane teve a infância marcada pela história de sua avó, que sofria de psoríase, uma doença de pele genética. Embora não afete a saúde física, a condição causava manchas e escamas, impactando o emocional da avó devido ao preconceito que sofria na época. Ao ver toda essa experiência, Kaylane decidiu tomar uma atitude: “Criei o sonho de mudar a realidade de outras pessoas, para que não precisassem passar pelo mesmo que a minha avó passou.” A partir daí, começou a pensar em escolher o curso de medicina. Mas, de início, considerou o sonho inviável: “Venho do interior, e não conhecia ninguém da família que fez o curso. Então, achava uma coisa muito impossível e acabei deixando esse sonho de lado por um tempo” 
Leia Também:
O desejo retornou em 2021, no seu segundo ano de ensino médio. “No meio da pandemia, minha avó acabou falecendo de Covid-19. Coloquei na minha cabeça que iria conseguir, independentemente do tempo que fosse para obter a aprovação.”  

Trajetória 

Para homenagear à avó, Kaylane começou a estudar em 2022, no terceiro ano do ensino médio. Dedicou-se intensamente ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas não obteve a pontuação necessária. Em 2023, com o apoio da família, se mudou para Fortaleza, para fazer cursinho pré-vestibular. “Conversei com a minha família, e conseguimos juntar um valor para fazer a  mudança para Fortaleza e tentar um cursinho. Alguns parentes me forneceram abrigo para ficar na casa deles, de segunda a sexta- -feira, mas, nos fins de semana, eu precisaria voltar para o interior ou encontrar outro local para ficar. Então, quando chegava próximo do fim de semana, e eu sabia que haveria simulado no domingo, começava a mandar mensagem para todos os meus conhecidos.” Depois de conseguir uma bolsa, a família se uniu para pagar as mensalidades, mesmo em meio às dificuldades financeiras. 
Sua rotina era intensa: acordava cedo, pegava ônibus para o cursinho, onde as aulas começavam às 7h e terminavam às 13h, mas ficava até as 19h para estudar. “Como eu não tinha computador e tablet em casa, usava a estrutura do cursinho para poder continuar estudando.” Essa rotina se manteve de 2023 até o fim de 2025. Em meados de 2024, uma amiga a apresentou ao Oportunize, que oferece bolsas de estudo. O projeto se comprometeu a pagar a mensalidade, livros e outras despesas caso o cursinho não lhe concedesse uma bolsa novamente. Também recebeu apoio para custear o almoço e consultas psicológicas, que foram cruciais para lidar com a pressão do vestibular: “Mesmo que eu tivesse muita força de vontade e nunca tivesse pensado realmente em desistir, havia momentos em que me sentia fraca. Então, as sessões de terapia foram muito importantes para mim.” 
No mesmo ano, ela criou um perfil de estudos no Instagram. O @kaynotees tinha um objetivo claro: mostrar a realidade da vida de um estudante, incluindo as dificuldades. Por lá, compartilhava dicas, mostrava seus estudos e fez amizades com estudantes na mesma situação, que a ajudaram a continuar em busca do sonho de tornar-se médica. Em 14 de janeiro último, Kaylane foi aprovada em terceiro lugar no curso de medicina pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). “Foi um momento incrível, porque eu sabia que essa realização não era só por mim, mas também por todas as pessoas que acreditaram e confiaram em mim, para que eu continuasse estudando”, conta Kaylane. “Minha vitória foi construída por muitas mãos. 
*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá