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Entidade médica se diz preocupada com resultados do Enamed

A Associação Médica Brasileira (AMB) expressou extrema preocupação com os números que foram apresentados

Correio Braziliense
postado em 20/01/2026 20:38
SSSSS -  (crédito: Divulgação/ AMB)
SSSSS - (crédito: Divulgação/ AMB)
Após a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), a Associação Médica Brasileira (AMB) diz estar preocupada com a qualidade da formação desses profissionais no país. A entidade está preocupada, entre outras coisas, com o dado de que 32,6% de cursos sob regulação federal obtiveram conceitos 1 ou 2, faixas consideradas insatisfatórias pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Segundo a associação, os dados divulgados nesta segunda-feira (19/1) acendem um alerta na formação de médicos no Brasil. 

Ao todo, foram avaliados 351 cursos de Medicina. Embora 67,1% dos cursos estejam entre conceitos 3 e 5, a presença de 99 cursos com desempenho abaixo do mínimo aceitável foi o que levou a AMB a declarar que acredita que a avaliação tenha sido divulgada em tempo hábil para mostrar a realidade do ensino de medicina no país. 

Segundo a avaliação, entre os 39.258 estudantes concluintes avaliados, apenas 67% demonstraram proficiência adequada, enquanto cerca de 13 mil alunos não atingiram o nível esperado para o exercício seguro da medicina. Segundo o presidente da AMB, Dr. César Eduardo Fernandes, as informações divulgadas pelo exame mostram que 13 mil médicos não são proficientes para atender pacientes no território nacional. 

O presidente da entidade explica que os cursos de medicina no Brasil são terminais, ou seja, quando o aluno conclui o curso de graduação, ele recebe o diploma de formado em medicina. Após essa etapa, com base neste certificado, o recém-formado vai ao Conselho Regional de Medicina (CRM) do seu estado, onde obtém o registro profissional e o número de inscrição no CRM. Uma vez portador desta documentação, ele está legalmente habilitado para atender pacientes e exercer a medicina.

Com base nisso, Fernandes explica que esses números apontam para a necessidade de instituir, o mais breve possível, o exame de proficiência médica como um pré-requisito para o exercício da medicina. Sem esse exame, a população atendida por médicos não proficientes pode se expor ao risco de má prática profissional. 

Disparidade

Os dados do Enamed também evidenciam uma forte assimetria na formação médica no Brasil entre instituições federais, municipais e particulares. Enquanto universidades federais e estaduais concentram mais de 84% de seus cursos nas faixas de excelência, os piores resultados ocorrem principalmente em instituições municipais e privadas com fins lucrativos. 

Segundo a nota da AMB, as notas do do Enamed evidenciam os riscos da expansão desordenada de escolas médicas, muitas vezes abertas sem infraestrutura adequada, corpo docente qualificado ou condições mínimas para a formação segura de novos médicos.

O Ministério da Educação anunciou  sanções para as instituições avaliadas com desempenho insuficiente, incluindo suspensão total de ingresso, redução do número de vagas e restrição de acesso a programas federais como o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). As instituições terão 30 dias para apresentar defesa e as penalidades permanecerão em vigor até o próximo Enamed, previsto para outubro de 2026. 

O presidente da associação assegurou que a AMB considera essas medidas necessárias para proteger a população e garantir padrões mínimos de qualidade no ensino médico. De acordo com Fernandes, o Enamed representa um avanço importante para o país ao oferecer um diagnóstico objetivo da formação médica e ao fortalecer a transparência na avaliação das instituições. 

“Continuaremos trabalhando junto ao MEC, ao Ministério da Saúde, ao Conselho Federal de Medicina, ao Conselho Nacional de Educação e aos órgãos reguladores para aprimorar as diretrizes curriculares, fortalecer os estágios e o internato e estabelecer critérios rigorosos para abertura de novos cursos e ampliação de vagas”, diz Fernandes.

Vagas não são suficientes

César Eduardo Fernandes enfatizou que a questão central não é ampliar indiscriminadamente o número de vagas, mas assegurar que cada futuro médico tenha formação adequada, sólida e compatível com as demandas reais do sistema de saúde. Segundo ele, não se trata de formar mais médicos, mas de formar bons médicos, preparados para atuar no SUS e para responder às necessidades da população brasileira.

 

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