DIA INTERNACIONAL DA MULHER

A contribuição de uma pesquisadora da UnB para o tratamento de diabetes

Sofia Sellani*
postado em 08/03/2026 06:00 / atualizado em 08/03/2026 06:00
Suélia Rodriges desenvolveu, com o grupo de engenharia biomédica da UnB, a tecnologia Rapha, voltada ao tratamento de feridas crônicas -  (crédito: Arquivo Pessoal)
Suélia Rodriges desenvolveu, com o grupo de engenharia biomédica da UnB, a tecnologia Rapha, voltada ao tratamento de feridas crônicas - (crédito: Arquivo Pessoal)
 
Com o pai funcionário da Saneago, empresa de saneamento básico do estado de Goiás e mãe que não fez faculdade, Suélia de Siqueira Rodrigues, 48 anos, foi inspirada por melhorar a qualidade de vida de pessoas que sofrem diabetes, por causa doença do pai. Com o Grupo de Engenharia Biomédica da Universidade de Brasília (UnB), desenvolveu a tecnologia Rapha, voltada ao tratamento de feridas crônicas, especialmente do pé diabético. 
Resultado de 15 anos de pesquisa, o equipamento Rapha combina curativos de látex natural com emissões de luz LED, aplicado de forma simples, segura e incolor e ajudar a reduzir complicações relacionadas a feridas persistentes. 
Vinda de uma família com poucas condições financeiras, mesmo com o sonho de seguir carreira na área de medicina, pela falta de informações, nunca achou que seria viável pelo mito de que “para fazer medicina, necessariamente, deve ser rico”. Após ouvir uma palestra na escola, onde foi mostrado os benefícios de entrar na faculdade, como auxílios e restaurante, decidiu aplicar no vestibular para engenharia. 
“Transformei minha vontade de fazer medicina na vontade de estudar para coisas que pudesse ‘aplicar’ na área da saúde”, explicou a professora. “O estudo, para mim, foi uma forma de melhorar a minha vida”. Mãe de dois filhos, a professora conta que, quando dá vontade de desistir e que nada mais está fazendo sentido, a maternidade é o que lhe dá força para continuar. “Tenho muito orgulho de ser mãe”, afirmou. 
Resiliente e sempre aberta para novos desafios, o sonho que ainda quer alcançar é ver o Rapha salvando vidas, sendo incorporado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Graças a Deus, fui para a engenharia, porque é aqui que eu faço a diferença”, relatou. Para Suélia, lutar contra o machismo é essencial para que mais mulheres ingressem no mercado de trabalho. “Somos (as mulheres) a esperança da terra. Somos a transição do inverno para a primavera”, compara. “Mesmo que o inverno seja muito forte, as flores sempre nascem de novo. A mulher é isso, suportamos o inverno que congela, que tira as folhas e seca as árvores, mas nos mantemos fortes e florescemos como a primavera, que enche o mundo  de perfume, flores e cores.”

*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá

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