DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Reitora da UFRGS integra lista das 10 brasileiras que estão mudando a ciência

Sofia Sellani*
postado em 08/03/2026 06:00 / atualizado em 08/03/2026 06:00
Márcia Barbosa é reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e seu nome consta da lista da revista Forbes -  (crédito: Rochele Zandavalli/ Secom URFGS)
Márcia Barbosa é reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e seu nome consta da lista da revista Forbes - (crédito: Rochele Zandavalli/ Secom URFGS)
 
Eleita uma das 10 brasileiras que transformam a ciência no Brasil e no mundo pela revista Forbes Brasil, a atual reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Márcia Barbosa, define o destaque como “emocionante.”Entretanto, como o ditado: “nem tudo são flores”, lembra que a lista é um reflexo dos desafios para enfrentar o machismo e de não ‘perder a essência’ que diversas profissionais sofrem. Para a reitora, a lista é também “de quem sobreviveu a tantos obstáculos da carreira científica.” 
A missão de Márcia Barbosa surgiu a partir de um questionamento: “Eu estudava diferentes materiais para entender como o DNA e a proteína se comportam. Nisso eu pensei: Nossa, mas está faltando o estudo da água. Como ela dialoga com esses materiais?”, relatou. “E foi aí que eu percebi que a água é um mundo.” 
Entre os estudos e pesquisas está a dedicação em descobrir como a água se move dentro de espaços nanométricos — comparado com um fio de cabelo, fatiado em 60 mil vezes. 
Formada em escola pública, construiu toda a sua trajetória acadêmica na UFRGS, onde concluiu graduação, mestrado e doutorado. Ao ingressar na universidade, no entanto, o primeiro impacto foi a ausência de mulheres na sala de aula. “Eu me perguntava: o que estou fazendo aqui nesse lugar que não tem mulher?”, relembra.
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O que não esperava, é que a misoginia, assédios e o machismo, presentes no mercado de trabalho, se provariam um fio condutor que afeta não apenas cientistas, mas todas as profissionais independente da área. Segundo a reitora, as ofensas vão desde quando mulheres são pedidas para diminuir o tom de voz, até quando homens tentam explicar assuntos em que elas são especialistas. “Não use blusas cavadas, não use saias curtas, não fique muito feliz, pare de gesticular”, lembrou dos ‘conselhos’ que frequentemente mulheres escutam no ambiente corporativo. 
Resiliente, a pesquisadora demonstra firmeza no posicionamento: “Tudo que nós (mulheres) fazemos é demais e excessivo para a cabeça de um homem”. Porém, longe de desistir, a reitora notou uma ‘falha’ no sistema. “Percebi que tinha uma expectativa de uma masculinização na área. Em vez de me conformar, eu pensei: Não, eu vou confrontar isso. Vou fazer ciência e vou ser eu, não vou abrir mão de mim mesma”, afirmou. 
Atualmente, com o cargo na reitoria, Márcia Barbosa afirma que a diversidade é fundamental para gerar estudos e soluções. Se várias pessoas com jeitos de ver o mundo se reúnem em uma mesma sala e encaram o mesmo problema, as chances de uma solução mais eficiente surgir é muito maior”, explicou. “Então é importante não trazer só as mulheres, mas trazê-las sem dizer que precisam abrir mão de ser elas, para serem cientistas” 
 
*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá 

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