"O Cerrado não está à venda!", "Viva a Serrinha!". Essas foram algumas das palavras escolhidas pelos estudantes da Escola da Árvore durante manifestação contra o projeto de lei aprovado pela Câmara Legislativa, que propõe a inclusão da região da Serrinha do Paranoá como parte do plano para salvar o Banco de Brasília (BRB) da crise financeira. O protesto ocorreu no último domingo e, segundo a diretora do colégio, Letícia Araújo, cerca de 30 estudantes de diferentes idades marcaram presença no protesto. O governador Ibaneis Rocha (MDB) deve sancionar lei nesta semana.
Entre os lotes incluídos na negociação, o mais valioso é a Serrinha do Paranoá, avaliado em R$ 2,3 bilhões. A região abriga mais de 100 nascentes e conserva espécies típicas do Cerrado. Ambientalistas apontam área como um importante manancial da região Centro-Oeste.
Protesto
“Esse ato é importante para as crianças entenderem que o fazer de hoje ele interfere em toda a nossa relação com a nossa própria existência”, pontua a diretora.
Fundada em 2015, a escola adota uma metodologia própria que ensina os estudantes o respeito pelo meio ambiente e a defesa da natureza. Em meio às disputas políticas que a Serrinha enfrentou durante os anos, o colégio se tornou uma bandeira de resistência contra interesses financeiros, formando estudantes conscientes e ligados à própria terra.
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Segundo Letícia Araújo, a instituição foi capaz de fomentar um sentimento de pertencimento nos jovens e de inspirá-los na lutar pela área. “Os alunos dessa escola sempre estiveram engajados na defesa da região. Nas nossas festas e músicas, a temática da Serrinha está sempre presente", explica.
"As crianças sabem da importância de não desmatar o Cerrado, porque aqui tem espécies sensíveis que demoram a crescer. E estudam tudo com muito afinco", acrescenta.
“Os alunos têm um olhar muito atento. Quando ouvem barulho de trator, elas perguntam se está acontecendo alguma coisa. Elas não deixam matar uma aranha dentro da escola, porque acham que fazem parte do sistema”, finaliza.
Projeto de lei
O projeto de lei que repassa nove imóveis públicos do DF ao patrimônio do BRB como forma de resgatar o banco da crise foi aprovado na última terça-feira (3/3) e deve ser sancionado pelo governador Ibaneis nos próximos dias.
O BRB enfrenta uma crise financeira após o banco se envolver em fraudes na tentativa de comprar o Banco Master.
*Estagiário sob supervisão de Ana Sá